PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Jogo dos 7 Erros

É... a idéia era outra. Tínhamos outro texto pronto, engatilhado, para postar aqui no blog. Como toda tragédia, essa está sob a aura do imprevisto, então tivemos de mudar os planos. É difícil, só se fala nesse assunto, tudo quanto é blog está falando – bem melhor que este, provavelmente – todas grandes redes de mídia já esmiuçaram o incêndio que abalou todo o Rio Grande do Sul, o Brasil e parece que também o mundo, já falaram até além do necessário.
De qualquer forma, um dos pontos principais do outro texto era um pequeno traço, único na nossa espécie, o da estupidez humana, e a tragédia de Santa Maria demonstrou bem essa pequena idéia minha, essa crença na já citada estupidez, pois ela realmente não parece conhecer limites!
É triste. É triste o fim trágico de tantos jovens que foram apenas festejar e se divertir; é triste, foi triste, está sendo triste, doentia, realmente mórbida e perversa a cobertura que as grandes redes midiáticas deram e ainda estão dando ao fato. É o melhor do pior da estupidez humana em rádio, tv e internet. É a falta de tato que vai além da mera gafe e desrespeita a dor das famílias em rede nacional, mas... sempre prestando sua “solidariedade”! O homem do Brasil Urgente e o ex-senador/radialista que o digam...
Triste a sucessão de erros, triste e vergonhoso que uma casa noturna estivesse em pleno funcionamento sem alvará a ser expedido pelo Corpo de Bombeiros, sem respeitar a todas especificações de segurança, com material de isolamento acústico barato e de qualidade duvidosa, com extintores de incêndio vencidos e/ou descarregados, apenas para “dar o migué”, quando viesse bater a fiscalização da Prefeitura... que, por sua vez, permitia a uma casa noturna funcionar sem todos os requisitos e normas de segurança, bem como os alvarás de funcionamento em dia! Triste a falta de inteligência, de bom senso e responsabilidade dos músicos, que faziam, e fizeram, demonstrações e shows pirotécnicos, em um local fechado, o que é expressamente proibido, pondo em risco não só a sua, como as vidas de terceiros, a saber, seus fãs e frequentadores da boate.
Triste e estúpida a atitude sovina e gananciosa dos donos da casa, permitindo ultrapassar a lotação da mesma, tendo em seu estabelecimento apenas uma porta de entrada e saída, não havendo nenhuma saída para emergências como a do último domingo. Triste que tenham instruído seus seguranças a somente deixar as pessoas saírem mediante comprovação do pagamento da comanda, independente da situação. E triste a estupidez tacanha de seguranças mal-preparados, que apenas seguiram ordens sem questionar, que não foram capazes de pensar segundo seu próprio julgamento, que quando viram o pânico começar a se instaurar, não pensaram duas vezes antes de trancar as portas de saída, nem para tentar comunicar-se com os colegas e funcionários no interior da boate, para ao menos inteirar-se do que estava acontecendo.
Triste, muito triste, a gente agora conseguir pensar em mil maneiras de evitar na tragédia, depois dela já ser fato consumado. Muito triste ninguém ter tomado as providências para prevenir e agora ter de buscar remediar, para possíveis casos futuros. Muito triste ler nos jornais, ouvir nas rádios e nos canais de tv o quão estúpidos parte dos envolvidos puderam ser, quando poderiam ter evitado ao menos metade daquelas mortes, quando, com simples gestos, teriam feito uma grande diferença, agora. Quando poderiam ter evitado da gente estar escrevendo este texto. Triste, muito triste, mais uma vez, pessoas fazerem o jogo dos 7 erros de maneira fatal, pra tanta gente, acarretando dor pra tantas famílias, pra, só agora, as começarmos a espertar-nos, despertarmos no meio de um pesadelo super-sensacionalista, para começarmos a questionar quanto aos padrões de conduta em espetáculos, quanto ao uso de pirotecnias em locais fechados – de forma séria – quanto à eficácia das normas de segurança vigentes no país, etc. Podíamos só ter discutido todos os assuntos que foram suscitados no último domingo com bem menos dor no coração. Santa Maria, rogai por nós...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Peculiar...

O que eu acho interessante nessas redes sociais é que, do nada, podem discussões (mais ou menos) profundas e ânimos exaltados, por motivos nem sempre nobres. Por exemplo, ontem alguém postou links sobre e defendeu a implantação de mais ciclovias na cidade. Meio de transporte ecologicamente correto, ajuda a sermos menos sedentários, coisa e tal. Aí, alguém levantou a hipótese de equipar policiais militares e civis com bicicletas. Ronda nos Bairros versão mountain bike! Imagina só, que beleza! Alguém aí não gostou muito. “Minha cidade tem peculiaridades”, disse ele, como quem diz – com um paradoxal orgulho – “minha cidade é bem pior que a tua, minha terra é mais subdesenvolvida que a tua!” E que é ruim para um policial ficar subindo e descendo lomba de magrela, que têm bairros muito grandes para fazer ronda só de bike, que a criminalidade está incrível! e por aí vai.
Isso dá ensejo às paralelas dos pneus n'água das ruas são duas estradas nuas... enfim! Lembro da minha infância, do tempo em que os brigadianos faziam rondas a pé, e em duplas, Pedro e Paulo, como eram chamados, uma referência aos dois apóstolos, pioneiros e pais do cristianismo, mais ou menos como o conhecemos hoje. Ouvi dizer que no Rio de Janeiro chamavam-se Cosme e Damião, por causa do mito dos gêmeos santos. Naqueles tempos, o Centro da cidade já era grande pra caramba, ou seja, Pedro e Paulo andavam muito, andavam pagarai! Teve um tempo em que brigadiano rodando em viatura era raro de se ver. E isso, mesmo na capital do Estado! Tipo, até o início dos anos 90...
Lembro que no entorno do Parque Farroupilha, a brigada fazia a ronda de a cavalo. Quando era moleque, queria ser brigadiano, só pra poder montar a cavalo! Nem me preocupava o pavor de sentar no lombo dum bicho daqueles, só achava bonito! Imagina só, poderia ser como o capitão Théo, toda vez que eu apontasse na Osvaldo Aranha, próximo ao parque, Roberto começaria a cantar: “Esse cara sou eu...”! Bom, naqueles tempos, polícia montada era o ano todo, lá praqueles lados. Não lembro de ter visto mais nenhum, da última vez que fui lá. Acho que, se ainda tiver policial montado, é só na Semana Farroupilha e olhe, olhe... é coisa que não dá pra entender, pode carroça de papeleiro, puxada por um pangaré e guiada por dois meninos trancar a Assis Brasil em horário de pico, mas brigadiano fazer a ronda a cavalo no parque Farroupilha, não!
Hoje, brigadiano não faz mais a ronda a pé, nem só, nem acompanhado, nem no Centro, nem no bairro. Hoje, brigadiano só anda em bando, isso quando anda! Na maioria das vezes, ficam num ponto fixo, quase sempre debaixo das marquises dos prédios, porque, né... sabe como é, o sol!... Pedro e Paulo usavam capacetes brancos, chovesse, ou fizesse sol, no frio do inverno, ou no calor do verão! Agora, brigadiano só usa um boné, da mesma cor da farda... não serve pra proteger do sol, dizem!
E o sol alumia, o sol queima, o sol esquenta. E não sei como foi que a discussão foi desandar nos caminhos do sol e seus malefícios, mas acabou chegando lá! E alguém disse que, em Manaus, não se pode andar sob o sol, porque corre sério risco de contrair câncer de pele automaticamente! Não, em outras cidades, não existe risco algum, quem está em Manacapuru pode ficar tranquilo, não há risco iminente! Nem em Cuiabá, nem em Brasília, nem em Belém do Pará! Só em Manaus, o sol de lá é maior, é mais quente, é mais perigoso que o sol que você pega aí! Eu já andei sob o sol de Manaus, fiquei bem moreno, mas tem dia que sinto que o sol daqui queima mais que o de lá. Sabe quando parece que os raios do sol são lasers, que cortam tua carne, te atravessam, como se fossem microondas, te assam por dentro e por fora? Pois é, bem vindo a Porto Alegre! Eu sei, deve ser só impressão minha. Acho é graça de caboclo reclamar como é ruim andar ao sol do meio-dia em Manaus, mas em Fortaleza quase nem procura sombra, se esparrama na areia da praia, ou caminha é debaixo de sol, mesmo! Não se incomoda nem um pouco ao caminhar sob o sol do Rio de Janeiro, de Salvador, de Florianópolis. E o sol é o mesmo, amigos, torra aqui tanto quanto torra lá! Não é porque você tá em Manaus, que corre mais riscos de ter doenças e câncer de pele do que no resto do Brasil! Não é porque estou em Porto Alegre no momento que não preciso me cuidar, andar ao sol sem passar protetor, nem me hidratar! Aliás, se não tomar os devidos cuidados, a gente tem as mesmas chances de ter queimaduras sérias!
Já vi cabra com queimaduras bem graves, por ter abusado do sol, na praia. Algumas vezes, eu mesmo já fui esse cabra! E não precisou ser em nenhuma praia do Nordeste, nem na Ponta Negra! Foi ali em Tramandaí, mesmo! Se não está subestimando a inteligência alheia, então não superestime o sol de Manaus, nem os males que ele pode causar. Por outro lado, não pode se descuidar, mas não tenha medo de aproveitá-lo, basta não abusar!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Vaquinha Pelo Poder

Esse nosso Congresso Nacional, olha... não tá fácil, não! Não têm mais pudor nenhum, cara! Essa nossa classe política... anda muito descarada, é safada e já nem disfarça mais! Não que eu acredite que fosse muito melhor antes, talvez a gente só não tivesse tido ainda a oportunidade de observá-los mais de perto, por tantos ângulos, como hoje em dia.
Tanto que não me surpreendeu nem um pouco um grupo de afiliados ao Partido dos Trabalhadores organizar uma festinha, um evento, a fim de arrecadar entre os correligionários dinheiro para ajudar a pagar a multa aplicada aos ditos mensaleiros do partido. Ouvi um comunicador de uma rádio jovem daqui especular se tal “juventude petista” (grupo ao qual foi atribuída a organização do evento) acreditaria, realmente, na alegação de inocência dos seus caciques. No, no lo creo, eles provavelmente acreditam mais é na validade de ações como compra de votos da base aliada, como parte importante do projeto de poder do partido, pouco importando se são consideradas ilícitas, ou não. É fato, como qualquer outro membro de qualquer outra agremiação política, os petistas provaram o gostinho de governar o país, se lambuzaram e não querem mais largar! Eles farão tudo ao seu alcance para permanecer no poder, vão vender muito caro, para o país, a sua saída.
Quem está na chuva é pra se queimar, já disse o grande filósofo e eterno dirigente do clube do coração de vossa majestade, o Imperador Luís Inácio I, quem está no Partido dos Trabalhadores também tem que sujar as mãos. Quem está em partido por ideologia, hoje, é minoria e é considerada como idiota, ingênua. A juventude petista até pode ser jovem, mas não é ingênua, não estão nessa por crer que ainda há uma ideologia por trás do projeto político do partido, ou por crer na inocência de seus caciques, estão nessa pura e simplesmente pelo projeto de poder de Luís Inácio, José Dirceu, Genoíno, Marta Suplicy e outros. Apoiarão os seus caciques, aconteça o que acontecer, lutarão para mantê-los no poder, sem pudor nenhum! E vão passar por cima de você, como passaram por cima da ética, se acharem necessário.

O Senador Radialista

Se você sente como se só conseguisse produzir alguma coisa no seu dia se estivesse com a cabeça quente, se pra sentir-se ágil e produtivo, precisa ouvir o ex-senador radialista, na rádio Farroupilha AM, de Porto Alegre! Sim, é sério... não tem como você não sair de casa estressado. Sintoniza lá: a partir das 7 horas da manhã (horário de Brasília, 5 horas, no horário de Manaus, pelo menos até o fim do horário de verão)! Sim, dá pra sintonizar via internet, como fazemos aqui, quando se quer escutar o Garotinho, na Difusora de Manaus. Se você o acha insuportável, é porque ainda não escutou o ex-senador lançando suas porcarias às pérolas!
Numa manhã, semanas atrás, o ex-senador repercutia uma notícia da página policial do jornal, um homem teria sido morto a tiros por seguranças de uma boate, no Centro da capital gaúcha. Incrível a capacidade desse sujeito de repercutir um caso desses, escabroso, mas nada incomum, como se fosse o primeiro, como se jamais tivesse visto coisa igual. Sim, ok, o caso tinha um agravante, o homem fora morto na frente da esposa e do filho, de 13 anos de idade. O ex-senador deu importância demasiada a alguns aspectos da notícia e, convenientemente, esqueceu-se de outros. Fingiu surpresa ao saber que no centro da cidade possa existir boates que funcionem como pontos de prostituição e encontros casuais, fingiu verdadeira indignação por um “pai de família” ser morto da forma que foi. Mas não demonstrou nenhum espanto por um pai de família, justamente, levar a família a uma dessas boates em plena madrugada! Levar um menino a um lugar desses deve ser bastante justificável, aos olhos do senhor ex-senador! E no seu discurso moralista, como não podia deixar de ser, tinha que sobrar pro lado das prostitutas! Não é incrível, mas é inaceitável que ainda haja gente que endosse as barbaridades que esse ser fale, em rede quase estadual, logo pela manhã!
Imagine acordar logo de manhã cedo, ouvindo o ex-senador noticiar que um ladrão teve 95% do corpo queimado ao tentar roubar fios de cobre de rede elétrica e dizer que o meliante “bem que poderia morrer...”, logo depois falar em valorizar a vida humana, pedir ajuda para uma criança que sofre de doença rara, falar que crê em anjos! Consegue perceber a contradição? É irritante, não é? Se um ex-senador tem a capacidade de desejar a morte de um ser humano, só porque ele roubava fios de cobre, o que será que deseja a Marcos Valério, José Dirceu, Paulo Maluf, Carlinhos Cachoeira...? Ou será que ESSE tipo de bandidos é diferente...?! E como pode alguém, em sã consciência, desejar a morte de um outro ser humano e dizer que valoriza a vida humana?! É incompreensível que dêem um microfone pra alguém dizer esse tipo de coisa, de segunda a sábado, logo de manhã cedo. Mais que incompreensível, é inaceitável! Se você precisa sentir um pouco de raiva todas as manhãs, pra “funcionar direito”, eu lhe indico o programa do ex-senador para escutar. Mas evite que crianças o escutem. Eu não daria nunca a ele um microfone para que continue prestando o seu desserviço à sociedade. E um ex-senador da República deveria ter mais bom senso, ao usar um canal de comunicação para difundir ideias... não sei, só acho!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Aquiles & Sansão: Valentes, ou Idiotas?!

Os campeonatos estaduais já começaram. Alegria, acabou o marasmo na televisão, nas tardes de sábado e domingo! Agora tem futebol pra gente assistir, novamente! Mas... acompanhar os campeonatos estaduais não tá mole não. É cada joguinho mais complicado que o outro... galera está recém voltando das férias, os times grandes não colocam pra jogar suas estrelas, etc. Acompanhar o Gauchão, nesse começo de temporada, fica bastante complicado! Ainda mais pela tv a cabo! Em pay-per-view!! Em outro Estado que não o Rio Grande do Sul, então!!! Imagine assistir a um joguinho ruim como aquele Inter x Passo Fundo do último sábado, que acabou empatado em um gol pra cada lado, na sua tv, em um sobrado na avenida Alexandre Magno, pleno Parque Dez, no meio de Manaus! Walter sentiu-se amargamente arrependido de ter pago por um jogo tão ruim! Poderia ter economizado pra fazer qualquer outra coisa, pra uma viagem de fim de semana a Presidente Figueiredo, talvez, ou pra um jogo mais interessante, da Copa do Brasil, ou do Brasileirão, quem sabe!
Já estava quase dormindo no sofá em frente à tv, quando ouviu ao lado um risinho, de certa forma cínico. Olhou de repente, desperto, para o lado. “O quê, qual foi a graça??”, inquiriu. Conhecia bem aquela risadinha de Andressa. Olhou para a tv e sentiu o rosto esquentar, o sangue subir por seu pescoço, os olhos pestanejaram, ardentes. Levantou-se incrédulo no que seus olhos viam e vociferou, as mãos encrespadas estendidas na direção do aparelho de televisão: “WHAT A PORRA IS THIS??” Andressa riu-se novamente, logo pigarreando, ante o olhar furibundo do marido, disse, num tom tímido de voz: “Eles estão certos, o cara foi bastante coraj...” não conseguiu terminar! “MUITO O QUÊ?! MUITO O QUÊÊÊ???”, gritou mais alto ele, visivelmente transtornado. “MUITO CARA DE PAU, MUITO BABACA, MUITO SEM NOÇÃO!! ISSO SIM, ESSE NOJENTO FOI!! O QUÊ QUE ELE TINHA QUE TÁ FAZENDO ALI, O QUÊ, ME DIZ, O QUÊ??” A moça pediu-lhe calma, mas o estrago já estava feito, ele desligou a tv impetuosamente, atirou o controle para cima, encerrando a conversa: “LARGUEI!!”, esbravejou, levantando-se do sofá e ruidosamente deixando a sala. Chegando na soleira da porta da varanda, olhou para o cão e o gato, parados a sua frente. Um começou a abanar o rabo, a boca aberta, a língua para fora, o outro passou chispando por seus pés, aparentemente assustado, escondendo-se embaixo do carro, na garagem ao lado. Acompanhando o gato com o olhar, Walter abrandou o cenho, suspirou, sorriu e abanou a cabeça negativamente.
Mais tarde, os ânimos já acalmados, o casal saiu com o carro, iam ao Manauara; um cineminha, uns chopps, um jantarzinho maneiro, pra desopilar, sem falar uma palavra sobre futebol! Se fosse necessário, Walter iria relembrar Andressa daquela final entre Vitória e Bahia de Feira, arriscando estragar também o seu humor e todo o resto do final de semana. Os bichos, por sua vez, ficaram observando, dali do fundo da garagem, o carro saindo e Walter descendo do carro, pra fechar o portão e trancá-lo.
Os 'seromanos' se estressam mesmo por causa de futebol!”, comentou Sansão, algo surpreso.
Te falei, cara!”, replicou Aquiles. “Por causa desse tal de futebol, eles até se matam uns aos outros, é sério! Lembra daquele caso, ano passado, no Egito, parece que foi...?!”
Sim, mas... por que o Walter brigou com a mamãe?!”, perguntou o cachorro, choroso e confuso.
Coisas desse futebol, Sansão”, explicou Aquiles. “As pessoas perdem a noção das coisas por causa dele. Esquecem de amores, amizades, põe o dito cujo acima de todo o resto. Isso, nem hoje, nem nunca que a gente vai entender, Sansão.”
Mas parece que a mamãe falou de um tal 'seromano' corajoso, uma hora, ali...”, replicou o cão. “Que será que ela quis dizer com isso...?”
Vou te dizer como eu entendi”, começou Aquiles. “Um sujeito foi lá para o estádio com a camisa do maior rival pra ver o jogo do Internacional... só que o jogo não era contra o seu time! Era contra um outro! Entendeu?!”
Puxa! Então, o cara foi mesmo muito corajoso, cê não acha não?!”, surpreendeu-se o cachorro, com os olhos esbugalhados, tentando imaginar a cena.
Foi nada!”, retrucou Aquiles, abanando as orelhas e piscando os olhos com ar sonolento. “Essa é apenas a típica e conhecida nossa estupidez humana! Eles gostam de demonstrar que são ousados, fazendo coisas idiotas e sem sentido, só para aparecer, provocar os inimigos e correr riscos desnecessários. Os humanos não têm o instinto de sobrevivência que a gente tem. Por exemplo: sou capaz de apostar com você que, pra salvar uma criança presa num prédio em chamas, aquele cara não iria mexer nem um músculo!”
É, eu acredito em você, mas... a tv disse que aquele cara era muito corajoso, que o que tinha feito era uma verdadeira façanha!”
Aquiles riu-se.
Sim, sim, Sansão, a tv é bem capaz de dizer algo do tipo, quando lhe interessa! Os humanos acreditam que ela só quer lhes entreter, mas a motivação real dela é manipular a cabeça deles! Tipo: 'compre isso', 'coma aquilo', 'essa ração é uma droga, mas seu cão vai adorar!'...”
Você está querendo dizer o que com isso, Aquiles?”
Ora, Sansão, é bastante óbvio, não é?! A televisão também torce, ela também escolhe lados! Veja nas novelas, nos reality shows, nos telejornais... no futebol também não é diferente!”
Você quer dizer, então, que a tv sabe que o cara estava agindo errado e que, assim mesmo, apoiou seu comportamento só porque ele torcia contra esse Inter?”
Exatamente! Se ela não tivesse lado, diria o fato puro e simples: aquele não era um valente, era apenas um idiota, arriscando-se sem motivo algum só para provocar uns torcedores de um outro time, num joguinho que não deveria lhe interessar!”
E se fosse o contrário...?”
Ora, eles diriam exatamente o que te falei, que um colorado foi lá provocar os adversários, foi lá tumultuar um jogo que não tem nada a ver com o seu time! O que, de fato, seria verdade! Entendeu?”
Ahn... acho que sim... a tv também é passional, então...” concluiu o cão.
Sim, é! Ela também escolhe um lado, meu amigo! E manipula informações, se isso lhe for útil!”
E se tiver sido só uma brincadeira...?”
Então, Sansão, os humanos estão demonstrando o que eu já sabia: eles não sabem brincar!”