Cansa...
Sim,
cansa, de fato, cansa, realmente cansa. E ele tem se sentido assim,
cansado, desanimado... tem estado visivelmente cansado! Cansado de
não ser compreendido, cansado de medos tolos e sem sentido,
cansado de maus-estares... ele quer apenas falar livremente de seus
sentimentos, quer dedicar poesias, letras de música, ou
qualquer outra loucura parecida, para uma pessoa que não
considere isso inapropriado, desde que vindo da parte dele. Ele está
cansado de tomar cuidado com as palavras, porque algumas declarações
podem soar “muito fortes”... porque não condizem com a
atitude de um “amigo distante”... sente dentro de si um cansaço
de ter de jogar suas palavras de amor ao vento, porque não
pode dizê-las diretamente a quem gostaria... porque ela se
chateia, por ele pensar tanto nela e ela mal lembrar dele.
Está
cansado de ninguém entender o porquê dele continuar
sozinho há tanto tempo... conseguem enumerar qualidades nele
que fariam dele uma ótima companhia... mas ninguém faz
muita questão de acompanhá-lo! Preocupam-se com uma
possível falta de auto-estima por si mesmo... mas não
estão muito afim de tirá-lo da solidão. Até
soaria engraçado! Ou quem sabe soe... se você estiver do
outro lado...
Ele
é cansado, e isso é fato. Há muito sente-se
cansado, desanimado, desestimulado. Hoje, seu cansaço está
particularmente minando suas forças, até para esboçar
um sorriso. Ultimamente ele tem sentido-se cansado de ser o amigão.
Foram tão poucas as vezes... preocupa-o essa necessidade dos
outros em manter uma “distância segura”, em vê-lo
como um simples “amigão da galera”.
Decidem
por ele não participar mais de suas vidas, manterem apenas uma
boa amizade, às vezes aparentemente dispensável,
porque, bem... por um “afortunado golpe de sorte”, por motivos
obscuros, estão apenas fisicamente separados... então
criam-se ainda mais barreiras. Difícil, às vezes, não
querer fraquejar, não querer acabar com a solidão a
qualquer custo. Ele dá preferência a alguém, mas
pensa às vezes em encontrar um “estepe” que não se
importe com aparências e convenções
auto-impostas, ou não... para que haja a devida troca de
afetos, sem medos, sem reservas.
Ele
não quer ser sempre o amigão. Ele gosta de saber-se
importante, também, ele gosta do afeto que lhe foi dedicado,
nos primeiros dias, ele procurou adequar-se a esse amor mais sublime
e mais fraterno, do qual também tem sentido falta,
ultimamente... mas a imagem de amigão, já a está
sentindo gasta demais. Já cansou de se perguntar: “Por que
isso vale para os outros, mas não para mim? Por que o abraço,
o beijo, os afagos, o aconchego têm de vir, forçosamente,
de uma outra pessoa?! Por que não de mim... por que não
eu??” Pois é... por que não...?! Por que se preocupar
com o que ele fará se aparecerem com alguém?! O que
pensam que ele fará?? O que pensam que ele pode fazer?! O que
fariam, em seu lugar?! Engraçado que ninguém se
preocupe com a situação contrária... se ELE
aparecesse com alguém, qual seria a SUA reação??
Ninguém perde tempo pensando nisso, parece... não
gostam de saber de casos antigos, evocam lembranças, mas
quando ele fala das suas, dizem preferir não saber, tentam
preservar-se... de quê?? Ele não é apenas o
amigão?! Então: O QUÊ?! Não querem
imaginar o quê??! Estariam evitando incomodar-se com... o
quê???
Ele
já está cansado disso tudo, está cansado de ser
o amigão... de não ter oportunidade de ser outra
coisa... ele também sente falta de maiores intimidades, de uma
companhia mais próxima... ele falou a você, que gostaria
de ter o seu abraço, ele também sente carências,
há muito, muito tempo, ele não tem um afago sincero, um
beijo amoroso...não parece, mas ele também é
humano...!
Enfim...
o cansaço tem lhe tirado as forças. Tem lhe tirado a
clareza de pensamentos, às vezes. Ele sabe do que gostaria...
de quem ele gostaria... de quem ele quer. Com toda solidão que
lhe assombra, com todas mensagens que vão e não voltam,
com as incompreensões e temores infundados sobre sua pessoa,
que o magoam profundamente, com as incertas e indiretas, com as
mensagens de amor aos quatro ventos, endereçadas a um só
coração, totalmente fechado em teoremas de próximo
e distante, real e virtual, ou ilusório, enredado demais em
racionalizações, para escutar... ele, ainda assim,
mantém-se preso, de livre e espontânea vontade, a seus
sentimentos por ela. Entre danar-se ela e danar-se a solidão,
que se dane ele, suporta-se a solidão e procura-se continuar
próximo com o coração... mesmo que em segredo,
para não causar-lhe desgostos!

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