PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Arrivals & Departures

Domingo de sol masseta e temperaturas agradáveis e eu fui no aeroporto ver os aviões decolar e aterrissar. Fui ver as pessoas partirem e chegarem, fui ver as pessoas se despedirem e recepcionarem os parentes e amigos que vieram, ou estavam indo pra longe. Cada avião que descia, eu imaginava de onde vinha, seus passageiros, por quê vinham para cá. Cada avião que subia, imaginava qual seria seu destino, arriscava uns palpites: "este vai para o Rio, aquele vai para São Paulo, o outro lá vai para Salvador, ou Fortaleza..." e o papagaio charão dentro de mim, balançava com alvoroço as asas e sussurrava: "tu bem que querias estar levantando voo num desses, né!"

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Mãos de Frankenstein

Minhas mãos, elas me apavoram. Elas são grandes, são feias, aparentam rudeza, aparentam rusticidade. Meus dedos não são longos, nem finos, nem compridos, são largos! Não tenho dedos curtos, pois não seriam proporcionais. Não tenho mãos para segurar a pena, escrevo de teimoso, tenho mãos é pra segurar uma pá, uma enxada, uma marreta... tenho mãos de pedreiro, mãos de boxeador, mãos de padeiro – pra socar bem a massa do pão, pra isso tenho boas mãos! Quem vê minhas mãos, não consegue imaginá-las fazendo um trabalho artesanal delicado, ou carinhando um gatinho, um cachorrinho. Não consigo imaginar uma garota imaginando minhas mãos a lhe acariciar o rosto, os cabelos, o corpo, etc. Tenho mãos é de verdugo, mãos de lutador de UFC, mãos que poriam medo no Spider. Eu mesmo tenho medo das minhas mãos! Não sei do que elas são capazes. Sobretudo no frio, sobretudo no inverno, elas me metem medo. Elas ficam geladas, ficam roxas, parecem grandes mãos de defunto, de mordomo de filme de terror, parecem, sei lá... mãos de Frankenstein!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Vinte Dias dos Pais

Amanhã é domingo, é Dia dos Pais. O vigésimo! Já fazem 20 anos! Parece que o vi ainda ontem. Parece até que não faz muito tempo, ele me criticou por minhas posições políticas, tão revolucionárias, tão conservadoras e tão radicais. Parece que foi no meu último aniversário que ele me deu aquele exemplar de “Aventuras de Tibicuera”, do Érico Veríssimo. Na verdade, eu devia ter uns 11, 12 anos, quando ele me presenteou com esse livro, que li e reli, várias vezes depois. “20 Mil Léguas Submarinas” e “As Aventuras de Tibicuera” foram minhas portas de entrada para o mundo dos livros, para o gosto pela literatura.
Sim, já fazem 20 anos... nem parece que fazem tantos anos, desde que fomos pela primeira vez ao cinema. Ou desde a última vez que ele nos levou para passar as férias na praia, em Floripa. Já se vão vinte... vinte dias dos pais sem o meu, sem ele por aqui. Parece que foi ontem, a nossa última briga, antes da madrugada em que ele sofreu o segundo e fulminante infarto. Parece que ele não levou mágoas ao desencarnar. Ele me visitou em alguns sonhos, depois daquilo. Me ofereceu bons conselhos, me deu boas idéias para um conto, um poema, um texto... tantas e tantas vezes! Me deu conselhos amorosos. Em um sonho que tive pela primeira vez com ela, foi ele quem me fez perceber, enfim, que tinha me apaixonado. Ele foi quem me disse pra arriscar e persistir, “caso valesse a pena”.
Vinte anos sem ele, imagine. Vinte Dias dos Pais sem meu pai. Parece incrível...! ele, ainda assim, continua sendo meu guia, meu melhor amigo. Vinte anos sem sua presença física e nem parece que ele esteve, sequer um dia, longe!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

De Conchinha

Eu só queria... eu gostaria... ah! Como dizer...?! Não sei escolher as palavras certas.
É que, neste momento, eu só queria... é que eu desejaria... eu gostaria... ah! Como é difícil!!
O que eu queria fazer... o que quero te dizer é... eu gostaria... queria ser... bem...
Queria ser, neste instante, a tua concha, a tua ostra, tua vieira, quem sabe, o teu marisco da pedra, ou da areia, do mar, ou do rio-mar, talvez... queria mesmo que você fosse minha jóia, meu tesouro, meu relicário, minha pérola negra, talvez, quem sabe... queria mantê-la aconchegada, segura, protegida.
Queria, neste momento, talvez, estar cheirando teu cabelo, deitado, com você ressonando nos meus braços... queria dormir de conchinha com você. Só não sei como dizer isto...

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Besta Romântico

Peço desculpas. Sim, eu assumo, sou mesmo um cara romântico, não tenho como negar. E nem acho que isso seja motivo de orgulho!
Porque é fato, cê tem que ser tolo, tem que ser muito leso, pra ser romântico, num mundo de fanfarrões.
Me finjo, ou me sinto um pouco poeta, recorto e colo, na minha mente, na linha do tempo, na linha da vida da palma de minha mão, frases e textos, e sentenças sentimentais, às vezes, tenho lampejos e crio as minhas próprias sentimentalidades, da minha própria verve, da minha própria lavra.
Pra ser romântico o cara tem que ter perdido o senso de ridículo, não temer soar brega, expor sem medo sentimentos, ideias, desejos, pensamentos tolos, pieguices. Romântico é tímido, digo isso porque eu sou tímido, mas não conheci ninguém romântico(a) e “descolado(a)”. Sei ser zueiro, travestido no meu personagem topetudo, principalmente, mas não sei ser boçal. Não existe ninguém romântico(a) que seja fanfarrão e boçal!
Romântico não tem muito senso de realidade, romântico é sonhador demais. Ser realista, parece, é meio incompatível com romantismo. Uma coisa é tentar forçar a realidade, fingir que a ignora. Romântico apenas não a percebe, se recusa a aceitá-la, às vezes.
Por exemplo: não vejo sentido nisso, não tenho como crer que seja possível, me recuso a crer que não deva desejar, querer (alguém como) você. Não consigo ver empecilho. Me recuso, terminantemente, a aceitar que não mereça (alguém como) você, que não mereça ter/fazer parte da vida de alguém (como você). Não consigo ver nada de errado em desejar ter uma boa voz, algum talento em tocar um instrumento, pra fazer uma serenata, cantar-lhe alguma canção romântica. Não vejo o que há de errado em desejar esquentar seus pés nas noites de frio, desejar ser sua concha, lhe abrigar no meu abraço, ou debaixo do meu iglu, ser seu Porto Seguro, balançar na rede e molhar os pés no mar ao seu lado. Não encontro nenhum problema em querer completar as suas músicas! Eu sei, é um defeito muito grave...
Romântico não pensa, diz o que lhe vem, deixa pra se arrepender depois. Seria, sim, mais fácil 'dar pedradas' e, se não dessem certo, dar risinhos, pra não deixar um clima tenso. Coisas de fanfarrões, no entanto, não de românticos. Não consigo ver graça nisso. Se gosto, gosto, tenho de dizer, pra todos ouvirem, verem. Gosto de flores, de oferecer canções, de namorar sorrisos, mesmo de longe... de admirar sua aparência, seus gostos, suas músicas e filmes favoritos... de dizer estas sentimentalidades num texto, de jogar palavras ao vento, na esperança de que você as pegue no ar, que te façam, pelo menos, sorrir, quem sabe algumas guardar para si...
Romântico tem que ser esperançoso, e também teimoso. Romântico pode não saber definir o que sente, se você der uma definição para aquilo, ele dará de ombros e dirá, “seja o que for, que seja, então”.
Pois é, eu sei, posso estar errado em ser assim, este é meu maior defeito. Peço desculpas, mas na verdade, até que gosto.