PESCANDO NO BODOSAL

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

As Canções da Minha Infância

Observando minha sobrinha cantar e dançar músicas que aprendeu na escolinha, percebi que hoje em dia parece haver muito mais canções feitas para a molecada do que nos meus tempos de infância. Se isso é positivo, ou negativo, não sei dizer, mas enfim. Haviam, sim, grupos musicais, cantoras/apresentadoras de programas infantis, etc. Fui bacuri no tempo em que começaram a espocar os programas matutinos infantis, apresentados por loiras de xuquinhas nos cabelos e shortinhos minúsculos, a começar pela Xuxa, que ainda não era a “rainha dos baixinhos”. De qualquer forma, Balão Mágico, Trem da Alegria, ou a própria Xuxa, não fizeram músicas que tenham marcado minha infância de um modo particular.
Com quatro, ou cinco anos já tinha visto pelo menos umas 20 vezes a “The Song Remains the Same”, um filme, que era o registro documentário de uma turnê do Led Zeppelin em Nova York, acho que em meados dos anos 70. Voltei a rever esse filme faz uns 5 anos, e foi como se retrocedesse uns 20 anos no tempo, na época da minha infância. “Black Dog”, “Celebration Days”, “Stairway to Heaven”, “Moby Dick”, dentre outras canções, foi o que marcou minha infância, minha memória musical daqueles tempos.
Não cheguei a sentir falta de músicas “pra minha idade”. Escutava e curtia o que meus irmãos mais velhos escutavam, tipo Beatles, Stones, Led Zeppelin, The Clash, Ramones, Yes, The Who, Sex Pistols, Frank Zappa... as nascentes bandas de rock brasileiras; Titãs, Paralamas, Legião, Engenheiros, Kid Abelha e por aí vai! Meus primeiros anos de escola foram marcados por canções como “Estado Violência”, dos Titãs, “Infinita Highway”, dos Engenheiros do Hawaii e “Proteção”, da Plebe Rude.
Ainda me remetem à infância essas músicas. Quando moleque, batucava nas panelas, paredes, etc, tentando imitar o solo de John “Bonzo” Bonham, no tal filme já referido acima. Às vezes, tentava cantar num embromation terrível e alcançar os agudos do vocalista do grupo Rush, Geddy Lee. “Tom Sawyer”, um dos maiores sucessos da banda, até hoje me remete aos fins de tarde de domingo, quando sentava no chão, em frente à tv, pra assistir McGyver, o “Profissão Perigo”, antes dos Trapalhões e do Fantástico – que naqueles tempos ainda fazia jus ao nome. Por um tempo eu toquei “guitarra” nas vassouras e rodos de casa, tentando imitar Jimi Hendrix. Algumas vezes até fingia tocar fogo no instrumento, como ele! Ah... bons tempos, aqueles!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Intriga da Oposição

Não é bem assim... não é como estão dizendo! Nem percebi que você tem andado sumida! Só notei que você não tem mais aparecido com a mesma frequência de antes, porém isso não quer dizer, de modo algum, que tenho sentido a sua falta. Isso de que só tolero propaganda eleitoral de candidatos com os quais antipatizo, ou não compactuo, nas redes sociais, quando é você quem as compartilha, é tudo intriga da oposição!
Esse aperto no peito não tem nada a ver com saudade, não quer dizer que estou feliz e emocionado por te ver, só por alguns minutos, que seja. Só porque toda vez que ouço uma música da sua banda favorita, curiosamente meus olhos umedecem-se e ardem, não significa que essa música me remeta a você. Não, não, não sou tão sentimental assim! Não é verdade que curto campanhas políticas só por sua causa, ou filmes que não me interessariam, ou apenas porque você foi marcada naquela foto da caminhada do seu candidato, postada no Face do seu amigo.
Isso é tudo intriga da oposição. Tudo isso intriga da oposição. Só te stalkeio porque é esse o meu esporte favorito, sim, é isso. Qualquer outro boato sobre eu ir dormir pensando em você; sobre ir a uma loja procurar saber se tem algo que você mencionou ter muita vontade de ter; sobre ficar todo bobo se você curte, ou comenta algum post meu no Face; sobre que não consigo mais ficar sem te ver, sem ter você todos os dias na minha timeline... sim, é tudo verdade! Mas é tudo intriga da oposição.

Homem não chora
Nem por dor
Nem por amor
E antes que eu me esqueça
Nunca me passou pela cabeça
Lhe pedir perdão
E só porque eu estou aqui
Ajoelhado no chão
Com o coração na mão
Não quer dizer
Que tudo mudou
Que o tempo parou
Que você ganhou
Meu rosto vermelho e molhado
É só dos olhos pra fora
Todo mundo sabe
Que homem não chora
Esse meu rosto vermelho e molhado
É só dos olhos pra fora
Todo mundo sabe
Que homem não chora
Homem não chora
Nem por ter
Nem por perder
Lágrimas são água
Caem do meu queixo
E secam sem tocar o chão
E só porque você me viu
Cair em contradição
Dormindo em sua mão
Não vai fazer
A chuva passar
O mundo ficar
No mesmo lugar
Meu rosto vermelho e molhado...
HOMEM NÃO CHORA”, Frejat


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Café Fraco em Cumbuca de Sopa

Lá fora a chuva cai farta e torrencialmente, um cãozinho ensopado gane ininterruptamente, sem sensibilizar os donos, nem deixar os vizinhos dormir. O pobre animal cansa de chorar sem resultado e pára. E enfim, altas horas da madrugada, só fica o som da chuva, com trovões ocasionais. E então, consegue-se voltar a dormir.
Mais tarde, pela manhã, foi ele para a cozinha, fazer o café. Fez um tão fraco que mais parecia chá preto... ou qualquer outra coisa, menos café! Serviu-o numa cuia de louça, daquelas de tomar sopa, entregou-a à garota, que fez cara feia, desconfiada, antes de tomar um gole... e abrir um sorrisão, surpresa por, mesmo assim, o café estar bom! Ele mesmo não acredita, toma e bebe um pouco da caneca dela e também surpreende-se positivamente. A aparência era bem pior do que o gosto.
E volta a ficar escuro, quase como noite. E volta a chover forte, ele escuta os trovões ao longe, soando de vez em quando. Enquanto isso, conversam ele e a luz dos seus olhos, a sua bela garota sobre... realidades diversas da sua, sobre universos paralelos! Sobre os sonhos e a possibilidade destes serem como janelas, por onde podemos vislumbrar pedaços dessas outras realidades, desses outros mundos... ou ser tudo apenas fruto da nossa imaginação! Eles conversam isso ali, sentados juntos, se embalando tranquilamente numa rede.
E então, ele acorda. Sozinho, com as cobertas espalhadas, sinal de que sentiu calor, durante a madrugada, enquanto chovia. Sentia-se bem descansado. Sorriu, quase riu, lembrando-se da conversa com ela, com a sua luz dos olhos, do estranho assunto da conversa, do sonho nem tão estranho assim... rá! Universos paralelos!! Uma realidade onde, talvez, estivessem juntos, naquele exato momento, enquanto ele dormia. Uma ideia e tanto... seria aquilo tudo só um sonho? Bem, tanto faz, se isso é possível, ou se foi apenas um sonho, desde que tenha sido um bom sonho!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dança da Chuva

A dança da chuva de verdade é feita quando já está chovendo. As outras são rituais mágicos para atrair a chuva, não danças da chuva, de fato.
Você, neste exato momento, está fazendo a dança da chuva. Segurando com força e destreza o guarda-chuva, que uma lufada de vento tenta entortar, enquanto executa passos complexos e mais ou menos elaborados, para evitar as poças d'água na calçada. Você ginga mais que num samba, você faz jogo de corpo, para escapar ileso e seco das goteiras nas marquises dos prédios. Para não ter seu olho espetado, ao atravessar aquele mar de sombrinhas multicoloridas, você desvia e esgueira-se, tal qual Neo, em “Matrix”.
Nenhum balé, por mais bem elaborado que seja, se iguala àquele que vemos de graça, num dia de chuva qualquer. A música, pouco importa, a música é aquela que estiver tocando no seu mp3; no radinho de pilha do senhor que vende guarda-chuvas na esquina; a que estiver tocando no seu subconsciente, ou mesmo, nenhuma. Ou mesmo os sons da rua; as vozes e conversas das pessoas ao seu redor, os carros, a chuva batendo na lona preta da sombrinha, o “toc-toc” elegante dos sapatos de salto da moça bonita.
Ok, você dança desajeitadamente a dança da chuva, você está com pressa para chegar no trabalho, quase nem presta atenção na música, que hoje é “Seven Nations Arm”, com a virtuosa guitarra de Jack White e a batera vigorosa de Marie White. Você não parou pra perceber que não é só você, hoje todos estão executando a sua própria dança da chuva, alguns com um suingue quase germânico, outros, com graciosos e delicados passos de balé. Outros, ainda, de um modo improvisado, juntam balé e equilibrismo, com passos arriscados, para não cair, ao patinar no piso molhado, com um calçado muito impróprio para o clima de hoje. Todos, a seu modo, estão dançando a sua dança da chuva, hoje. E tem dia melhor para dançar, que hoje?!

A Chuva Cai Lá Fora

Chove lá fora e aqui... aqui é daquele jeito, tudo tão clichê...!
A chuva cai lá fora e você quer ficar aqui dentro, dormir a manhã inteira, debaixo das cobertas, escutando a música relaxante das gostas de chuva caindo lentamente, no telhado, nas folhagens, na terra e na grama.
A chuva cai lá fora e você se lembra de todas as músicas que falam de chuva que você conhece!
Deixa chover, deixa, que a água, lágrima divina, vem nos purificar...”
Deixa chover, aah, deixa a chuva molhar...”
Chove lá fora e aqui faz tanto frio...”
Lá fora está chovendo e assim mesmo eu vou correndo só pra ver o meu amor...”
Chove lá fora e aqui dentro, a preguiça gostosa toma conta de você, que já tem muito pouca vontade de se levantar.
A chuva cai lá fora e seus sonhos estão povoados dela, da água caindo dos céus, do seu paraíso particular úmido e friozinho, você e seu amor aconchegados, apenas, ninguém mais.
A chuva cai lá fora, trazendo paz, tranquilidade e aquela vontade lesa de não fazer nada.
Chove lá fora e você sente quase uma felicidade infantil ao encasular-se no seu edredom.
Chove lá fora, mas deixa, que o sol brilha forte dentro de você!