PESCANDO NO BODOSAL

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Peculiar...

O que eu acho interessante nessas redes sociais é que, do nada, podem discussões (mais ou menos) profundas e ânimos exaltados, por motivos nem sempre nobres. Por exemplo, ontem alguém postou links sobre e defendeu a implantação de mais ciclovias na cidade. Meio de transporte ecologicamente correto, ajuda a sermos menos sedentários, coisa e tal. Aí, alguém levantou a hipótese de equipar policiais militares e civis com bicicletas. Ronda nos Bairros versão mountain bike! Imagina só, que beleza! Alguém aí não gostou muito. “Minha cidade tem peculiaridades”, disse ele, como quem diz – com um paradoxal orgulho – “minha cidade é bem pior que a tua, minha terra é mais subdesenvolvida que a tua!” E que é ruim para um policial ficar subindo e descendo lomba de magrela, que têm bairros muito grandes para fazer ronda só de bike, que a criminalidade está incrível! e por aí vai.
Isso dá ensejo às paralelas dos pneus n'água das ruas são duas estradas nuas... enfim! Lembro da minha infância, do tempo em que os brigadianos faziam rondas a pé, e em duplas, Pedro e Paulo, como eram chamados, uma referência aos dois apóstolos, pioneiros e pais do cristianismo, mais ou menos como o conhecemos hoje. Ouvi dizer que no Rio de Janeiro chamavam-se Cosme e Damião, por causa do mito dos gêmeos santos. Naqueles tempos, o Centro da cidade já era grande pra caramba, ou seja, Pedro e Paulo andavam muito, andavam pagarai! Teve um tempo em que brigadiano rodando em viatura era raro de se ver. E isso, mesmo na capital do Estado! Tipo, até o início dos anos 90...
Lembro que no entorno do Parque Farroupilha, a brigada fazia a ronda de a cavalo. Quando era moleque, queria ser brigadiano, só pra poder montar a cavalo! Nem me preocupava o pavor de sentar no lombo dum bicho daqueles, só achava bonito! Imagina só, poderia ser como o capitão Théo, toda vez que eu apontasse na Osvaldo Aranha, próximo ao parque, Roberto começaria a cantar: “Esse cara sou eu...”! Bom, naqueles tempos, polícia montada era o ano todo, lá praqueles lados. Não lembro de ter visto mais nenhum, da última vez que fui lá. Acho que, se ainda tiver policial montado, é só na Semana Farroupilha e olhe, olhe... é coisa que não dá pra entender, pode carroça de papeleiro, puxada por um pangaré e guiada por dois meninos trancar a Assis Brasil em horário de pico, mas brigadiano fazer a ronda a cavalo no parque Farroupilha, não!
Hoje, brigadiano não faz mais a ronda a pé, nem só, nem acompanhado, nem no Centro, nem no bairro. Hoje, brigadiano só anda em bando, isso quando anda! Na maioria das vezes, ficam num ponto fixo, quase sempre debaixo das marquises dos prédios, porque, né... sabe como é, o sol!... Pedro e Paulo usavam capacetes brancos, chovesse, ou fizesse sol, no frio do inverno, ou no calor do verão! Agora, brigadiano só usa um boné, da mesma cor da farda... não serve pra proteger do sol, dizem!
E o sol alumia, o sol queima, o sol esquenta. E não sei como foi que a discussão foi desandar nos caminhos do sol e seus malefícios, mas acabou chegando lá! E alguém disse que, em Manaus, não se pode andar sob o sol, porque corre sério risco de contrair câncer de pele automaticamente! Não, em outras cidades, não existe risco algum, quem está em Manacapuru pode ficar tranquilo, não há risco iminente! Nem em Cuiabá, nem em Brasília, nem em Belém do Pará! Só em Manaus, o sol de lá é maior, é mais quente, é mais perigoso que o sol que você pega aí! Eu já andei sob o sol de Manaus, fiquei bem moreno, mas tem dia que sinto que o sol daqui queima mais que o de lá. Sabe quando parece que os raios do sol são lasers, que cortam tua carne, te atravessam, como se fossem microondas, te assam por dentro e por fora? Pois é, bem vindo a Porto Alegre! Eu sei, deve ser só impressão minha. Acho é graça de caboclo reclamar como é ruim andar ao sol do meio-dia em Manaus, mas em Fortaleza quase nem procura sombra, se esparrama na areia da praia, ou caminha é debaixo de sol, mesmo! Não se incomoda nem um pouco ao caminhar sob o sol do Rio de Janeiro, de Salvador, de Florianópolis. E o sol é o mesmo, amigos, torra aqui tanto quanto torra lá! Não é porque você tá em Manaus, que corre mais riscos de ter doenças e câncer de pele do que no resto do Brasil! Não é porque estou em Porto Alegre no momento que não preciso me cuidar, andar ao sol sem passar protetor, nem me hidratar! Aliás, se não tomar os devidos cuidados, a gente tem as mesmas chances de ter queimaduras sérias!
Já vi cabra com queimaduras bem graves, por ter abusado do sol, na praia. Algumas vezes, eu mesmo já fui esse cabra! E não precisou ser em nenhuma praia do Nordeste, nem na Ponta Negra! Foi ali em Tramandaí, mesmo! Se não está subestimando a inteligência alheia, então não superestime o sol de Manaus, nem os males que ele pode causar. Por outro lado, não pode se descuidar, mas não tenha medo de aproveitá-lo, basta não abusar!

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