PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Excesso e Falta Não Faz Bem a Ninguém

Aqui é tanto calor que mal consigo pensar... lá fora provavelmente está pior, com o sol alto, assando os miolos dos transeuntes, tanto de quem precisa estar lá fora quanto de quem não precisa... mas que está lá fora, mesmo assim! Guerreiros!! Porque estar dentro de algum lugar qualquer, abrigado do sol, mas com, no máximo, um ventiladorzinho mequetrefe... não faz assim tão grande diferença!


Não tem muito paradeiro numa tarde quente como esta. Você tá em casa, vai pro quarto, lá tá quente, você não aguenta, sai pra sala, o sofá tá muito quente, você não aguenta de novo, sai pra garagem, pra ficar na sombra, pensa até em armar uma rede... mas não dá! Não sopra uma brisa sequer! Você anda e sua, você deita e sua, senta e sua, fica de pé e sua, enfim... de qualquer maneira você sua!! E não consegue pensar direito, parece que seu cérebro derrete com o calor... é, as coisas andam bem complicadas por aqui! Se está calor, o seu cérebro frita; se faz frio, seu cérebro congela! E nem votar direito não se consegue, com temperaturas tão extremas assim... não fosse o baixo demais, não haveria o alto demais! Um inverno muito gelado tem como conseqüência um verão escaldante demais! E nenhum dos dois extremos nos faz bem! Não tente se enganar: nada que é demais é bom!

Falta-nos chuva... mas uma chuva que dê uma refrescada! Não gelar de vez, apenas diminuir um pouco o calor que nos assola dia e noite... diz que na praia estão achando o calor muito bom... mas já fui à praia! Você não vai me enganar que lá faz o mesmo calor que aqui na cidade. E mesmo que fizesse, nem mesmo quando se está na praia, o que é demais faz bem! Veja aquelas pessoas que pegam sol demais...

Aqui tem feito calor demais e chuvas de menos. Choveu na madruga... mas foi uma ridícula pancada. Mal deu pra molhar a terra. O calor continuou forte. Acordei como se tivesse apenas cochilado. Foi só afastar um pouco o ventilador pra começar a suar novamente! Aqui pelas cidades do interior, além do calor castigando com força, a falta de chuva está preocupante. Já começa a faltar água... pra todo mundo: pras pessoas, pra lavoura, pros bichos. Tem lugar onde o rio está secando, há outros onde o rio já secou! Tem lugares pelo interior dos municípios, onde a água só chega de carro-pipa. Aí as pessoas têm que decidir, se dão para os animais, se regam as plantações, se consomem elas mesmas. Tá cruel a vida do colono. A companhia estadual de água não oferece solução e nem dá conta da demanda. Os institutos de meteorologia, também, não dão notícias muito animadoras. O pampa não é mar, amigo. Mas também não é sertão! Mas vai virar... desde outubro sem chuvas “significativas” lá pro Oeste do Estado, é o que dizem. O pampa é o novo sertão!

Aqui é chuva de menos, em outros lugares é chuva demais! Aqui se torce por uma chuvinha no fim de tarde, início de noite. São Paulo, Minas e Rio de Janeiro estão pedindo, em nome de Deus, que a chuva dê uma trégua! Enquanto derretia no sofá da sala, na última semana, sem forças para pensar, sequer escrever, me estarrecia com as imagens terríveis das inundações e deslizamentos na serra do Rio de Janeiro... no fundo, não tão estarrecido assim... aquelas pessoas construíram em áreas que, sabia-se, não eram seguras e/ou habitáveis. O poder público permitiu que aquelas casas fossem ali construídas. Permitiu e agora gasta milhões dos cofres públicos pra ajudar pessoas que não precisariam estar desabrigadas, desalojadas, isoladas. Agora contabiliza mortes que poderiam ter sido evitadas, ou pelo menos minimizadas. O desastre poderia ter sido minimizado, até mesmo evitado. Mas não há interesse nisso. Não angaria votos tanto quanto passear de helicóptero por sobre os locais das tragédias. Fingir que se importa, em rede nacional, na verdade, é bem mais interessante do que se importar verdadeiramente... se bem que... será que, até serem vítimas de um desastre desses, as pessoas querem mesmo a preocupação das autoridades?! Querem, realmente, que o poder público se intrometa em seus grandes empreendimentos imobiliários, ou nas suas pequenas construções irregulares?! Não sei... talvez não.

Mesmo estando aqui, mesmo derretendo em suores e fritando meu cérebro, me entristeço com a dor daquelas pessoas, me condôo das desgraças alheias. Chego a imaginar como me sentiria se acontecesse o mesmo com a minha família, aqui, ou lá no Norte. Sei que me sentiria muito mal, como acabo me sentindo, ao assistir o noticiário da tevê. Meu cérebro parece que derreteu com o calor, mas não fiquei ainda insensível a tamanha destruição e dor. Nem ao senso que me diz que certos lugares não são para moradia. E que, portanto, certas pessoas podiam, elas mesmas, ter evitado sua própria desgraça... quer queiram, quer não.

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