Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Viagens Surreais
Se disser que sou lunático, não estará dizendo nenhuma novidade. Nem será a primeira pessoa que me diz isso, tampouco a última. Então não fique se sentindo! Pois bem, acredito em coisas, não sei nem se porque tenho alguma predileção pela ficção científica, ou se tenho algum interesse, mesmo que praticamente pífio, por física quântica, pelo senso comum, nem se falam muito – que dirá crer-se! Acredito em vida após a morte. De certa forma, é um ponto pacífico, a maioria das pessoas crê, ou pelo menos diz crer que venha algo após esta vida, neste mundinho minúsculo e azul no meio da galáxia. Mas não é nisso que estou falando agora. Até sinto que a velha mania de me distrair com outras coisas e estender-me por assuntos que não são o que quero desconstruir está voltando. Bom, a física quântica fala em variáveis que não podem ser calculadas, mas que assim mesmo podem existir – e não sei porquê, adoro essa idéia – várias possibilidades, várias linhas temporais possíveis, várias dimensões paralelas. Sim, eu acredito em dimensões paralelas, e já falei a respeito disso em outro texto. Ou não, depende em que dimensão você se encontra! Isso quer dizer que podemos ter várias versões de nós mesmos, em várias versões deste nosso mesmo mundo, ou ainda, essas várias versões nossas podem estar em linhas temporais paralelas. E é aí que entro em outra seara, a da viagem temporal. Na prática, é algo que parece impossível, mas na teoria, é provável. Sabe, The One, com Jet Li e Efeito Borboleta, com Ashton Kutcher? São dois filmes que adoro, não exatamente pela história, mas pela temática: dimensões paralelas, viagens no tempo, linhas temporais paralelas, etc. Sim, certo, é um assunto que fascina, mas mais do que isso, pra mim é algo perfeitamente crível! Não só isso, como eu gostaria muito que fosse possível. Toda vez que relembro algum fato do meu passado, mais recente, ou mais antigo, tanto faz, eu penso no que poderia ter sido diferente, ou então há alguns momentos que eu gostaria que se repetissem, gostaria de voltar para vivenciá-los ao menos mais uma vez. Outros momentos, gostaria que nunca tivessem acontecido, ou então que ocorressem de outra forma, quer dizer: se houvesse alguma forma de voltar e modificar uma coisinha, por mínima que fosse... com certeza, teria sido diferente, e o agora mesmo também estaria diferente, muito ou pouco, não importa! Queria ainda estar morando em Manaus, agora, neste instante... queria não ter deixado a faculdade... queria ter flertado mais com aquela garota do curso de dança, na Faculdade de Artes e Turismo... às vezes queria nunca ter conhecido a querida rondoniense que só me faz mal, toda vez que nos “vemos”... e por aí vai! Pois na manhã de ontem acordei com a nítida impressão de ter viajado, realmente, no tempo. Foi por poucos segundos, entre o dormir e o despertar, o estado de vigília, como dizem. Tive toda a sensação, como se estivesse realmente deitado naquela cama de solteiro, a lâmpada fluorescente acesa sobre minha cabeça, minha tevê/rádio de 5” ligada numa rádio de uma rede de emissoras paulista... me senti, efetivamente, no meu velho kitinete, na rua Joaquim Nabuco, no Centro de Manaus, como há cinco anos! Foi minha primeira morada, naquela cidade. Pena que foram só uns segundos, não deu pra mudar muita coisa no agora. Se voltei realmente ao passado recente, não sei, sei que me senti por alguns segundos de volta em casa. Talvez sim, como disse, acredito realmente nisso, e quanto mais frio tem feito, mais penso nisso: em voltar a Manaus, nem que seja numa viagem trans-temporal! Ia reviver muitas situações interessantes... Já a manhã de hoje, tão fria quanto a anterior, despertei após uma noite bastante agitada de sonhos e de esforços incríveis para me esquentar sob o cobertor. Pela primeira vez sonhei com a querida rondoniense a quem por vezes lamento ter conhecido. Desde que a conheci, desde que me apaixonei por ela, nunca sonhei com ela, nunca! E hoje, incrivelmente, acordo após sonhar com ela. E com o maldito frio. Não sei se eram vários sonhos que se sucediam, ou se foi um só, com acontecimentos independentes, como esquetes de um programa humorístico, estilo Zorra. Num momento, estava eu e um amigo baixando filmes e fotos ahn... eróticos, pelo computador. Mas não estávamos no escritório, e sim num espaço tipo “office”, numa casa de estilo antigo e germânico, tipo algumas que há na serra gaúcha – serra carioca é muito classe média baixa. E eram vários vídeos amadores. Depois, a primeira aparição de minha musa inspiradora para poemas de amor, dor de corno, tristeza, depressão, suicídio e cortar pulsos. Surge como minha vizinha, na casa de pedra ao lado daquela onde estávamos meu amigo e eu. Parece que discutimos, que há algum desentendimento entre nós dois. É sonho, nem tudo tem lógica, então não sei qual era o desentendimento. Mais tarde, descobrimos um controle de televisão, que imagino ser dela. Vamos até uma janela e aponto o controle, apertando tudo que é botão, para atrapalhar que veja o seu programa favorito. Num dado momento, ouvimos um som estranho, que não parece com o de uma tevê. Continuo apertando um botão do controle, até que da parede da casa ao lado surge uma moto, que atravessa minha janela, com minha adorada montada nela. Fico perplexo e ela, por sua vez, constrangida. Saltamos, então, pra um outro “esquete” do sonho, em que digo pra minha mãe que passarei o fim de semana na praia, no que ela retruca que é inverno, está frio e portanto não está um bom clima para se ir à praia. Respondo que não vou lá pra nadar, só para descansar. Em outro momento, estou eu numa casa alugada num balneário retirado, de casas simples, mas ainda assim aparentemente no litoral norte do Rio Grande do Sul, provavelmente na cidade de Torres, por causa das grandes paredes de rocha à beira mar. Parece que levanto-me numa manhã de domingo da cama, com o céu cinzento do lado de fora e um vento frio. E parece que o companheiro de minha mãe também está ali, algo indica que ele também teve a mesma idéia que eu. Quando penso em sair pra buscar pão e outras coisas, para tomar café, vem minha mãe, com meu irmão mais novo, minha cunhada, a filha deles e a minha também. Em sonho tudo pode, estou há quilômetros de minha filha, mas no sonho ela vinha me visitar. Por fim, quando eu fazia a proposta de assarmos uma carne, vinham com todos apetrechos para um verdadeiro churrasco, assado a lenha – grossas toras de lenha, perfeitas e avermelhadas. E lá estava ela novamente, aquela que só sente minha falta quando sente o “verdadeiro amor” ausente – mesmo perto dela – e me afasta, quando não lhe sou útil. Era, novamente, uma vizinha, agora ela a querer me constranger, se escalando para um churrasco absolutamente familiar. De certa forma familiar, relembrando, já que a ex-namorada, irmã mais velha de minha filha adotiva lá também estava. Fica mais fácil entender meu constrangimento no fim do sonho, acredito eu. Meus dois maiores amores, minhas duas maiores decepções, juntas, no mesmo lugar, ambas se escalando, uma com uns direitos a mais, por ser irmã da minha filha! Sonhos são estranhos. Há tempos não tinha um tão estranho. Nunca sonhei com minha paixão vinda do cafundó de Rondônia, há poucos quilômetros de onde Judas perdeu as meias – as botas foram um pouco mais pra cá – e de repente, quando nem estou pensando muito nela, ressurge, como no mês de abril deste ano, como uma fênix, ou uma banshee, melhor dizendo, para assombrar-me e dar medo da morte. É só o começo do inverno. Não sei por que, mas as duas coisas parecem estar relacionadas de alguma maneira. Até eu descobrir, talvez venha a ter mais viagens oníricas como essas duas aqui relatadas.
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