PESCANDO NO BODOSAL

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Pior Que Cães & Gatos

Anos atrás eu já tinha imaginado uns personagens, não exatamente para desenho da Hannah Barbera, ou contos infantis, era mais como As Cobras, do Luiz Fernando Veríssimo. Eram um gato e um cachorro, que, na maioria das vezes, comentariam pequenos fatos do cotidiano. Tinha pensado num título pomposo, algo como: “A Arte Zen de Ser Gato Em Um Mundo Cão”. Mas acabei desistindo, daí ficou sendo “Aquiles & Sansão”, mesmo... é, acho que já tinha essa idéia, depois que morei numa vila onde uma senhora tinha um gato com esse nome, Aquiles, lembrei de um vizinho que tinha dois cães, na minha época de piá, um era o Faraó, o outro Sultão... até era pra ser esse o nome do cão, mas um dia pensei: “E por que não Sansão?!”, então ficou Sansão. Sim, nunca imaginei nos dois começando como inimigos, para depois se tornarem amigos, isso foi idéia de outra pessoa, com quem, um dia, o plano foi dividir a autoria dos textos protagonizados pelos dois. Na minha cabeça, os dois sempre foram amigos. Porque, ao contrário do que a TV, cinema, HQs e toda sorte de besteiras escritas, ditadas pela “tradição”, influenciada pela cultura anglo-americana tentou e tenta, até hoje, nos incutir na mente, sobre a dicotomia do “bem” e do “mal”, de uma pretensa guerra eterna, quase um conflito judaico-islâmico entre os dois animais, já tive comprovações suficientes, desde cedo, da boa convivência entre cães e gatos que, aliás, é o mais comum e natural! Deveria até nos causar inveja, a convivência absolutamente pacífica e civilizada dos bichos! Claro que isso é uma “idéia irracional”, totalmente inconcebível para seres racionais e civilizados, como nós...
E vejam que não vejo muitas razões pra simpatizar com cães! Não que os deteste, às vezes até consigo gostar deles, não da mesma forma como gosto de gatos, mas enfim... é que tive várias razões e aprendi a não confiar inteiramente nos cachorros. Nunca! Uma vez, saía eu do supermercado e passei por um cão solto na rua – porém com coleira, o que pressupõe que ele teria um “dono”. Simplesmente passei, não assobiei, não olhei diretamente, não disse, não fiz nada... só passei! E, por alguma razão, isso foi o que bastou para o animal me atacar, uma razão só dele, imprevisível, impensável, insondável e inexplicável, sob a ótica simplista do instinto animal. Por sorte dele, o cão só mordeu a barra da minha calça, não o calcanhar, escapou de um pontapé e só ouviu os xingões que lhe direcionei, nada mais. Não o marquei, até devo ter passado por ele, outras vezes depois, não quis me vingar... mas, dali em diante, comecei a achar mais prudente estar prevenido. Passei a desconfiar automaticamente dos cães, de qualquer cão!
Pode ser apenas o instinto único, peculiar somente a nossa raça, o da estupidez humana, mas enfim. Não confio nos cães, só um pouco, talvez, enquanto estes são filhotes e não adquiriram certos vícios e maus hábitos inerentes à espécie e que alguns de nós simplesmente não combatemos enquanto temos tempo, mas não acho isso suficiente para justificar qualquer ato de crueldade, ou truculência para com esses animais. Sei que o cara já foi até eliminado do programa, talvez até por conta disso, mas o relato de Dhomini, sobre o cão, do qual teria arrancado os dentes a machadadas só demonstrou o nível da estupidez ao qual um ser humano pode chegar. De uns tempos para cá, começo a pensar que os boatos sobre os avanços evolutivos na nossa espécie foram um tanto exagerados... ok, ele teria sido mordido diversas vezes pelo animal, mas, já da primeira vez em que foi mordido, poderia ter aprendido a não dar mais confiança, a não marcar bobeira na frente daquele cão em especial e de outros, no geral! Poderia saber se defender, sem ser de forma demasiado agressiva! Poderia... mas a estupidez humana às vezes fala mais alto, é fato!
Como eu disse, o instinto mais forte em nós se chama estupidez! Até por falta de um nome pior. O fato mais surreal que comprova a tese se deu na última sexta-feira, em pleno terminal de passageiros do Aeroporto Internacional Salgado Filho. Funcionários incompetentes, ou mal-intencionados, não se sabe direito, ainda, criaram um clima de instabilidade e quase provocaram pânico nos passageiros, ao observarem um pacote e anunciarem que havia suspeita de bomba. Chegaram ao cúmulo de acionarem a Polícia Militar, que por sua vez acionou o grupo anti-bombas, que, por “questão de segurança”, detonaram o pacote, em vez de inspecioná-lo primeiro, para desencargo de consciência... e só aí foram descobrir que nele havia... um gato! Um gatinho, isso mesmo!! Por pura estupidez, ingênua, ou proposital, viramos piada nacional!
Gato-bomba, gato terrorista, gato suicida, ligado à Hezzboláh, ao ETA, ou Al-Qaeda, teria invadido o aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre! Passamos o ridículo só para alegrar meia dúzia de imbecis que devem odiar gatos! “Mas o gato já estava morto, mesmo!” Sim, eu ouvi esse tipo de “argumento”. CLARO!! Com uma explosão daquelas, é incrível ainda ter sobrado gato pra contar a história! Depois que fizeram a cagada, tinham que dar um jeito de amenizar. Então, a versão oficial ficou sendo a de que “puseram um gatinho morto numa caixa”. Quem pôs e o porquê, pouco importa. Se foi uma brincadeira de mau gosto, os responsáveis simplesmente não serão punidos. Se foi o despreparo dos funcionários do aeroporto, também melhor deixar quieto, vai que o dono do gato dê pela falta e lembre-se de alguma coisa! A única dúvida ficou sendo: como é que se confunde um gato – vivo, ou morto – com uma bomba?? E a única certeza é a de que a estupidez humana, simplesmente, não conhece limites!!

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