PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Pegar o Bonde Andando

Lembrei de uma velha expressão, que hoje em dia não é assim, mais tão utilizada: “pega o bonde andando e quer ficar na janelinha”. Os antigos ainda falam, de vez em quando. Eles também não a tem usado mais com tanta frequência. Acho que pensam não fazer mais sentido, nos dias de hoje. Nem mesmo no Rio de Janeiro, último lugar a ainda manter linhas de bondes, parece que, hoje em dia, só para levar turistas a passear pelo centro histórico... até descarrilar um, há uns meses, e a prefeitura, o governo do Estado, ou qualquer autoridade competente, interditar, por falta de segurança.
Bem, meu pai dizia que andava de bonde, pra cima e pra baixo, em Porto Alegre, no tempo em que era jovem, para ir à escola, depois, para a faculdade e por fim, antes de acabarem de vez, para chegar no trabalho. Ele lembrava que teve um tempo, em que o bonde não tinha, exatamente, paradas, como têm os ônibus, que ele circulava direto, do ponto de partida até o ponto final, e que então, você tinha que correr, pra pegá-lo andando, literalmente. Portanto, presume-se que, quem pegava o bonde do seu ponto de partida tinha melhor chance de pegar um acento ao lado da janela e ia, bem acomodado, apreciando a paisagem, durante a viagem, ao contrário de quem o pegava a partir do meio do itinerário, por exemplo. É de se imaginar, então, que para algumas pessoas, como papai, essa expressão era plena de significado, fazia todo sentido! Já pra gente, hoje em dia...
Bom, pra quem nunca andou de bonde, aí estão as redes sociais, pra nos dar aquela impressão de... como vou dizer...? Estar pegando o bonde andando! No twitter, principalmente, a gente pode ter essa impressão, ao ler um “reply”, ou retuíte. É como se você pegasse um debate pela metade e não soubesse bem qual é o assunto que está sendo tratado! Alguns tuítes soltos já nos deixam com uma pulga atrás da orelha, às vezes... tanto que, dia desses, uma amiga tuitou mais ou menos o seguinte: “têm coisas aqui, que não entendo e prefiro não entender... é melhor!” Bem, dizem que, nas redes sociais, indiretas voam como balas em um tiroteio. As frases soltas são, geralmente, as mais perigosas. Nem sempre são indiretas, são mais como alguma idéia, que passa por sua cabeça e você, então, a tuíta, ou compartilha, no Face, é mais ou menos o ato de pensar em voz alta... quem nunca?!
Quando você solta uma frase, sem muita pretensão, a não ser, quem sabe, chamar a atenção daquela pessoa na qual você tem pensado muito, ultimamente, dificilmente corre o risco de ter a atenção pretendida, mas corre sério risco de alguém entender aquilo errado. O contrário também ocorre, portanto não se assuste! Todos os dias, quando entramos nas redes sociais e sites de relacionamento – usando uma linguagem mais, ahn, jornalística – estamos todos pegando um bonde andando, descendo a ladeira e prestes a descarrilar. E, em raríssimas ocasiões, poderemos pegar o lugar perto da janelinha!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A Mesma Velha História

Eles estão insistindo na velha mentira. Eles argumentam com as mesmas velhas ideias requentadas a cada dois anos. Votar nulo é votar errado. O voto nulo é inútil, o voto nulo e o voto em branco não servem para nada. Voto nulo não pode mudar o panorama da política, não pode influenciar nos rumos de uma eleição. É o que todos eles dizem e você repete, sem sequer se dar conta, sem nem pensar muito a respeito. Alguém disse que pensar não é um exercício muito saudável, mesmo.
Ok, então, suponhamos que esteja certo isso de o voto em branco e o voto nulo não valerem, então por que eles se preocupam tanto com isso? Por que eles vêm de dois em dois anos reforçar a mensagem, se não tem valor algum? Pra que essas campanhas massivas em jornais, rádios, televisão e redes sociais, pela importância do que consideram “voto válido”?! Me convença, ou pelo menos tente, que votar no Tiririca foi uma forma muito melhor de “protestar” contra o Sistema do que os votos em branco e nulo! Prove-me, se realmente puder, que escolher um candidato qualquer, a despeito das próprias crenças e ideologia, ou votar no “menos pior” de dois, com cujos os quais nenhum dos discursos você se afina, estará mudando, de forma substancial, o jeito de se fazer política por essas bandas. Me diga como se faz para escolher um candidato melhor nas cidades onde há um só candidato! Imagine que loucura, se houvesse um candidato único à prefeitura do seu município, ou ao governo do seu Estado... qual é a sua alternativa, se você não concordar que aquele deva ser o seu representante, ou o administrador da sua comunidade? Votar naquele candidato único, porque, né, não tem outro jeito?! É isso mesmo?! É esse o jeito?? Não há outro?? Não, digo que não é, do contrário, a urna eletrônica nem teria o botão para voto em branco!
De minha parte, ainda não decidi o meu voto. Estivesse em outro lugar, no lugar onde há candidatos a quem ainda creio ser possível depositar um pingo, que seja, da minha confiança, já estaria meio decidido. Pelo menos o vereador já estaria certo, já teria meu voto garantido. Quanto ao candidato a prefeito, ainda estaria decidindo, por um ou por outro. Mas aqui... aqui, dos cinco candidatos, tenho pensado, talvez um, só um, possa servir. O atual prefeito só criou cabides de emprego, para privilegiar os amigos e gente da sua base aliada; a “obra” mais importante, na administração do prefeito anterior foi ter levado o Sapucaiense, time de futebol da cidade, à elite... do Campeonato Gaúcho!! E nada mais!! Tem ainda um candidato que foi citado, um mês atrás, numa reportagem-denúncia transmitida para todo o país, sobre funcionários fantasmas na ALE-RS. Há mais um candidato, ao qual nem vale a pena citar aqui, muito embora minha simpatia pelo partido ao qual pertence. Resta, então, esse candidato, que, até onde sei, não tem nada a pesar sobre sua candidatura, nada de irregular, ou suspeito, do qual ainda tive algumas boas referências. Só que, para depositar-lhe o meu pingo de confiança, precisaria conhecer-lhe as propostas, ver quais são factíveis, quais seriam apenas falaciosas, ou artifícios para angariar votos.
       Caso contrário, o voto nulo e o voto branco continuam sendo meu direito e minha prerrogativa e, na ausência de políticos razoavelmente sérios, não terei receio de usá-la.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Em Hibernação

Não mais era esperado, e por isso mesmo ele voltou com força, de com tudo, com ventos e muita chuva. O infernal inverno parecia que já tinha ido embora, as árvores do parque Farroupilha já estão completamente floridas, flores de todas as cores, rosadas, amarelas, azuis, lilases, brancas... enfim! O calor já era quase de verão, nos finais de semana já estávamos desejosos de pegar uma praia.
Só que veio o vento, as nuvens carregadas e cinzentas, chegando da banda oriental do Uruguai, o sábado amanheceu muito úmido, muito feio e frio. A chuva caiu torrencialmente desde o amanhecer até à noite e continuou assim por todo o domingo. Com chuva e frio, sem muito pila nos bolsos, o convite para a preguiça e o sono é praticamente irresistível, não nos resta muito a fazer a não ser se encasular sob mantas e cobertores, numa caverna escura e funda, a que chamamos de quarto e, enquanto esperamos a chuva passar e, quem sabe, o verãozinho retornar, hiberna-se.
E enquanto hiberna, ele viaja. Passeia por estranhas versões deste nosso mundinho. Volta por uns instantes para sua casa e vê os digníssimos governantes, em algum evento oficial, para inaugurar, com toda pompa e circunstância, um novo projeto na Ponta do Eymael. “Mas... por que na Ponta do Eymael?”, ele se pergunta. “E não seria Ponta do ISMAEL?!” Ele, pelo menos, ouvia chamarem assim...
Depois, subia a ladeira, no avançado da noite, entre a estação de metrô do Centro e a da avenida Louis Pasteur, para encontrar uma pessoa conhecida...(?) não encontrando o que havia ido procurar, voltava, em pleno dia, pedalando perigosamente por entre os carros, em meio a um trânsito pesado, ao qual não se lembra de estar habituado, passando por prédios dos quais não tem certeza se conhece, descendo a ladeira de volta, sentindo-se desconfortável com a sensação de que aquela ladeira sequer deveria existir.
Depois, ele ia a um restaurante elegante, vestido igualmente elegante, para encontrar com você, com a bela morena por quem ele se perde, de vez em quando. Ou será que estão na praça de alimentação daquele shopping, em frente ao qual vocês se viram uma vez? Bom, tanto faz, na verdade ele tem alguma noção de que, na verdade, ainda está na sua caverna escura, encapsulado nas suas cobertas, hibernando e sentindo os pés gelados, mesmo com os dois pares de meias. Ele até tem a impressão de ter já escrito isso, em algum lugar!
O frio ainda não foi de todo embora, a chuva ainda cai pesada, lá fora, mas o fim de semana, enfim, se acabou e ele tem de levantar-se, então ele acorda. Sentindo-se estranho, por estar ali, por ter sentido como real tudo aquilo que ele viu durante a sua hibernação. E o que será sonho, o que será real? Ou poderia mesmo ele ter se transportado para outros mundos, durante aquele final de semana? A gente se pergunta, se ficamos o tempo todo dentro da caverna, ou se realmente perambulamos por ruas e lugares que nos pareceram familiares e ao mesmo tempo desconhecidos. O que é sonho, mesmo, e o que é real? A gente se pergunta... e imagina, para onde vão nos levar, na próxima hibernação.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Saber, eu sei...

Eu sei exatamente o que quero, só não sei como chegar lá. Talvez ninguém saiba direito. Não sei bem como falar, não sei bem o que lhe falar. Escrevo porque, às vezes, me parece mais fácil colocar no papel o que me vai pela cabeça, essas maluquices todas aí, o que vai pelo coração.
Vejo fotos de belas paisagens, clipes musicais, onde aparecem aeroportos, pessoas pegando a estrada, se despedindo, se reencontrando e sinto uma vontade doida, eu quero, tenho a sensação de que preciso estar lá, preciso viajar, ver outros portos, outras pessoas, mudar de ares, voltar pra casa, aquele velho lugar, onde tive alegrias e dissabores, mas que sinto em meu coração que é meu lugar.
Ouço uma música e ela fica gravada na minha mente, fica tocando em looping contínuo, cantarolo aquela estrofe, porque me faz pensar em você, te quero em meu mundo, quero um cantinho no teu... eu sei, é confuso, sim!
Eu quero dormir, os olhos pesam, quase como se a noite anterior eu não tivesse dormido. Quero dormir, pelo tempo que for, quero dormir até te reencontrar, até achar uma forma de ir até você, quero dormir para poder sonhar e quero sonhar só se for com você!
Passo horas olhando fotos, passo boa parte do meu dia pensando no que dizer, depois que digo, me sinto um tonto, acho que poderia ter dito algo melhor. Olho os contornos e imagino o que queria fazer, beijar e acariciar o tragus da tua orelha... sim, eu sei que não devo. Ou será que devo?!
Quero agora te fazer um agrado, te fazer sorrir, te fazer todas as vontades, estar por perto, ser menos complexo – ou me sentir menos assim, confuso – não me sentir mais incompleto, não ter dias incompletos, quando não te vejo, ouvir Scracho na tua voz e, quem sabe, fazer um dueto contigo. Quero viajar, te levar, nem que seja na saudade, virar o mundo de cabeça pra baixo ao teu lado. Quero te fazer um jantar, um almoço e o café da manhã, te encontrar pra um cinema, ir ao show com você, filmar e botar no Youtube. Quero não fazer mais nenhum sentido, só quero alguns desejos atendidos, atender alguns outros, tipo gênio de Alladin, quero teu sorriso, não importando se sou eu o motivo. Sim, é só isso que quero, só isso que peço, todas as noites, a essa força cósmica, a Deus. Sei bem o que quero, só não sei direito é como faço pra conseguir!

Será que Esquecemos de Alguma Coisa...?

Sim, sim, tô sabendo... os Jogos Olímpicos já terminaram, teve festa de encerramento e tudo, com as Spice Aunties mostrando que ainda batem um bolão e tals. Já faz umas duas semanas, mais ou menos. Uns dois meses antes dos Jogos, as expectativas quanto a chances de medalhas por parte da delegação brasileira eram imensas, alimentadas exacerbadamente por uma certa rede de tv. Muito justo, já que nossos atletas são todos os mais bem-preparados, pela própria vida que levam, mas nunca antes, na história deste país, tivemos tantos atletas de ponta, nem se investiu tanto no esporte brasileiro... e por aí vai! Ah e nem se fez, jamais, uma transmissão da Olimpíada como foi essa de Londres, tão completa, tão emocionante, tão, tão... ah, sei lá, são tantos adjetivos para qualificar! Só a conhecida rede de tv, ligada a uma certa igreja, poderia fazer tão bem a transmissão de um evento tão importante.
Enfim, encerrou-se mais uma Olimpíada, mais expectativas foram frustradas, principalmente pra você, que acreditava no futebol da seleção do Mano (eu não o considero técnico pra seleção brasileira e ademais, acho que deviam separar e preparar uma seleção olímpica, independente da seleção pra Copa do Mundo). Algumas críticas aos atletas se fizeram ouvir, algumas soaram injustas, evidenciando que, bem... a despeito de uma certa inveja, por parte de outras grandes redes midiáticas, ficou demonstrado que o investimento, feito pelo governo e autarquias públicas federais foi mais em propaganda que nos atletas, em si. Ou, quem sabe, esqueceram de avisá-los, não é?! Quem sabe, quem sabe! Enfim, sabe-se lá por quê, nem todo mundo sabe que as Olimpíadas não se resumem ao futebol, vôlei, basquete, atletismo e natação! Menos ainda que, tirando os dois – talvez os três – primeiros esportes citados, no Brasil não existe um investimento tão grande em outros esportes menos conhecidos e divulgados, também pouquíssimos incentivados. A maioria das pessoas não fazemos ideia do quanto custa, para um Esquiva Falcão, ou uma Fabiana Murer, participar de uma Olimpíada, como a de Londres. Geralmente, os custos são bancados pelos próprios atletas – sim, amigo, tem esportista que paga do próprio bolso pra representar nosso país em competições internacionais como esta.
Ok, enfim, mas os Jogos Olímpicos já se acabaram, já estão todos de volta em casa, discutimos um pouco a importância de mais incentivo para o esporte, a fim de formar atletas de ponta, melhorar nossa colocação no quadro de medalhas das próximas competições, coisa e tal, passa uma semaninha e esquecemos do assunto por mais uns quatro anos. E não se fala mais nisso! Mas... espere um instante... espera só um pouquinho... ninguém tá falando nada! Ou será só impressão?! Bem, mas... há uns quatro anos, você se lembra...? Não, que me lembre, nenhum canal chegou a transmitir as competições, mas chegaram a mencionar alguma coisa... sim, divulgaram, sim, alguns resultados, a colocação do Brasil no quadro de medalhas, etc. Não tinha tido uma Para-olimpíada em Beijing, cidade-sede dos Jogos Olímpicos anteriores a esses que houveram em Londres?! Será que este ano não teve, não rolou? Ou nossos atletas nem foram, desta vez?! Porque, né... bom, mas que se saiba, já faz alguns anos que há Olimpíadas e, logo em seguida, as Para-olimpíadas! E, se rolaram jogos para-olímpicos, por que não sai uma linha nos jornais, sobre o assunto? Por que a rede de mídia oficial dos Jogos Olímpicos no Brasil não tem nem divulgado o quadro de medalhas? Onde estão nossos destaques? Em 2008 ainda chegaram a apresentar alguns, teve aquele menino, que sofria de uma deficiência mental, ou psicomotora, que tinha trazido algumas medalhas de ouro, na natação para-olímpica. Ou estarei equivocado...? Ele não apareceu naquele programa dominical de esportes, de uma rede de tevê carioca, ou no programa matinal da apresentadora Ana Maria Braga?! Sei lá, pensei...
Bom, enfim, de qualquer forma, seja qual for o motivo para não se divulgar ao menos os resultados – o que, a meu ver, é um desrespeito maior do que aos esportistas “convencionais” que, se esses já não têm muito incentivo, imagine para um para-atleta, que, além da já patente falta de interesse e incentivo, tanto por parte do poder público, como por parte da iniciativa privada, além sofre com a falta de acessibilidade, dentre outros problemas! Ok, ok, isso não é considerado importante, mesmo, quê que a gente tem que ficar aqui falando? Tudo foi lindo e maravilhoso, em Londres, será ainda mais lindo na nossa casa, bora parar de reclamar, então! Acho que só eu senti falta dos para-atletas, mesmo... mas tudo bem, deixa pra lá, agora vem eleição e Copa do Mundo, vamos enterrar o assunto e deixá-lo dormindo por mais quatro anos, como sempre! E segue o barco!