Estou aqui, pensando num texto. Aqui, do
alto do terceiro andar, olhando para a Djalma Batista, assistindo ao Sol sumir
por detrás das espessas nuvens, e ao movimento crescente dos carros, motos, ônibus,
microônibus e pessoas que arriscam-se a atravessar a avenida movimentada,
quando, há poucos metros daqui, há uma passarela. Aqui, agora, há esses janelões,
por onde observo o movimento da rua, a vida da cidade que “incrivelmente”
amamos. Não sou um grande fã de shopping centers. Não fosse pelo ar refrigerado
aqui de dentro, que nos protege do calor manauense, que nem tem sido assim tão
cruel quanto ainda posso me lembrar e pelas janelas de vidro levemente
escurecido, que nos protege dos raios de sol, que por vezes lá fora parecem
cortar-nos e trespassar nossa carne como se fosse um laser, não teria motivo
algum pra entrar num shopping. Nos shopping centers, como nos aeroportos, e
rodoviárias, tudo o que você encontra ali é mais caro que nas lojas que ficam
fora desses estabelecimentos. Sim, sou pobre, mas não é o lado financeiro que
se torna preponderante aqui.
Não sou do bom tipo de turista. Sim, claro,
gosto de ver os monumentos históricos da cidade, conheci o Teatro Amazonas, a
igreja de São Sebastião, o Largo, com seus casarios antigos... gosto dali,
gostava quando haviam as seções de cinema ao ar livre, no Largo, nas noites de
sábado. Parece que não há mais essas seções, pelo menos, foi o que ouvi dizer.Já
visitei, algumas vezes, a praia da Ponta Negra. Como morador, já que por aqui
vivi uns bons quatro anos, e como turista. Mas definitivamente, não sou um bom
turista. O bom turista não faz compras na rua Marechal Deodoro, conhecida como “rua
do bate-palmas”. O bom turista não vai desacompanhado ao Educandos, nem pede um
Baré em lata, naqueles bares da orla daquele bairro. Poderiam até ficar por
ali, observando e admirando os pequenos barcos, flutuantes e balsas que cruzam
o rio Negro, ou apenas ficam por ali.
Bons turistas não se embrenham, a qualquer
hora do dia, pelas ruas repletas de hoteizinhos, daqueles onde paga-se, em média,
R$ 15,00 por duas ou três horas de “diversão”, não passeiam despreocupados pelo
Rodway, nem chegam perto da Cadeia Pública, na avenida 7 de Setembro. O bom
turista não pega ônibus para os bairros, sobretudo em horário de pico. O bom
turista não passeia mais pela Zona Franca, nem compra DVD por R$ 2,00, 3 por R$
5,00, 6 por R$ 10,00. Nem faz idéia de que isso exista. O bom turista gosta de
caminhar, mas lhe pergunte se ele vai do Parque Dez ao Plaza Shopping a pé, pra
economizar R$ 2,25 da passagem de ônibus!
Enfim, creio já estar provado e comprovado
que não sou, de modo algum, um bom turista. Não acho graça em seguir o
cronograma dos pacotes de viagens, em ir pra um hotel de selva e me embrenhar
no mato, pra dizer que conheci a Amazônia. Isso tudo eu já vejo pela tevê,
encontro na internet, leio no jornal... gosto de andar pela cidade, fazer meu
próprio roteiro, meus próprios passeios, atravessar o rio no jatinho, pra pegar
um ônibus até Iranduba – dá pra contar nos dedos os turistas que fizeram essa
viagenzinha agradável até a cidadezinha do outro lado do rio Negro, não dá? Gosto
de ser turista na minha própria cidade, em Porto Alegre sou
assim, em Manaus não poderia ser diferente, aqui é minha cidade, também, creio
conhecê-la bem, pelo menos melhor do que um bom turista pode, ou quer conhecer.
Gosto de andar pela minha cidade, como
turista, até cansar de bater perna, para aí sim me esconder no shopping, como
faz todo mundo, para agora sentar-me à mesa para escrever este pequeno texto,
beber um guaraná tubaína (e lembrar por que não me agrada tanto esta marca) e
observar a cidade através dos janelões, que antigamente não existiam, porque
este shopping era uma horrenda caixa amarela. Estou até começando a simpatizar
com este shopping center! Estiver por aqui, me procure! Vou estar por um bom
tempo curtindo a vidinha manauara!


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