PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

GP Brasil


Antes
Coração rotações a mil por segundo
Pensamentos correndo
Mais que um carro
De Fórmula 1
Hoje
Domingo preguiçoso
Correndo lento
Feito Barrichelo
Só esperando
A moça bonita
Balançar a bandeira
Quadriculada...

Por Que Não Eu?!


Cansa...
Sim, cansa, de fato, cansa, realmente cansa. E ele tem se sentido assim, cansado, desanimado... tem estado visivelmente cansado! Cansado de não ser compreendido, cansado de medos tolos e sem sentido, cansado de maus-estares... ele quer apenas falar livremente de seus sentimentos, quer dedicar poesias, letras de música, ou qualquer outra loucura parecida, para uma pessoa que não considere isso inapropriado, desde que vindo da parte dele. Ele está cansado de tomar cuidado com as palavras, porque algumas declarações podem soar “muito fortes”... porque não condizem com a atitude de um “amigo distante”... sente dentro de si um cansaço de ter de jogar suas palavras de amor ao vento, porque não pode dizê-las diretamente a quem gostaria... porque ela se chateia, por ele pensar tanto nela e ela mal lembrar dele.
Está cansado de ninguém entender o porquê dele continuar sozinho há tanto tempo... conseguem enumerar qualidades nele que fariam dele uma ótima companhia... mas ninguém faz muita questão de acompanhá-lo! Preocupam-se com uma possível falta de auto-estima por si mesmo... mas não estão muito afim de tirá-lo da solidão. Até soaria engraçado! Ou quem sabe soe... se você estiver do outro lado...
Ele é cansado, e isso é fato. Há muito sente-se cansado, desanimado, desestimulado. Hoje, seu cansaço está particularmente minando suas forças, até para esboçar um sorriso. Ultimamente ele tem sentido-se cansado de ser o amigão. Foram tão poucas as vezes... preocupa-o essa necessidade dos outros em manter uma “distância segura”, em vê-lo como um simples “amigão da galera”.
Decidem por ele não participar mais de suas vidas, manterem apenas uma boa amizade, às vezes aparentemente dispensável, porque, bem... por um “afortunado golpe de sorte”, por motivos obscuros, estão apenas fisicamente separados... então criam-se ainda mais barreiras. Difícil, às vezes, não querer fraquejar, não querer acabar com a solidão a qualquer custo. Ele dá preferência a alguém, mas pensa às vezes em encontrar um “estepe” que não se importe com aparências e convenções auto-impostas, ou não... para que haja a devida troca de afetos, sem medos, sem reservas.
Ele não quer ser sempre o amigão. Ele gosta de saber-se importante, também, ele gosta do afeto que lhe foi dedicado, nos primeiros dias, ele procurou adequar-se a esse amor mais sublime e mais fraterno, do qual também tem sentido falta, ultimamente... mas a imagem de amigão, já a está sentindo gasta demais. Já cansou de se perguntar: “Por que isso vale para os outros, mas não para mim? Por que o abraço, o beijo, os afagos, o aconchego têm de vir, forçosamente, de uma outra pessoa?! Por que não de mim... por que não eu??” Pois é... por que não...?! Por que se preocupar com o que ele fará se aparecerem com alguém?! O que pensam que ele fará?? O que pensam que ele pode fazer?! O que fariam, em seu lugar?! Engraçado que ninguém se preocupe com a situação contrária... se ELE aparecesse com alguém, qual seria a SUA reação?? Ninguém perde tempo pensando nisso, parece... não gostam de saber de casos antigos, evocam lembranças, mas quando ele fala das suas, dizem preferir não saber, tentam preservar-se... de quê?? Ele não é apenas o amigão?! Então: O QUÊ?! Não querem imaginar o quê??! Estariam evitando incomodar-se com... o quê???
Ele já está cansado disso tudo, está cansado de ser o amigão... de não ter oportunidade de ser outra coisa... ele também sente falta de maiores intimidades, de uma companhia mais próxima... ele falou a você, que gostaria de ter o seu abraço, ele também sente carências, há muito, muito tempo, ele não tem um afago sincero, um beijo amoroso...não parece, mas ele também é humano...!
Enfim... o cansaço tem lhe tirado as forças. Tem lhe tirado a clareza de pensamentos, às vezes. Ele sabe do que gostaria... de quem ele gostaria... de quem ele quer. Com toda solidão que lhe assombra, com todas mensagens que vão e não voltam, com as incompreensões e temores infundados sobre sua pessoa, que o magoam profundamente, com as incertas e indiretas, com as mensagens de amor aos quatro ventos, endereçadas a um só coração, totalmente fechado em teoremas de próximo e distante, real e virtual, ou ilusório, enredado demais em racionalizações, para escutar... ele, ainda assim, mantém-se preso, de livre e espontânea vontade, a seus sentimentos por ela. Entre danar-se ela e danar-se a solidão, que se dane ele, suporta-se a solidão e procura-se continuar próximo com o coração... mesmo que em segredo, para não causar-lhe desgostos!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Jornada Cósmica


Longe demais do sol
Para sentir seu calor
Continuo em sua órbita
Na certeza
Que ao fim
Da jornada cósmica
Chegaremos ao mesmo lugar

Sujeito de Sorte


Você é um sujeito de sorte! Você não acredita, vive a maldizendo, repreendendo a si mesmo, por às vezes quase crer que ela exista. Você reclama de injustiça, pois parece que tanta gente tem sorte, enquanto que você... você é como o Coiote, nos desenhos do Papa-léguas, ou o tomatinho, num desenho politicamente incorreto aí. Vive se dando mal, nenhum dos seus planos dá certo, nada acontece do jeito que você gostaria. Isso é o que você pensa!
A sorte é uma mãozinha do Criador, quase sempre imperceptível. Se tudo fosse exatamente como o esperado, você reclamaria da falta de desafios na vida, do tédio, etc. Você ainda não percebeu que é um sujeito de muita sorte! Já ter nascido na tua família foi uma boa sorte, não há como negar. Desde então, ela tem sempre te acompanhado, e você nem se dá conta. Você teve a sorte de encontrar bons amigos, teve a sorte de poder ir todo verão para a praia, numa época em que nem todo mundo tinha condições, sequer de ir até Quintão, nos finais de semana!
Você teve a sorte de viajar a lugares distantes, bem, ou mal, com culturas diferentes, conheceu pessoas e pode expandir teus horizontes. Teve a sorte de encontrar-se, descobrir-se, mesmo há milhares de kilômetros, quando tem gente que passa a vida querendo se conhecer e não consegue! Teve a sorte de ter sido adotado pela terra onde, enfim, sentiu-se inteiro, sentiu-se um indivíduo, uma pessoa real. Teve a sorte de ter conhecido uma pessoa, a quem amou e por quem foi amado, há pessoas que não sabem o que é ter alguém por quem se preocupar, você conhece uma pessoa que nunca namorou... e acha mesmo que não teve sorte?! Teve a sorte daquela garota ter esperado por você dois longos anos. Teve a sorte de, depois de a relação terminar, ter ficado uma boa amizade entre vocês.
Você tem a sorte de ter encontrado tua segunda família, pessoas que te acolheram em sua casa e em seus corações, como a um filho, um irmão, um pai... você sabe que pode contar com eles, e eles, com você! Quantos tiveram a sorte que você teve, de, numa terra estranha, de onde nada se sabia, ser acolhido assim, que você conheça?! Fora você... quem?!
Desta vez que você voltou para a terra que adotou como seu verdadeiro lar, e para sua segunda família, não foi bem falta de sorte o que você teve... você ainda teve muita sorte de ter encontrado trabalho e um teto, quando esteve mais apertado, teria conseguido de novo, graças aos velhos bons amigos que fez, em teus 8 anos de Manaus, quando “realisticamente” achou melhor desistir! Ou seja: falta de sorte?! Você teve foi uma falta de planejamento, nada mais que isso.
Sim, você teve a sorte de se apaixonar novamente, não amaldiçoe tua fraqueza, ou qualquer outra bobagem que tenha colocado na cabeça. Muito pior é não ter por quem suspirar, a quem se apegar, com quem sonhar. Muito pior! A dor de não se ter ninguém seria ainda muito maior. Questão de maturidade, não de sorte, perceber isso. Você teve a sorte de conhecê-la, de tê-la fazendo parte da tua vida, não importa como, ela colore teus dias, antes mais escuros e sombrios.
Não foi sorte o que aconteceu no teu último dia, na tua cidade, antes de ir-se embora dali?! Você não tinha mais nenhuma esperança de encontrar seu amor, para se despedir, principalmente por causa de uma certa resistência, que não era, de maneira alguma, tua... você achava que a sorte lhe tinha abandonado de vez, que nem mesmo poderia ver pessoalmente, mais uma vez, aqueles olhos que até hoje te encantam. E quando foi sair, para resolver umas últimas coisas, para então viajar... a quem você encontra?!
Tudo bem, nem tudo é perfeito, mas admitamos: você é um cara de sorte! Não perca as esperanças... algo de bom ainda há de sobreviver entre vocês, pode ser um reencontro, muito antes do que se espera para um e do que se gostaria, para outro. Se você planejar-se melhor, talvez consiga que algumas coisas saiam como imagina. Porque sim, você é um sujeito de muita sorte!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Agitos Noturnos


Suas noites têm sido agitadas. Tem acordado várias vezes durante a madrugada, seu sono tem sido muito quebrado. Não tem entendido o por quê disso, só que tem ido dormir muito tarde, ultimamente, tendo acordado quase de hora em hora, após estranhos e perturbadores sonhos, que ele sabe, devem ter algum sentido, mas cujo significado, ele ainda desconhece.
Dias atrás, ele teve dois sonhos, praticamente seguidos, envolvendo sua musa. De fato, as relações estavam um tanto estremecidas, ele perdia horas importantes de sono pensando e remoendo certas coisas, algumas, fruto de sua própria imaginação, acelerada demais, outras de pequenos enganos no modo de tratarem a situação.
No primeiro sonho, o que mais temia, havia acontecido: algo muito pior que o silêncio dela, martelando seu coração, dia após dia. A ausência, definitiva, da sua vida: no sonho, ele descobria ter sido excluído das listas de “amigos” nas redes sociais. Elas são seu último elo, a persistência de uma relação que, para ele, mesmo não sendo a ideal, é muito importante, essencial, até pode-se dizer. As emoções negativas e depressivas do sonho se manifestaram nas lágrimas que ele tentava conter em vão, ao acordar. Viu-se desesperado, tentando convencer-se de que era apenas um sonho, não passava de um pesadelo. Voltou, então, a dormir. Acordou novamente, sobressaltado, após o segundo sonho, em que conversava com alguns amigos seus, quando recebia uma ligação, olhava seu celular, para ver quem era... era ela quem ligava! Mas, quando ia atender, o telefone ficava completamente mudo, nem ele conseguia ouvi-la, nem ela podia ouvi-lo.
Mesmo perturbado pelos dois sonhos, para esse segundo, ele pensou que já tinha uma explicação, uma resposta: nos últimos dias, os dois não estavam se entendendo, podia-se dizer que se falavam, mas não se ouviam, fechavam-se e concentravam-se mais no que tinham para dizer que no que precisavam escutar. Enfim, “o telefone estava mudo”, não havia comunicação!
Não os contou para ninguém, passou o fim de semana matutando sobre os sonhos, preocupado, pensando que, talvez, assim que voltasse ao trabalho, na segunda-feira, poderia descobrir que o primeiro sonho podia ter se tornado realidade. Ficou aliviado, ao constatar que, na segunda, tudo estava como antes, não tinha perdido o último contato com ela, com sua amada. Procurou ficar mais tranqüilo, mas ainda não conseguiu conciliar o sono, ainda não conseguiu dormir direito. E, nas últimas noites, sonhos ainda mais esquisitos têm lhe deixado atarantado, sem ainda entender o seu significado. Dos vários sonhos da madrugada anterior, marcou um em que encontrava-se em frente ao altar da igreja matriz, em Manaus. Estava de pé, observava que, atrás de si, a igreja estava repleta, muita gente que não conhecia, ou pelo menos, de quem não se lembrava, alguns amigos mais chegados, a sua família, uns conhecidos e colegas da internet, estavam por ali. Era, pelo que pode perceber, no finalzinho do sonho, um casamento... mas, seria o seu...?! Naquela igreja?! E quem seria a noiva?! Não conseguiu vê-la entrar, acordou logo em seguida, sentindo-se naturalmente sobressaltado.
Na última madrugada, mais uma vez, o sono quebrado, acordou várias vezes durante a noite, depois de algum sonho estranho, ou vívido demais. Lembrou-se de ter sonhado que estava seguindo sua rotina de todo dia, levantava-se da cama, ia até a cozinha, para tomar café, para depois arrumar-se e sair para o trabalho. Então, algo raro, seu padrasto lhe dirige a palavra: diz ter ouvido no rádio, ou visto no jornal da tv, que a segunda fase do tal concurso público que ele fizera, na primeira metade do ano, iria ocorrer logo após o carnaval. Sua mãe parece repreender, com o olhar, seu padrasto, e lhe diz que agora não há mais jeito, que agora já voltou para “casa”, que não tem condições de empreender a viagem de novo, tão cedo! O padrasto parece concordar e lamentar a má-sorte. Depois, parece lembrar-se de algum site de viagens, ou de cartões de crédito, falando-lhe o endereço, meio que num sussurro.
Ele acorda com aquele pensamento encrustado em sua mente. E se fosse, mesmo, um aviso, para ele se preparar? Se a entidade responsável pelo concurso estivesse mesmo planejando isso? Será que, em tão pouco tempo, ele conseguiria se preparar melhor do que fizera antes, para empreender essa nova jornada?! Ele pensou a respeito, por alguns minutos, pesando todos os prós e contras que poderia pesar, antes de novamente cair no sono e, em questão de minutos, ter mais um sonho, tão complexo e cheio de detalhes quanto o que veio a seguir: ele estava no meio de um deserto, sobre altas dunas arenosas, observando os homens que estavam a seu redor, carregando couraças e peitorais, elmos, lanças, espadas e escudos. Era uma época bastante antiga, e ele presumiu que os homens à sua volta eram uma tropa do exército egípcio, dos tempos dos faraós. Eles pareciam aguardar o ataque de outro exército. Era uma emboscada, para o inimigo, que logo vi: um outro exército, com homens vestindo túnicas, elmos, escudos aparentando ser do mesmo material dos peitorais dos guerreiros. O outro exército, pelo que entendeu, era israelense, talvez dos tempos dos reis Davi e Salomão, não tinha bem certeza. Só podia presumir que fossem. Viu-os sendo massacrados pelo exército egípcio, que estava sobre as dunas, que cercavam uma espécie de vale, ou depressão.
Acordou assustado com as cores vivas e os detalhes do sonho. Esse não parecia querer ter qualquer significado. Contou para uma amiga, que, como ele, crê em várias encarnações, que sugeriu, talvez fosse a lembrança de alguma vida anterior, passada naqueles tempos do sonho. Sim, ele concordou, pode até ser algo assim... mas, por quê?! Por que uma lembrança dessas, agora?! O que pode significar, agora?!