Anos
atrás eu já tinha imaginado uns personagens, não
exatamente para desenho da Hannah Barbera, ou contos infantis, era
mais como As Cobras, do Luiz Fernando Veríssimo. Eram um gato
e um cachorro, que, na maioria das vezes, comentariam pequenos fatos
do cotidiano. Tinha pensado num título pomposo, algo como: “A
Arte Zen de Ser Gato Em Um Mundo Cão”. Mas acabei
desistindo, daí ficou sendo “Aquiles & Sansão”,
mesmo... é, acho que já tinha essa idéia, depois
que morei numa vila onde uma senhora tinha um gato com esse nome,
Aquiles, lembrei de um vizinho que tinha dois cães, na minha
época de piá, um era o Faraó, o outro Sultão...
até era pra ser esse o nome do cão, mas um dia pensei:
“E por que não Sansão?!”, então ficou
Sansão. Sim, nunca imaginei nos dois começando como
inimigos, para depois se tornarem amigos, isso foi idéia de
outra pessoa, com quem, um dia, o plano foi dividir a autoria dos
textos protagonizados pelos dois. Na minha cabeça, os dois
sempre foram amigos. Porque, ao contrário do que a TV, cinema,
HQs e toda sorte de besteiras escritas, ditadas pela “tradição”,
influenciada pela cultura anglo-americana tentou e tenta, até
hoje, nos incutir na mente, sobre a dicotomia do “bem” e do
“mal”, de uma pretensa guerra eterna, quase um conflito
judaico-islâmico entre os dois animais, já tive
comprovações suficientes, desde cedo, da boa
convivência entre cães e gatos que, aliás, é
o mais comum e natural! Deveria até nos causar inveja, a
convivência absolutamente pacífica e civilizada dos
bichos! Claro que isso é uma “idéia irracional”,
totalmente inconcebível para seres racionais e civilizados,
como nós...
E
vejam que não vejo muitas razões pra simpatizar com
cães! Não que os deteste, às vezes até
consigo gostar deles, não da mesma forma como gosto de gatos,
mas enfim... é que tive várias razões e aprendi
a não confiar inteiramente nos cachorros. Nunca! Uma vez, saía
eu do supermercado e passei por um cão solto na rua – porém
com coleira, o que pressupõe que ele teria um “dono”.
Simplesmente passei, não assobiei, não olhei
diretamente, não disse, não fiz nada... só
passei! E, por alguma razão, isso foi o que bastou para o
animal me atacar, uma razão só dele, imprevisível,
impensável, insondável e inexplicável, sob a
ótica simplista do instinto animal. Por sorte dele, o cão
só mordeu a barra da minha calça, não o
calcanhar, escapou de um pontapé e só ouviu os xingões
que lhe direcionei, nada mais. Não o marquei, até devo
ter passado por ele, outras vezes depois, não quis me
vingar... mas, dali em diante, comecei a achar mais prudente estar
prevenido. Passei a desconfiar automaticamente dos cães, de
qualquer cão!
Pode
ser apenas o instinto único, peculiar somente a nossa raça,
o da estupidez humana, mas enfim. Não confio nos cães,
só um pouco, talvez, enquanto estes são filhotes e não
adquiriram certos vícios e maus hábitos inerentes à
espécie e que alguns de nós simplesmente não
combatemos enquanto temos tempo, mas não acho isso suficiente
para justificar qualquer ato de crueldade, ou truculência para
com esses animais. Sei que o cara já foi até eliminado
do programa, talvez até por conta disso, mas o relato de
Dhomini, sobre o cão, do qual teria arrancado os dentes a
machadadas só demonstrou o nível da estupidez ao qual
um ser humano pode chegar. De uns tempos para cá, começo
a pensar que os boatos sobre os avanços evolutivos na nossa
espécie foram um tanto exagerados... ok, ele teria sido
mordido diversas vezes pelo animal, mas, já da primeira vez em
que foi mordido, poderia ter aprendido a não dar mais
confiança, a não marcar bobeira na frente daquele cão
em especial e de outros, no geral! Poderia saber se defender, sem ser
de forma demasiado agressiva! Poderia... mas a estupidez humana às
vezes fala mais alto, é fato!
Como
eu disse, o instinto mais forte em nós se chama estupidez! Até
por falta de um nome pior. O fato mais surreal que comprova a tese se
deu na última sexta-feira, em pleno terminal de passageiros do
Aeroporto Internacional Salgado Filho. Funcionários
incompetentes, ou mal-intencionados, não se sabe direito,
ainda, criaram um clima de instabilidade e quase provocaram pânico
nos passageiros, ao observarem um pacote e anunciarem que havia
suspeita de bomba. Chegaram ao cúmulo de acionarem a Polícia
Militar, que por sua vez acionou o grupo anti-bombas, que, por
“questão de segurança”, detonaram o pacote, em vez
de inspecioná-lo primeiro, para desencargo de consciência...
e só aí foram descobrir que nele havia... um gato! Um
gatinho, isso mesmo!! Por pura estupidez, ingênua, ou
proposital, viramos piada nacional!
Gato-bomba,
gato terrorista, gato suicida, ligado à Hezzboláh, ao
ETA, ou Al-Qaeda, teria invadido o aeroporto Salgado Filho, em Porto
Alegre! Passamos o ridículo só para alegrar meia dúzia
de imbecis que devem odiar gatos! “Mas o gato já estava
morto, mesmo!” Sim, eu ouvi esse tipo de “argumento”. CLARO!!
Com uma explosão daquelas, é incrível ainda ter
sobrado gato pra contar a história! Depois que fizeram a
cagada, tinham que dar um jeito de amenizar. Então, a versão
oficial ficou sendo a de que “puseram um gatinho morto numa caixa”.
Quem pôs e o porquê, pouco importa. Se foi uma
brincadeira de mau gosto, os responsáveis simplesmente não
serão punidos. Se foi o despreparo dos funcionários do
aeroporto, também melhor deixar quieto, vai que o dono do gato
dê pela falta e lembre-se de alguma coisa! A única
dúvida ficou sendo: como é que se confunde um gato –
vivo, ou morto – com uma bomba?? E a única certeza é
a de que a estupidez humana, simplesmente, não conhece
limites!!

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