PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Jornada Cósmica


Longe demais do sol
Para sentir seu calor
Continuo em sua órbita
Na certeza
Que ao fim
Da jornada cósmica
Chegaremos ao mesmo lugar

Sujeito de Sorte


Você é um sujeito de sorte! Você não acredita, vive a maldizendo, repreendendo a si mesmo, por às vezes quase crer que ela exista. Você reclama de injustiça, pois parece que tanta gente tem sorte, enquanto que você... você é como o Coiote, nos desenhos do Papa-léguas, ou o tomatinho, num desenho politicamente incorreto aí. Vive se dando mal, nenhum dos seus planos dá certo, nada acontece do jeito que você gostaria. Isso é o que você pensa!
A sorte é uma mãozinha do Criador, quase sempre imperceptível. Se tudo fosse exatamente como o esperado, você reclamaria da falta de desafios na vida, do tédio, etc. Você ainda não percebeu que é um sujeito de muita sorte! Já ter nascido na tua família foi uma boa sorte, não há como negar. Desde então, ela tem sempre te acompanhado, e você nem se dá conta. Você teve a sorte de encontrar bons amigos, teve a sorte de poder ir todo verão para a praia, numa época em que nem todo mundo tinha condições, sequer de ir até Quintão, nos finais de semana!
Você teve a sorte de viajar a lugares distantes, bem, ou mal, com culturas diferentes, conheceu pessoas e pode expandir teus horizontes. Teve a sorte de encontrar-se, descobrir-se, mesmo há milhares de kilômetros, quando tem gente que passa a vida querendo se conhecer e não consegue! Teve a sorte de ter sido adotado pela terra onde, enfim, sentiu-se inteiro, sentiu-se um indivíduo, uma pessoa real. Teve a sorte de ter conhecido uma pessoa, a quem amou e por quem foi amado, há pessoas que não sabem o que é ter alguém por quem se preocupar, você conhece uma pessoa que nunca namorou... e acha mesmo que não teve sorte?! Teve a sorte daquela garota ter esperado por você dois longos anos. Teve a sorte de, depois de a relação terminar, ter ficado uma boa amizade entre vocês.
Você tem a sorte de ter encontrado tua segunda família, pessoas que te acolheram em sua casa e em seus corações, como a um filho, um irmão, um pai... você sabe que pode contar com eles, e eles, com você! Quantos tiveram a sorte que você teve, de, numa terra estranha, de onde nada se sabia, ser acolhido assim, que você conheça?! Fora você... quem?!
Desta vez que você voltou para a terra que adotou como seu verdadeiro lar, e para sua segunda família, não foi bem falta de sorte o que você teve... você ainda teve muita sorte de ter encontrado trabalho e um teto, quando esteve mais apertado, teria conseguido de novo, graças aos velhos bons amigos que fez, em teus 8 anos de Manaus, quando “realisticamente” achou melhor desistir! Ou seja: falta de sorte?! Você teve foi uma falta de planejamento, nada mais que isso.
Sim, você teve a sorte de se apaixonar novamente, não amaldiçoe tua fraqueza, ou qualquer outra bobagem que tenha colocado na cabeça. Muito pior é não ter por quem suspirar, a quem se apegar, com quem sonhar. Muito pior! A dor de não se ter ninguém seria ainda muito maior. Questão de maturidade, não de sorte, perceber isso. Você teve a sorte de conhecê-la, de tê-la fazendo parte da tua vida, não importa como, ela colore teus dias, antes mais escuros e sombrios.
Não foi sorte o que aconteceu no teu último dia, na tua cidade, antes de ir-se embora dali?! Você não tinha mais nenhuma esperança de encontrar seu amor, para se despedir, principalmente por causa de uma certa resistência, que não era, de maneira alguma, tua... você achava que a sorte lhe tinha abandonado de vez, que nem mesmo poderia ver pessoalmente, mais uma vez, aqueles olhos que até hoje te encantam. E quando foi sair, para resolver umas últimas coisas, para então viajar... a quem você encontra?!
Tudo bem, nem tudo é perfeito, mas admitamos: você é um cara de sorte! Não perca as esperanças... algo de bom ainda há de sobreviver entre vocês, pode ser um reencontro, muito antes do que se espera para um e do que se gostaria, para outro. Se você planejar-se melhor, talvez consiga que algumas coisas saiam como imagina. Porque sim, você é um sujeito de muita sorte!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Agitos Noturnos


Suas noites têm sido agitadas. Tem acordado várias vezes durante a madrugada, seu sono tem sido muito quebrado. Não tem entendido o por quê disso, só que tem ido dormir muito tarde, ultimamente, tendo acordado quase de hora em hora, após estranhos e perturbadores sonhos, que ele sabe, devem ter algum sentido, mas cujo significado, ele ainda desconhece.
Dias atrás, ele teve dois sonhos, praticamente seguidos, envolvendo sua musa. De fato, as relações estavam um tanto estremecidas, ele perdia horas importantes de sono pensando e remoendo certas coisas, algumas, fruto de sua própria imaginação, acelerada demais, outras de pequenos enganos no modo de tratarem a situação.
No primeiro sonho, o que mais temia, havia acontecido: algo muito pior que o silêncio dela, martelando seu coração, dia após dia. A ausência, definitiva, da sua vida: no sonho, ele descobria ter sido excluído das listas de “amigos” nas redes sociais. Elas são seu último elo, a persistência de uma relação que, para ele, mesmo não sendo a ideal, é muito importante, essencial, até pode-se dizer. As emoções negativas e depressivas do sonho se manifestaram nas lágrimas que ele tentava conter em vão, ao acordar. Viu-se desesperado, tentando convencer-se de que era apenas um sonho, não passava de um pesadelo. Voltou, então, a dormir. Acordou novamente, sobressaltado, após o segundo sonho, em que conversava com alguns amigos seus, quando recebia uma ligação, olhava seu celular, para ver quem era... era ela quem ligava! Mas, quando ia atender, o telefone ficava completamente mudo, nem ele conseguia ouvi-la, nem ela podia ouvi-lo.
Mesmo perturbado pelos dois sonhos, para esse segundo, ele pensou que já tinha uma explicação, uma resposta: nos últimos dias, os dois não estavam se entendendo, podia-se dizer que se falavam, mas não se ouviam, fechavam-se e concentravam-se mais no que tinham para dizer que no que precisavam escutar. Enfim, “o telefone estava mudo”, não havia comunicação!
Não os contou para ninguém, passou o fim de semana matutando sobre os sonhos, preocupado, pensando que, talvez, assim que voltasse ao trabalho, na segunda-feira, poderia descobrir que o primeiro sonho podia ter se tornado realidade. Ficou aliviado, ao constatar que, na segunda, tudo estava como antes, não tinha perdido o último contato com ela, com sua amada. Procurou ficar mais tranqüilo, mas ainda não conseguiu conciliar o sono, ainda não conseguiu dormir direito. E, nas últimas noites, sonhos ainda mais esquisitos têm lhe deixado atarantado, sem ainda entender o seu significado. Dos vários sonhos da madrugada anterior, marcou um em que encontrava-se em frente ao altar da igreja matriz, em Manaus. Estava de pé, observava que, atrás de si, a igreja estava repleta, muita gente que não conhecia, ou pelo menos, de quem não se lembrava, alguns amigos mais chegados, a sua família, uns conhecidos e colegas da internet, estavam por ali. Era, pelo que pode perceber, no finalzinho do sonho, um casamento... mas, seria o seu...?! Naquela igreja?! E quem seria a noiva?! Não conseguiu vê-la entrar, acordou logo em seguida, sentindo-se naturalmente sobressaltado.
Na última madrugada, mais uma vez, o sono quebrado, acordou várias vezes durante a noite, depois de algum sonho estranho, ou vívido demais. Lembrou-se de ter sonhado que estava seguindo sua rotina de todo dia, levantava-se da cama, ia até a cozinha, para tomar café, para depois arrumar-se e sair para o trabalho. Então, algo raro, seu padrasto lhe dirige a palavra: diz ter ouvido no rádio, ou visto no jornal da tv, que a segunda fase do tal concurso público que ele fizera, na primeira metade do ano, iria ocorrer logo após o carnaval. Sua mãe parece repreender, com o olhar, seu padrasto, e lhe diz que agora não há mais jeito, que agora já voltou para “casa”, que não tem condições de empreender a viagem de novo, tão cedo! O padrasto parece concordar e lamentar a má-sorte. Depois, parece lembrar-se de algum site de viagens, ou de cartões de crédito, falando-lhe o endereço, meio que num sussurro.
Ele acorda com aquele pensamento encrustado em sua mente. E se fosse, mesmo, um aviso, para ele se preparar? Se a entidade responsável pelo concurso estivesse mesmo planejando isso? Será que, em tão pouco tempo, ele conseguiria se preparar melhor do que fizera antes, para empreender essa nova jornada?! Ele pensou a respeito, por alguns minutos, pesando todos os prós e contras que poderia pesar, antes de novamente cair no sono e, em questão de minutos, ter mais um sonho, tão complexo e cheio de detalhes quanto o que veio a seguir: ele estava no meio de um deserto, sobre altas dunas arenosas, observando os homens que estavam a seu redor, carregando couraças e peitorais, elmos, lanças, espadas e escudos. Era uma época bastante antiga, e ele presumiu que os homens à sua volta eram uma tropa do exército egípcio, dos tempos dos faraós. Eles pareciam aguardar o ataque de outro exército. Era uma emboscada, para o inimigo, que logo vi: um outro exército, com homens vestindo túnicas, elmos, escudos aparentando ser do mesmo material dos peitorais dos guerreiros. O outro exército, pelo que entendeu, era israelense, talvez dos tempos dos reis Davi e Salomão, não tinha bem certeza. Só podia presumir que fossem. Viu-os sendo massacrados pelo exército egípcio, que estava sobre as dunas, que cercavam uma espécie de vale, ou depressão.
Acordou assustado com as cores vivas e os detalhes do sonho. Esse não parecia querer ter qualquer significado. Contou para uma amiga, que, como ele, crê em várias encarnações, que sugeriu, talvez fosse a lembrança de alguma vida anterior, passada naqueles tempos do sonho. Sim, ele concordou, pode até ser algo assim... mas, por quê?! Por que uma lembrança dessas, agora?! O que pode significar, agora?!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Quero Morar no PROJAC!


Gosto de ver, nos classificados de um jornal sulista, os anúncios com fotos, de imóveis à venda, nas cidades de Gramado e Canela, na serra gaúcha. Minha musa andou conhecendo aquela região, no meio do ano, até transpareceu um certo encantamento, no seu retorno pra casa. Também, qualquer pessoa que venha a conhecer a região, ainda mais essas duas cidades, quase que não quer mais ir embora! Como culpá-las? Há também Nova Petrópolis, que é pouco falada, mas fica próxima, gosto muito e até gostaria de ter uma oportunidade de voltar, com ela, minha musa, a tiracolo... quem diz que não?, o futuro a Deus pertence! Eu mesmo, quando subo a serra – raramente, infelizmente – fico balançado, chego a pensar, quando faço minha fezinha nas loterias, em, quem sabe, comprar uma casa, um chalé, ou apartamento, por lá... só que tem um pequeno problema: no inverno, a serra é muito gelada! E no verão, não esquenta muito, não! Nos últimos anos, minha intolerância ao frio aumentou bastante. Se Gramado, Canela, Nova Petrópolis mantivessem seu charme germânico, mas fossem um pouquinho mais quentes... e ficassem mais próximas da capital! Gostaria de viver em Porto Alegre, gosto das velhas casas no estilo trazido pelos casais de açorianos que desembarcaram ali, nas margens do lago Guaíba, por volta do século XVII. Gosto desse jeito lusitano da capital dos gaúchos. É muito bom caminhar na orla do Guaíba, ficar observando o pôr-do-sol da prainha do Gasômetro, fazer uma caminhada no parque da Redenção, comprar peixe no Mercado Público, no centro da cidade... aos domingos, ir ao Beira-rio, ver o jogo do time do povo!
Tem gente que nem gosta de ouvir falar disso, mas de tudo o que listei aí acima, que se pode fazer na capital sul-rio-grandense, tudo, ou quase tudo, eu podia, e fazia, na capital amazonense, na Metrópole da Amazônia... sim, estou falando de Manaus, sim! Há tempos comento aqui sobre meu coração, que foi fisgado pela magia de algum xamã e se tornou perreché, comi o jaraqui, matrinxã, curimatã, pacu, pirarucu e tambaqui, com muito tucumã, tucupi e murupi, e acabei me tornando, de corpo e alma, caboclo amazônida, com sangue espanhol, português, nordestino, argentino e kaingangue correndo nas minhas veias! Curto mais o pôr-do-sol sobre o rio Negro, que sobre o Guaíba... mas que isso fique só entre a gente! Ademais, no inverno, Porto Alegre fica com aqueles fogs londrinos... sem falar que é gelo puro, principalmente se você passa pela rua dos Andradas, com as sombras daqueles arranha-céus que não deixam o sol – quando este aparece – esquentar um pouquinho que seja! Nisso, pra mim, Manaus leva vantagem sobre Porto Alegre: não tem inverno! Não vou repetir porque é bom que não tenha... de qualquer forma, não sou um daqueles lesos que acham o Brasil muito melhor que suas cidades periféricas... pra mim, Porto Alegre e Manaus são quase perfeitas... bem que podiam ter praia de mar, né!?
Oh, mas tem uma cidade que é quase como as minhas duas capitais, a de nascimento e a por matrimônio: Florianópolis, capital de Santa Catarina! Lá, assim como em Porto Alegre e Manaus, você pode comprar peixe no mercado público (ou municipal, depende), pode caminhar nos parques e praças, admirar o pôr-do-sol na orla... só que em Floripa, o pôr-do-sol, e a orla, são no mar! Florianópolis é uma ilha! Isso que é muito legal, você não se chateia nunca, porque o que mais tem é opção de praia pra se visitar, e se aproveitar, no final de semana!
Todas essas três cidades têm, pra mim, todo um valor sentimental, toda uma memória afetiva...da primeira vez que fui ao cinema, no já extinto cinema Imperial, no centro de Porto Alegre; da primeira vez que vi o mar, na praia de Canasvieiras, em Florianópolis; do meu primeiro beijo, na Ponta Negra, em Manaus... bem, aham, enfim! Numa, eu morei, por um tempo, e meio que fiquei preso a sua sina, a outra, eu visito com freqüência, não preciso morar nela, para andar por ela, quanto à terceira... faz anos que não vou, mas lembro do tempo em que nossos veraneios em família eram sempre lá! Não tem como não sentir saudade, né, gente! Para mim, todas essas cidades são quase perfeitas... pudesse juntar com algumas particularidades das cidades antes citadas, da região das hortênsias... Gramado, Canela, Nova Petrópolis...
É, acho que tenho é que me mudar pro Projac! Sabe, aquele conjunto de estúdios da rede Globo, lá no Rio de Janeiro? Lá, dentro do Projac, até Rio e São Paulo, no Brazil, parecem ser legais... mesmo assim, não são perfeitos, pra mim. No Projac, todas as cidades que curto, e também as que amo, as primas amazonense, gaúcha e catarinense, seriam perfeitas! E o melhor de tudo: seria como viver na novela das 18 horas, em que Gramado fica coladinha em Porto Alegre! Essas cidades todas seriam bem pertinho uma da outra! Eu moraria em Porto Alegre, trabalharia em Manaus e nos finais de semana, iria à praia, em Florianópolis! Duvido alguém que não gostaria disso... no dia dos namorados, iria a um restaurante, daqueles de café colonial, em Gramado, ou Canela, ou Nova Petrópolis, para um programa bem romântico! Com minha musa, evidentemente, que no Projac, o amor do galã pela mocinha é sempre recíproco! Maninhu... vou agora mesmo pra casa, arrumar minhas malas e pegar o primeiro trem-bala que me leve ao Projac!

Na 30ª Casa


Estou tranqüilo só por fora, na aparência. Por dentro, estou sempre ansioso demais, agitado por uma montanha russa de emoções. Por aqui, bem ou mal, há uma aparente segurança, aí volto ao comodismo, à preguiça, prometo todos os dias a mim mesmo, que vou mudar a rotina, não vou me deixar vencer... e todos os dias quebro minha promessa. Por motivos que não vêm ao caso, acabo me sentindo desmotivado, acovardado, deixo-me cair na rotina, sem muita luta. Aqui, as coisas são assim mesmo. Não quero estar aqui. Preferiria estar lá, no Norte, em Manaus... “O quê?! Loucura!! Você não lembra por que passou?!” Sim, eu lembro, sim, de cada perrengue que passei, de cada problema que tive, por conta de uma falta de planejamento adequado, e alguma reserva, pelo menos financeira. Há seis meses embarquei, sem lenço, nem documento, numa aventura, numa jornada, onde fui prestar um concurso no local onde eu queria ser lotado para trabalhar. Foi, realmente, uma aventura, com algumas desventuras pelo caminho. Mas enfim, lá acabei descobrindo mais sobre mim mesmo, acabei tendo, na pele, a marca da terra que amo, como se fora um nativo seu, sinto ter, realmente, deixado meu coração lá, nesta terceira viagem, ao ponto de estranhar a fala do povo daqui, mais ainda, quando tentava reproduzi-la, o sotaque daqui deixou de ser o meu, acabei me desconhecendo, falando outra língua que não o caboquês. Preferia, mesmo, estar lá, lutando contra as dificuldades, que foram muitas, seguir a rotina – ou a falta de – que tinha por lá.
Pois bem, pensando nisso, me perguntei... será que isso tem algo a ver com a idade? Será porque estou passando pela casa dos 30 anos? É, porque eu me lembro, há dez anos eu não tinha metade da coragem, da ousadia e da porraloucura que hoje tenho. Há dez anos, eu não sairia pra tão longe, apenas para participar de um concurso público! Sem nem certeza, direito, de ter um teto onde ficar! Sério mermo, hoje em dia, eu corro bem mais riscos do que anos atrás, sobretudo pra alcançar meus pequenos objetivos.
Até hoje, o mais perto de uma viagem ao exterior que fiz, foi ir até a fronteira do Brasil com o Uruguai, em Santana do Livramento – tendo passado a noite em Rivera, na banda uruguaya! E, de vez em quando, eu vejo, nos classificados dos jornais, um anúncio, do governo canadense, convocando profissionais de todas as áreas, com bons conhecimentos de inglês, francês, ou ambos os idiomas, para emigrarem ao Canadá. Sei me virar, mais ou menos, em inglês, agora me falta uma profissão! Tem dia que leio esses anúncios e penso seriamente em me mandar, de mala e cuia, pro Canadá, apesar da minha famigerada intolerância ao frio... é que é uma experiência que me parece muito interessante, conhecer outro país, viver lá, por um tempo, ver qual é que é! Novamente, há uns dez anos, quando a exigência profissional era mais baixa, com a cabeça que tenho hoje, talvez não pensasse nem duas vezes. Mas, né...
É, sim, acho que é da idade, mesmo... tenho uma amiga, que cheguei a jurar, quando chegasse aos 30, iria querer estabilidade total, segurança, coisa e tal, que então iria já estar atrás de um marido, até mesmo rebaixando seu nível de exigência! Ledo engano: chegou aos 30 este ano, e parece estar buscando bem mais “aproveitar” a vida, por vezes, ela me parece mais adolescente que sua irmã, que tem exatamente a metade de sua idade! Seus últimos relacionamentos têm sido mais casos, mesmo, que namoros, ou ficadas. É interessante, ela parece querer recuperar o tempo perdido da juventude, ou algo assim.
Pensei, então: por que esse meu gosto, meio que repentino, por aventuras e presepadas, por uma vida mais cigana, mais sem rotinas, me preocupando apenas em estar na cidade que quero estar? Talvez seja, mesmo, uma síndrome dos 30? Estaremos passando por alguma nova fase de transição, mais ou menos como a adolescência, mesmo, onde saímos da infância e começamos a amadurecer, até chegar à fase adulta? Será uma transição da fase jovem adulta para a adulta madura? Será?! Bom, não sou psicólogo, nem psiquiatra, não estudei muito sobre o caso... mas acho que até que tem a ver! Se não tem, enfim, não faz tanta diferença, é que comecei a me preocupar, quando me vi em frente a uma vitrine de loja de calçados, pensando seriamente em adquirir um par de tênis All Star...