É...
a idéia era outra. Tínhamos outro texto pronto,
engatilhado, para postar aqui no blog. Como toda tragédia,
essa está sob a aura do imprevisto, então tivemos de
mudar os planos. É difícil, só se fala nesse
assunto, tudo quanto é blog está falando – bem melhor
que este, provavelmente – todas grandes redes de mídia já
esmiuçaram o incêndio que abalou todo o Rio Grande do
Sul, o Brasil e parece que também o mundo, já falaram
até além do necessário.
De
qualquer forma, um dos pontos principais do outro texto era um
pequeno traço, único na nossa espécie, o da
estupidez humana, e a tragédia de Santa Maria demonstrou bem
essa pequena idéia minha, essa crença na já
citada estupidez, pois ela realmente não parece conhecer
limites!
É
triste. É triste o fim trágico de tantos jovens que
foram apenas festejar e se divertir; é triste, foi triste,
está sendo triste, doentia, realmente mórbida e
perversa a cobertura que as grandes redes midiáticas deram e
ainda estão dando ao fato. É o melhor do pior da
estupidez humana em rádio, tv e internet. É a falta de
tato que vai além da mera gafe e desrespeita a dor das
famílias em rede nacional, mas... sempre prestando sua
“solidariedade”! O homem do Brasil Urgente e o
ex-senador/radialista que o digam...
Triste
a sucessão de erros, triste e vergonhoso que uma casa noturna
estivesse em pleno funcionamento sem alvará a ser expedido
pelo Corpo de Bombeiros, sem respeitar a todas especificações
de segurança, com material de isolamento acústico
barato e de qualidade duvidosa, com extintores de incêndio
vencidos e/ou descarregados, apenas para “dar o migué”,
quando viesse bater a fiscalização da Prefeitura...
que, por sua vez, permitia a uma casa noturna funcionar sem todos os
requisitos e normas de segurança, bem como os alvarás
de funcionamento em dia! Triste a falta de inteligência, de bom
senso e responsabilidade dos músicos, que faziam, e fizeram,
demonstrações e shows pirotécnicos, em um local
fechado, o que é expressamente proibido, pondo em risco não
só a sua, como as vidas de terceiros, a saber, seus fãs
e frequentadores da boate.
Triste
e estúpida a atitude sovina e gananciosa dos donos da casa,
permitindo ultrapassar a lotação da mesma, tendo em seu
estabelecimento apenas uma porta de entrada e saída, não
havendo nenhuma saída para emergências como a do último
domingo. Triste que tenham instruído seus seguranças a
somente deixar as pessoas saírem mediante comprovação
do pagamento da comanda, independente da situação. E
triste a estupidez tacanha de seguranças mal-preparados, que
apenas seguiram ordens sem questionar, que não foram capazes
de pensar segundo seu próprio julgamento, que quando viram o
pânico começar a se instaurar, não pensaram duas
vezes antes de trancar as portas de saída, nem para tentar
comunicar-se com os colegas e funcionários no interior da
boate, para ao menos inteirar-se do que estava acontecendo.
Triste,
muito triste, a gente agora conseguir pensar em mil maneiras de
evitar na tragédia, depois dela já ser fato consumado.
Muito triste ninguém ter tomado as providências para
prevenir e agora ter de buscar remediar, para possíveis casos
futuros. Muito triste ler nos jornais, ouvir nas rádios e nos
canais de tv o quão estúpidos parte dos envolvidos
puderam ser, quando poderiam ter evitado ao menos metade daquelas
mortes, quando, com simples gestos, teriam feito uma grande
diferença, agora. Quando poderiam ter evitado da gente estar
escrevendo este texto. Triste, muito triste, mais uma vez, pessoas
fazerem o jogo dos 7 erros de maneira fatal, pra tanta gente,
acarretando dor pra tantas famílias, pra, só agora, as
começarmos a espertar-nos, despertarmos no meio de um pesadelo
super-sensacionalista, para começarmos a questionar quanto aos
padrões de conduta em espetáculos, quanto ao uso de
pirotecnias em locais fechados – de forma séria – quanto à
eficácia das normas de segurança vigentes no país,
etc. Podíamos só ter discutido todos os assuntos que
foram suscitados no último domingo com bem menos dor no
coração. Santa Maria, rogai por nós...

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