Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Desconstruindo a Descrença
Difícil crer nas suas idéias... porque, desde que te conheço, você mente. Para que faz isso? Não importa, você faz. Veja como soamos imbecis, quando estamos apaixonados. Estou te dizendo como se você não soubesse, porque, bem, me parece bastante improvável que você algum dia, na vida, tenha se apaixonado de verdade. Não tenho conseguido te imaginar apaixonada, ultimamente. Pois eu sei o quanto fico imbecil, quando estou apaixonado, pois eu mesmo já me apaixonei várias vezes, inclusive por você. Maior burrice da minha vida, tê-lo dito a você... se nada tivesse dito, você não poderia se aproveitar disso, não teria como brincar com meus sentimentos, como sempre brincou, desde que veio a saber. O problema nunca fui eu. E o problema nunca foi você, também. Não é engraçado, isso? Não lhe parece incrível que todos os empecilhos pra termos qualquer envolvimento mais profundo fossem de ordem externa? Quer dizer: não, eu não era nenhum ser asqueroso, eu era perfeitamente um cara legal e interessante, intelectualmente bastante atraente pra qualquer garota! Pra você também? Bom... nunca foi dito isso claramente, mas sim, lembro de ter-se insinuado algo assim, de maneira positiva. Pois bem: então o que aconteceu, qual foi o problema? Afinal, não era eu o problema. Insinuou-se SIM que, se houvesse qualquer demonstração de interesse de minha parte, seria mais ou menos mútua, ou seja, você também demonstraria alguma coisa, de sua parte. Pois bem, procurei demonstrar de diversos modos, a princípio não falei com todas as letras, mas fui da tentativa mais sutil a mais grosseira e óbvia de demonstrar qualquer interesse por você, de uma forma mais profunda, até que me vi forçado a dizer com todas as letras que me encontrava estupidamente apaixonado por você! Sim, pois você me viu demonstrar de todas as formas o que sentia, mas “era muito tapada” pra perceber certas coisas que “estavam bem embaixo do teu nariz”! Foi mais uma mentira que você me contou... e eu sorri, extasiado, te imaginando como uma garotinha ingênua e doce que NÃO ERA! Sim, eu ACREDITEI em você. Como em todas as outras vezes, nena... você não sabe como lamento... sabe sim! Estou só sendo sarcástico! Você sabe que lamento, e se regozija com isso! Depois é que começaram os malditos empecilhos. Por mim, não havia problema nenhum para termos um envolvimento mais profundo. Por você, também não. Era o que você insinuava! Não dizia, porque não seria verdade, mas insinuava, me dava, SIM, falsas esperanças. Mas aí, de primeiro, você não poderia corresponder a meus sentimentos, nem tentar nada no rumo de um relacionamento mais romântico, pois você “já estava com alguém”. Tudo bem, eu acreditei e aceitei que esse era um obstáculo bastante grande. Já naquele tempo, amor, você contava as piadas do “amor inabalável”, “amor de sonhos”, “amor perfeito”, “amor verdadeiro”, “amor da tua vida”, ou como quer que você o chame agora. São todos chavões conhecidos e que não querem dizer nada – principalmente no que diz respeito a TEUS sentimentos. Não acredito em sentimentos envolvidos nesses chavões e clichês, quando você os usa. Depois veio a doença grave. Você estava com um imenso medo de morrer e achava que não viveria o bastante para se envolver bastante profundamente com quem quer que fosse. Mais uma vez, o problema não era eu, tampouco era você, quer dizer, era uma enfermidade terrível e mortal, os médicos já te haviam desenganado, você então “sentiu a necessidade de se isolar e permanecer distante de todos amigos e qualquer relacionamento mais profundo, até mesmo romântico”! Uma amiga havia me alertado sobre isso, querida. Mas eu acreditei em você! Aceitei que poderia, realmente, ser uma situação muito difícil de se administrar, tentei me colocar em teu lugar, tentei admitir que poderia ser um problema real pelo qual estivesse passando. Não queria admitir que fosse mais uma falácia tua. Hoje, tenho quase certeza de que não passou de um embuste. Você “superou” a “enfermidade fatal”, não tinha mais nenhum “dono” do teu coração, aí, bem, já que pairava ainda no ar a insinuação de que o interesse que eu tinha por você poderia ser mútuo... podíamos ter tentado, correto? ERRADO! Fui burro de acreditar nas falsas esperanças que você me dava! Sempre e completamente burro! Acreditei que, num dia qualquer, não tendo coisa melhor pra fazer, você “pensou em mim”... acreditei que você chegou, realmente, a cogitar jogar tudo pro ar, mudar radicalmente de vida, afastar-se dos conhecidos no Norte e vir para onde eu estava, ou seja, no Sul, para tentar, a meu lado, algo diferente pra tua vida. Tentar, quem sabe, ver se não era eu o “amor sonhado”... ou, quem sabe, “apenas fazer companhia” um ao outro. Eu acreditei e senti que, talvez, minhas esperanças não fossem assim tão infundadas. Sim, você pensou em mim... eu acreditei nessa imensa besteira! Fui idiota, do jeito que você gosta! No que se refere a você, mesmo a esperança de que seja menos calculista e cretina é infundada! Só tenho acreditado em todas as besteiras que você diz, sem questionar, sem pensar muito a respeito. Veja, estava apaixonado por você. E veja o quanto nos sentimos idiotas, quando a paixão acaba e percebemos aquilo que sempre esteve debaixo de nossos narizes. Sim, isso parece chavão, mas você sabe que é verdadeiro, que é bem assim. Fui idiota o bastante para nunca lhe mentir. Sempre que senti algo por você, fui verdadeiro. Sempre que imaginei situações agradáveis contigo, dividi tais sonhos, afinal... você insinuou que também te agradariam! Podia ter dito, desde o início, que não ia rolar, que por você, não tinha a menor condição, mas em vez disso, preferiu usar meus sentimentos CONTRA mim. Agora, eu acreditei foi em mim mesmo. Achei que não importaria quantas mentiras contasse, que eu estava vacinado, que não correria mais o risco de sentir-me mal por ter você por perto! Não deveria crer nem em mim mesmo. Não estava preparado pra ter com você um relacionamento de amizade cínica, como tenho com uma ex-namorada, de quem já te falei. Minha vida é como a série do doutor House, eu queria mesmo ser como o personagem principal, porém sou mais como o melhor amigo do personagem principal, sempre inclinado a confiar nas pessoas, a crer que sempre tem que se dar uma chance para que as pessoas demonstrem o melhor de si – o que quase nunca acontece! Agora, estou pela milésima vez remoendo tuas mentiras. Não é que eu não queira crer em você, é que não consigo. Toda vez que me lembro de todas esses falsos entraves para estarmos juntos, ou tentarmos, sei que você não consegue ser sincera em praticamente nada que diz. Nem mesmo quando quer estar sendo sincera! Veja o exemplo desse novo “amor pra toda vida”... o que ele tem de melhor que eu? Nada. E, no entanto, você não podia tentar comigo o que tem tentado ter com ele. Não te soa estranho? Não te soaria estranho, se fosse com você? Pra que parar pra pensar nisso, não é mesmo!? Ah, mas e o que esse tem de melhor que os outros? Também nada, não é? Sim, pois desde que te conheço, todos os outros a quem deu preferência, MESMO SABENDO O QUE EU SENTIA POR VOCÊ, e pior, MESMO TENDO DADO A ENTENDER QUE O INTERESSE NÃO SERIA VIA DE MÃO ÚNICA!, eram os “amores da tua vida”. Incrível como você se envolve com certos sujeitos tão forte assim, né!? Sempre se enganando... quem te garante que desta vez não está se enganando novamente? Bom, como disse, já aprendi a reconhecer certos traços de comportamento teus, certas atitudes um tanto duvidosas... não creio muito, mas também não duvido que talvez você esteja, realmente, querendo crer que desta vez está arriscando de verdade, está mesmo se enganando que tua felicidade pessoal depende desse cara. Quanto mais você diz que é muito feliz a seu lado, que enfim ele é quem tem que ser o homem da tua vida, o amor “tão sonhado e almejado” – sério, já te falei, não acredito que você ALGUM DIA tenha almejado por isso – mais isto significa que você SABE que não está dando certo, nem ao menos sendo metade do que esperava. Perdi o sono trocentas vezes – mentira, foram só umas duas, mas só o fato de ter perdido noites de sono pensando nisso prova o quanto sou ridículo – tentando descobrir por que, afinal de contas, você veio atrás de mim, quis retomar contato, veio mentir-me que “sentia muito minha falta”. Justo quando eu não pensava mais em você, justo quando eu já estava me sentindo novamente bem! E não, isso não é mentira, a sensação de que estava melhor sem você ainda perdura... sei agora que o que te fazia falta em mim era meu amor por você, extremado, desesperado, esperançoso, ao mesmo tempo, desmedido, desmesurado... o outro não tem te dado isso! Você quer ter com ele, enfim, algo de verdade, você QUER sentir o que diz sentir, MESMO não sentindo. Ele não se importa tanto com isso, ele provavelmente não tem por você demonstrações de carinho que você, racionalmente, esperaria. Você tem que reforçar, o tempo todo, o quanto ele “te faz bem”, o quanto você o “ama”, quanto “almejou” um “amor” como o dele... eu sei, é horrível conviver com uma mentira... é péssimo tentar se convencer daquilo. Sei que você quer duas coisas, com suas frases capciosas no messenger: uma, se convencer que aquilo que é dito também é sentido; a outra, me deixar mal, me fazer ficar enciumado e triste por não estar no lugar dele, te dando certamente mais que ele consegue dar. Não há porque negar. Não há porque tentar responder. Não vou acreditar em você, nem ao menos quero saber. Se você está infeliz, mas insiste em que eu não me aproxime, nada posso fazer por você. Se quer se forçar a crer que está feliz, você que sabe, por mim, tanto faz. Se está feliz, eu também estou... não, é clichê e não tô afim de mentir. Não preciso! Não faz a menor diferença! Veja, estou tentando me tornar House, querida. Gosto de você, não quer dizer que tenha deixado de gostar... só não quero gostar, só FINGIR, conscientemente, que gosto... não dar nenhuma importância, nem me preocupar com você. Se não tiver uma boa dose de cinismo, não conseguirei ficar bem apesar de você, não conseguirei conviver com você sem que me atinja. Pense bem... talvez você goste menos de mim fingindo gostar de você, sempre com uma boa dose de sarcasmo, e sem nenhum interesse mais profundo em teu bem-estar, do que desesperada e entristecidamente me preocupando com você e sofrendo por não estar com você! Sinto muito, mas preciso viver primeiro minha própria vida, antes que você acabe com ela, depois talvez possa perder tempo com a merda que você faz com a tua!
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário