PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Ruptura

Faltando 360 dias para o próximo Réveillon e a galera ainda falando em Ano Novo, Vida Nova. Galera fala em fim e começo de ciclos, mas não fazendo, efetivamente, essa mudança. Os únicos ciclos que se vêm por aí são os mesmos de sempre, primeiros entramos na vibe do Natal, todo mundo pensando na festa, na ceia, em trocar presentes, fazer amigo oculto, dar uma porcaria qualquer de lembrancinha para o(a) colega, com o(a) qual não se dá muito bem, depois reclamar que um(a) outro(a) colega nos faça a mesma “gentileza”. Depois seguem-se as outras vibes: Ano Novo, vida nova, sequer nos lembramos das nossas resoluções e promessas do réveillon anterior, lembramos de umas poucas, que não cumprimos, ou cumprimos só pela metade, não pesamos nem os prós, nem os contras, apenas concluímos, os mais otimistas, que “apesar dos pesares”, o ano foi bom, cumprimos com parte de nossas metas, de uma forma, ou de outra. Os mais pessimistas, obviamente, concluímos que o ano que finda foi péssimo, fizemos bem menos do que poderíamos, ou deveríamos ter feito, etc – não se engane, o pessimista não é o que se desculpa para si, mas sim o que cria grandes espectativas, que quando não se cumprem, desculpam-se aos outros, que além disso têm absoluta certeza de que são maus e talvez mereçam o pior, mas o mundo é cruel, que é cada um por si e Deus contra todos.
Você mesma, chegou esses dias, falou, falou, fez o balancete do último ano sob uma ótica benevolente, falou em planos, decidiu, por sua conta e risco, que foi bem, que o ano foi bom, que cumpriu metas, ou parte delas, falou no velho novo fator em sua vida, em novas espectativas, não muito diferentes das antigas, etc. Com o olhar de quem vê de fora, perceberia que cê só tá na vibe do réveillon! Ano começando, coisa e tal, você é um tanto ou quanto controladinha demais, planeja tudinho, se algo sair só um pouco do esquema, some do seu campo de visão, no fim do ano, mas na hora, é um terrível sinal! Nem se deu conta de que seu Ano Novo começou como no início do ano anterior, havia um “novo desafio”, havia um “novo fator de balançar o coração”, nada muito diferente deste início de 2013. Desculpe, não vimos assim, grandes mudanças, só as pequenas vibes de sempre – nas quais também já estivemos inseridos. Sacumé, daqui há uns dias, uma semana, no máximo, a vibe é a do carnaval, uns sonham com a Bahia, outros com o Rio de Janeiro, outros ainda com um lugar bem longe e os mais bem mal-humorados com um fim apocalíptico para essa folia toda. Você sabe, toda vibe de carnaval, sonho com o Carnaboi. Depois é a Páscoa, amigo doce, muito chocolate, garotada se empanturrando de doces, muito Sonrisal e sal de frutas, depois. Depois temos as vibes do Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças, Copa das Confederações (ou qualquer grande evento esportivo), e assim por diante, até o próximo Réveillon. É a vida, é assim, com a maioria! Valorizamos demais as pequenas mudanças, quase nunca planejadas, por isso vemos tão bem nossas pequenas grandes realizações e os outros não as veem.
Eu não vi grande realização alguma no ano que passou. De minha parte, eu digo. Realmente não fiz, desculpem, sinceramente! Das promessas que eu me fiz, nenhuma cumpri, das resoluções, nenhuma confirmou. Foi um ano ruim, foi um ano difícil... foi o fim do mundo! Essa foi minha pequena realização em 2012. Uma mudança de postura diante das situações, dos fatos, das coisas, dos relacionamentos, da política, da espiritualidade, da vida, enfim! Uma espécie de movimento de ruptura. Romper com algumas ideias que me atrasaram, romper com algumas pré-ocupações que me tiraram o sono, romper com certos hábitos recorrentes de procrastinar a vida, romper com certos hábitos recorrentes de procrastinar a vida, romper com um relacionamento que para mim é de um jeito, e para a outra, de um outro jeito diferente? Ou romper com a inquietação e a chateação que isso provoca? Ainda não sei... rompi com esse tipo de ocupação.
Não preciso de um fim do mundo no sentido literal. Entrei na vibe por uma opção minha, não por um medo supersticioso e irracional. Eu decidi fazer a ruptura com os velhos hábitos, com minha velha forma de pensar, aproveitei a data para romper com o velho mundo, causar o Armagedon no meu velho mundo. Meu ano novo começou já no dia 22 de dezembro de 2012. Não quer dizer que estou mais adiantado, de forma alguma! Essa foi a maior realização em mim, no ano que passou, e eu tenho a plena consciência do quanto ela é pequena! Essa é uma das resoluções para este ano que está começando. Para este novo mundo. Pra mim, é um novo mundo. Quero continuar a ruptura com todas velharias, quero começar algo novo, dentro de mim. Se é certo, ou errado, o tempo dirá. A estrada nova é longa e falta só ser pavimentada.

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