O
que eu acho interessante nessas redes sociais é que, do nada,
podem discussões (mais ou menos) profundas e ânimos
exaltados, por motivos nem sempre nobres. Por exemplo, ontem alguém
postou links sobre e defendeu a implantação de mais
ciclovias na cidade. Meio de transporte ecologicamente correto, ajuda
a sermos menos sedentários, coisa e tal. Aí, alguém
levantou a hipótese de equipar policiais militares e civis com
bicicletas. Ronda nos Bairros versão mountain bike! Imagina
só, que beleza! Alguém aí não gostou
muito. “Minha cidade tem peculiaridades”, disse ele, como quem
diz – com um paradoxal orgulho – “minha cidade é bem
pior que a tua, minha terra é mais subdesenvolvida que a tua!”
E que é ruim para um policial ficar subindo e descendo lomba
de magrela, que têm bairros muito grandes para fazer ronda só
de bike, que a criminalidade está incrível! e por aí
vai.
Isso
dá ensejo às paralelas dos pneus n'água das ruas
são duas estradas nuas... enfim! Lembro da minha infância,
do tempo em que os brigadianos faziam rondas a pé, e em
duplas, Pedro e Paulo, como eram chamados, uma referência aos
dois apóstolos, pioneiros e pais do cristianismo, mais ou
menos como o conhecemos hoje. Ouvi dizer que no Rio de Janeiro
chamavam-se Cosme e Damião, por causa do mito dos gêmeos
santos. Naqueles tempos, o Centro da cidade já era grande pra
caramba, ou seja, Pedro e Paulo andavam muito, andavam pagarai! Teve
um tempo em que brigadiano rodando em viatura era raro de se ver. E
isso, mesmo na capital do Estado! Tipo, até o início
dos anos 90...
Lembro
que no entorno do Parque Farroupilha, a brigada fazia a ronda de a
cavalo. Quando era moleque, queria ser brigadiano, só pra
poder montar a cavalo! Nem me preocupava o pavor de sentar no lombo
dum bicho daqueles, só achava bonito! Imagina só,
poderia ser como o capitão Théo, toda vez que eu
apontasse na Osvaldo Aranha, próximo ao parque, Roberto
começaria a cantar: “Esse cara sou eu...”! Bom, naqueles
tempos, polícia montada era o ano todo, lá praqueles
lados. Não lembro de ter visto mais nenhum, da última
vez que fui lá. Acho que, se ainda tiver policial montado, é
só na Semana Farroupilha e olhe, olhe... é coisa que
não dá pra entender, pode carroça de papeleiro,
puxada por um pangaré e guiada por dois meninos trancar a
Assis Brasil em horário de pico, mas brigadiano fazer a ronda
a cavalo no parque Farroupilha, não!
Hoje,
brigadiano não faz mais a ronda a pé, nem só,
nem acompanhado, nem no Centro, nem no bairro. Hoje, brigadiano só
anda em bando, isso quando anda! Na maioria das vezes, ficam num
ponto fixo, quase sempre debaixo das marquises dos prédios,
porque, né... sabe como é, o sol!... Pedro e Paulo
usavam capacetes brancos, chovesse, ou fizesse sol, no frio do
inverno, ou no calor do verão! Agora, brigadiano só usa
um boné, da mesma cor da farda... não serve pra
proteger do sol, dizem!
E
o sol alumia, o sol queima, o sol esquenta. E não sei como foi
que a discussão foi desandar nos caminhos do sol e seus
malefícios, mas acabou chegando lá! E alguém
disse que, em Manaus, não se pode andar sob o sol, porque
corre sério risco de contrair câncer de pele
automaticamente! Não, em outras cidades, não existe
risco algum, quem está em Manacapuru pode ficar tranquilo, não
há risco iminente! Nem em Cuiabá, nem em Brasília,
nem em Belém do Pará! Só em Manaus, o sol de lá
é maior, é mais quente, é mais perigoso que o
sol que você pega aí! Eu já andei sob o sol de
Manaus, fiquei bem moreno, mas tem dia que sinto que o sol daqui
queima mais que o de lá. Sabe quando parece que os raios do
sol são lasers, que cortam tua carne, te atravessam, como se
fossem microondas, te assam por dentro e por fora? Pois é, bem
vindo a Porto Alegre! Eu sei, deve ser só impressão
minha. Acho é graça de caboclo reclamar como é
ruim andar ao sol do meio-dia em Manaus, mas em Fortaleza quase nem
procura sombra, se esparrama na areia da praia, ou caminha é
debaixo de sol, mesmo! Não se incomoda nem um pouco ao
caminhar sob o sol do Rio de Janeiro, de Salvador, de Florianópolis.
E o sol é o mesmo, amigos, torra aqui tanto quanto torra lá!
Não é porque você tá em Manaus, que corre
mais riscos de ter doenças e câncer de pele do que no
resto do Brasil! Não é porque estou em Porto Alegre no
momento que não preciso me cuidar, andar ao sol sem passar
protetor, nem me hidratar! Aliás, se não tomar os
devidos cuidados, a gente tem as mesmas chances de ter queimaduras
sérias!
Já
vi cabra com queimaduras bem graves, por ter abusado do sol, na
praia. Algumas vezes, eu mesmo já fui esse cabra! E não
precisou ser em nenhuma praia do Nordeste, nem na Ponta Negra! Foi
ali em Tramandaí, mesmo! Se não está
subestimando a inteligência alheia, então não
superestime o sol de Manaus, nem os males que ele pode causar. Por
outro lado, não pode se descuidar, mas não tenha medo
de aproveitá-lo, basta não abusar!

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