PESCANDO NO BODOSAL

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

SOLTEIRO

Ele teve, até hoje, um... só um! Talvez dois... dias dos namorados para comemorar. Ele não lembra direito, porque faz tempo, muito tempo... ele não teve muitas namoradas, até hoje, para presentear, ou comemorar o Dia dos Namorados... ele não gosta muito nem de falar a respeito, prefere esquecer.
Há muito, muito tempo, ele está sem paquera, amizade com “vantagens”, ficante, ou namorada. Há tempos que não há nenhum relacionamento eventual, ou sexo casual – que aliás, nunca teve, mesmo, nem nunca sentiu falta disso em sua vida, mas enfim!
Então, num belo dia, ele olha no calendário, vê alguma 'hashtag' nas redes sociais... quer dizer, então, que hoje é seu dia, é isso?! Sério mesmo?? Dia do Solteiro?!? Deveria ficar, mesmo, feliz por ter uma data no calendário, acaso deveria comemorar?! Por quê...?? Ele está solteiro, sim. E já há um bom tempo. Bom, na verdade, desde que se entendeu por gente. Já faz alguns anos, desde que teve seu último relacionamento sério, estável... desde então, tem se encontrado só. Teve algumas paqueras, no meio do caminho, mas isso também já faz algum tempo.
Bem, anos atrás ele ficava chateado, por não poder comemorar o Dia dos Namorados e nem o Valantines Day americano, de uns tempos para cá é que ele mudou sua postura: ok, não tinha alguém ao seu lado, ultimamente, muito menos na data, não a comemoraria, mas também não ficaria chateado por isso. Era só um dia... quanto a essa outra data... Dia dos Solteiros?! Ainda lhe parece inacreditável.
Todos seus dias são os dias de um solteiro, que trabalha, estuda, passa os finais de semana na casa dos pais, escapa uma ou outra noite, para um cinema solitário, com um pacote de pipoca e um refrigerante; ou um happy hour com ozamigos... às vezes lembra, com uma certa nostalgia, dos relacionamentos passados... mas, sem dúvida, não quer voltar atrás. O que passou, passou, e foi bom! Mas já foi. Tem uma menina, por quem está encantado, tem-se sentido atraído, talvez até esteja apaixonado por ela. Pensa nela quase o tempo todo, sonha com ela, algumas noites, curte quando ela curte algo que posta em seu mural, mas... é apenas um flerte platônico. Algumas vezes vê os casais e sente falta de, com alguém, formar um par... outras vezes, se ressente por estar sozinho, ter de fazer todas as coisas só para um... e quase tudo o que faz, ele faz sozinho! Não há ninguém para importuná-lo, em compensação, não tem ninguém por quem se preocupar, também. Todos os dias, ele sabe que está solteiro, então, por que uma data a mais para lembrar-lhe que é “forever alone”?! Não, ele resolveu que esta data, não se comemora... não tá afim! Quem sabe outra hora...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

DEZENOVE

Meus pais são de outra época. De outras épocas, pra falar a verdade! Meu pai veio ao mundo em 1926. Minha mãe, em 1945. É, algumas coisas das quais a gente só ouviu falar, nas aulas de história, eles chegaram a vivenciar... dezenove anos de diferença entre os dois... o mesmo tempo faz que ele se foi: junho de 1993! Longínquos dezenove anos...
Creio que aprendi mais de História do Brasil – e Universal, também – com ele, do que nas próprias aulas. Ele era moleque, quando espocou a Revolução de 1930, viveu infância e adolescência nos anos da 2ª Grande Guerra, viu a grande enchente de 1941, morou no Rio de Janeiro, quando ainda era capital federal...
Seo Antônio Ayrton ensinou muita coisa, da mitologia greco-romana – e indígena brasileira, também – da História, da Bíblia, da literatura, da vida e do coração. Ensinou muito de política: a discernir esta da politicagem, os tons de cinza entre o preto e o branco da dicotomia ilusória da vida, do futebol e da política, etc. Por vezes, dava a entender que gostava do estilo de vida americano, outras vezes, demonstrava uma certa admiração pelo modelo soviético – ele viu o mundo se dividir entre as duas visões, após a guerra e viu uma delas ruir com a queda do muro, jovens! Dessa forma, ensinou a ver o lado positivo e negativo que há em todos os sistemas políticos, porque, sim, todos eles têm esses dois lados!
Ensinou e vem ensinando... talvez, sejam apenas sonhos, que misturam ideias e pensamentos maturados, sobre diversos assuntos com lembranças dele; talvez sejam mesmo mensagens de muito além, trazidas por ele para refletir... quem sabe, ensinamentos que ficaram arquivados na memória, meio esquecidos, até que vêm de volta à tona... com ele aprendi a não desacreditar, nem descartar apressadamente nenhuma possibilidade, ou explicação. De qualquer forma, mesmo dezenove anos depois, continuo aprendendo com meu pai.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Não Diga Não Precisa

Têm músicas que nos marcam, que não gostamos, apenas, que somos tocados, às vezes mais pelas emoções e lembranças que elas suscitam do que pela letra, ou melodia. Têm músicas cuja harmonia e melodia me atraem, primeiramente, depois, vou procurar prestar atenção e compreender a letra. Há aquelas músicas que, na sua totalidade, já nos cativam, letra e melodia. Imagino que entenda o que quero dizer, você disse “Ludov é vida”. Realmente, da primeira vez que ouvi, não tive dúvidas disso, a identificação foi imediata.
Um mistério, no entanto, são aquelas músicas que você nem gosta... que não é exatamente o estilo que te atrai... mas que, num dia, você se pega ouvindo, porque, bem, não tem pra onde correr, não tem como se esconder... e acaba que você presta atenção no que diz a letra... e daí que rola uma identificação, digamos assim, com o que fala a canção!
Não gosto. Mas, no ano passado, escutava quase o tempo todo, estava na moda, aquela cantora sertaneja, não tinha pra onde correr, pois até no shopping tocavam sua música. Aí ocorre outro fenômeno, semelhante ao do inverno, milho e ervilha no xis, etc: você não gosta... mas se acostuma! Continuo não gostando das músicas dessa moça, continua não sendo meu estilo, apenas me acostumei.
Nesses momentos, você baixa a guarda, você está tão acostumado a ouvir aquilo que, num belo dia, se pega prestando atenção na letra daquela música e começa até a achar que aquilo faz algum sentido. Às vezes é porque você está meio fragilizado, com os sentimentos à flor da pele. Não é que você vá passar a gostar daquela música, mas alguma coisa, talvez o refrão, te chama a atenção e acerta na veia, encontra a brecha no coração para reverberar: “Mas tem que ser assim, é seu meu coração, não diga não precisa, ahahaaa!”
Sim, acredito que pode-se dizer que encontrava-me fragilizado, quando a música me chamou a atenção. Senti como verdadeiras aquelas palavras, como sentia verdadeiras as que eu mesmo tinha dito, afinal, não se chama uma mulher de musa à toa, nem impunemente... mas enfim! Talvez continuo “fragilizado”, tenho sempre os sentimentos transpirando pelos poros, mas o coração, bem, digamos que mudou de mãos... e a canção, não tenho mais ouvido com tanta frequência. A ouvi, ainda outro dia... estava deitado, de manhã cedo, naquele momento em que se acaba de acordar e fica-se refletindo um pouco, sobre a noite, sobre como vai ser o dia, sobre a vida, pra só depois levantar. Nesse momento, me retive em outra estrofe da música, sem querer, me peguei a analisá-la: “Eu já sonhei com a vida, agora vivo um sonho, mas viver ou sonhar, com você, tanto faz...”
Pensei comigo: “não tanto faz coisa nenhuma!” Te conheço há pouco, te vi poucas vezes, mal nos falamos, nosso convívio é mais através das redes sociais, foi por lá que te conheci um pouco mais, a minha playlist tem se modificado um tanto em função dos sons que vou descobrindo por teu intermédio, direto, ou indireto... mesmo assim, sabendo tão pouco de você, não considero indiferente, não acho que dê na mesma coisa! Preferiria muito mais viver a sonhar com você. Não que sonhar contigo seja ruim, sempre é bom, lembro até do primeiro sonho, neles tudo sai perfeitamente como a gente imagina e gostaria que fosse e tal... mas, conviver, viver com você, dividir e trocar experiências, mesmo que não corresponda às expectativas, é melhor que o sonho, sempre! Pra mim, não é indiferente, se me for dado escolher, preferirei mil vezes viver a sonhar.






segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Playlist

Preciso de um rádio. Ou de um aparelho de som, ou daquelas caixinhas auto-falantes, que os camelôs têm vendido, em tudo quanto é canto. Qualquer coisa que toque música, que dê para montar uma playlist e deixar tocando a noite toda. Qualquer coisa que possa sintonizar, até mesmo, aquelas rádios que tocam musiquinhas de elevador, de sala de espera de consultório de dentista... é que não posso ficar no silêncio, não aguento ficar sem música. E tv, para mim, serve para bem pouca coisa, mesmo. Nada me entretem mais que música... bom, talvez o Sim City Social!
Afinal, quem disse que precisamos de silêncio absoluto pra conseguir relaxar, concentrar-nos, refletir, etc? Eu só consigo isso com algum som, que de preferência seja música. Eu sei o que dá certo comigo, o silêncio externo não contribui para que o interior silencie, simples assim! Já tentei relaxar no silêncio profundo. Tentei me concentrar. A mente não sossega, fica dispersa. Às vezes preciso me concentrar, estudar, ler um texto, qualquer coisa assim... pra dormir, preciso de música!
Há dias que perco o sono no meio da madrugada e, no horário em que deveria estar acordando, sinto-me sonolento, cansado e com dificuldade para acordar. Uma semana atrás, isso não vinha acontecendo! Eu deixava o rádio ligado e ia dormir. Tinha um sono tranquilo e restaurador, acordava completamente descansado e de bom humor. Não tinha sono agitado, nem sonhos confusos... alguns eram com ela... a morena bela, a quem minha mente e meu coração se rementem, quase sempre que o rádio toca... qualquer música – boa – já me remete a ela. E me relaxa, me acalma o coração. Minha playlist tem “namorado” com ela, ou com a sua, ultimamente. Algumas das suas músicas agora são minhas, também. Com outras, tenho que me cuidar, ou passo os dias de olhos marejados... enfim, o que me deixa triste é ficar sem música! É o que tem me deixado irritadiço, mal dormido, mal-humorado. Preciso dormir ao som da playlist!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Pra Te Namorar


Oro toda a noite a Deus, Jesus, Buda e Nossa Senhora, para ter um amanhecer melhor que o anoitecer em que adormeço. Oro por todos os amigos, por alguns familiares e por você... penso em você quase todo tempo, penso se estará bem, oro para que esteja.
Oro toda santa noite pra encontrar aquilo que prometi procurar e levar pra você. Pra voltar para o Norte logo, o mais rápido possível, pra ser este o último inverno que enfrento inteiro. Pra voltar a te ver, mesmo que só uma vez mais... de preferência, poder te ver todos os dias, de então até o resto da minha vida.
Pra poder te abraçar, pelo menos uma vez. Melhor se forem duas, ou três! Pra passar uma tarde andando lado a lado, de havaianas, na areia fina da Ponta Negra. Pra conversarmos, sentados em meio à praça de alimentação dalgum shopping. Pra ir ao cinema com você, ver algum filme que queira(mos) muito ver. Pra te levar na micareta, no reagge, na rave, ou no show de rock, quem sabe dos Kooks, ou Ludov. Pra não deixar os olhos marejarem quando ouço uma música aí, daquela banda, Scracho. Pra meu colo te servir de travesseiro, para um cochilo, quando estiver cansada. Pra poder segurar tua mão, quando sentir-me fraquejar. Pra meu ombro ser teu apoio, quando sentir-se triste e quiser chorar. Pra você “se arriar”, quando meu time perder, e eu “me deitar”, quando for o seu. Pra eu demonstrar, sem receios, o efeito benéfico no meu emocional, toda vez que te vejo sorrir... e pra ser, de vez em quando, o motivo por trás desse belo sorriso. Pra sentir ciúmes sem me envergonhar, a não ser quando forem exagerados e/ou sem sentido. Pra discutirmos por algum motivo, mesmo que tolo, e nos reconciliarmos, assim que te fosse possível. Pra balançar contigo em uma rede, ao fim da tarde. Pra passar frio, te emprestando minha jaqueta jeans, numa noite gelada de inverno. Pra fugirmos a alguma praia, ou cachoeira, nos dias de verão.
Mas eu peço, em minhas orações, apenas uma coisinha, só, só isso, só pra... pra te namorar!