Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
Para
suprema alegria e felicidade geral da nação, acabou
mais uma edição do Big Brother Brazeel! Já vai
tarde!! Não precisava nem ter mais! Ok, por mim não
precisava... já deu o que tinha que dar. Lançou a
Sabrina Sato e Grazi Massafera, ou seja, já tá bom, já
tá legal, já, não...?! Repito, por mim, já
deu! Pra quem não, ok, assine o pay-per-view! Que se façam
apenas versões para tv paga, a partir de agora! Sim, sim, isso
só seria possível num mundo perfeito, mas a gente chega
lá.
Apenas
imagino o verdadeiro orgasmo que devem ter sentido aquelas pessoas
que passam as tardes em frente ao computador buscando novas teorias
da conspiração, sinais dos Illuminati e mensagens
subliminares em cada pequena coisa. Sim, porque havia uma suposta
denúncia – várias, na verdade, creio que desde as
primeiras edições – de que o programa era armado e
que o resultado já estava definido. E a criatura que lançou
os boatos acertou o palpite. Me acerta isso e não acerta os
números da mega sena, impressionante... aliás, se a
pessoa tinha mesmo acesso a informações privilegiadas,
ou se foi pura sorte, se há alguma armação nos
resultados de eliminações, seleção de
participantes, etc – o que é bastante provável –
pouco importa! Não é isso que me desestimula a assistir
o programa. Deixei de me interessar por BBB bem antes das edições
de dois dígitos, por motivos de “mais do mesmo + ausência
total de carisma”. Nem será a confirmação –
ou não – de que o reality é um jogo de cartas
marcadas que fará quem curte assistir o programa, ler sobre e
discutir em redes sociais deixar de ver. Se essa é sua
intenção, então desista... não curta, não
é obrigado... e relaxa, cara! É só um programa
de tv!
Alguma
coisa está fora da ordem. Fora da nova ordem mundial! E vocês
ainda acreditam que o mundo não se acabou...! Bom, eu decidi
que o mundo acabou-se, pelo menos pra mim, no fim do ano passado.
Decidi que este agora é meu novo mundo. Que romperia com
alguns velhos ciclos viciosos. Ou, pelo menos, tentaria... sim, já
devo ter escrito a respeito.
Porém...
me decidi, nos primeiros dias deste ano, que não beberia mais
cerveja, pelo menos por este ano! Descobri que o gosto dessa bebida
já não me agrada mais. Descobri que está sendo
bem mais fácil ficar sem do que eu imaginara. Como se a
resolução fosse mais que racional, fosse também
física. Nesta época, próximo à Páscoa,
no velho mundo, eu ficaria fissurado por chocolate, namoraria todos
os dias, a toda hora, os ovos e coelhinhos, já teria em casa
uma respeitável coleção de caixas de chocolates
vazias. Hoje, no novo mundo, não está me apetecendo
tanto... biscoitos e doces em geral, aliás, não estão
me apetecendo. Não sinto mais tanta loucura por carne, ou por
churrasco, tenho tido ataques seguidos de azia e outros problemas
estomacais, que provam cada vez mais, neste novo mundo, a alimentação
tradicional dos sulistas não me é mais suportável,
ou é o excesso de gordura, ou algum tempero com o qual não
me acerto mais. Talvez seja o novo mundo, talvez sejam os vários
anos de alguns excessos. Só que neste novo mundo não
estou afim de testar os limites, ou probabilidades.
Estou,
sim, mudando de opiniões, mudando de atitudes. Coisa pequena,
mas que dá aquela impressão de que algo está
fora da ordem. Decidi que não sou de esquerda, nem de direita!
Os fanáticos e reacionários que se chateiem comigo,
decidi que não vale a pena discutir com essa gentalha. Eles
sempre estão com a razão! Sabem que o comunismo está
decadente e o capitalismo, falido, que ambos os modelos foram bad
vibes, mas se apegam a alguma ideia que na teoria soava muito bonita,
parecem ter medo de mudar de ideia, de pensar por conta própria,
quebrar paradigmas. Não é questão de querer, ou
não, aceitar a mudança. Ela vem de qualquer forma.
Alguma coisa está fora da ordem. Alguns modelos deveriam
simplesmente ter ficado no velho mundo. Qual minha visão,
hoje?! Não vou escrever por agora, porque amanhã, vai
que mude...!
O
coração já não é mais o mesmo.
Penso naquela morena, sou emocionalmente apaixonado por ela, não
temo por minha sanidade, por causa disso, agora. São ideias
novas de novas maneiras de lidar com coisas do coração.
Não idealizo eternos e hipotéticos momentos idílicos.
Lhe quero muito bem, não me inspiram idealizações
dela, não quero superficializar relações, por
medos tolos, por imagens equivocadas, pra depois me arrepender, ou
reclamar, porque as pessoas não conversam mais, não se
vêem mais. Pois é, algo está fora da velha ordem,
isso porque faz parte da nova ordem mundial. Quem te disse que o
tempo é curto, mas a vida imutável?!
Alguma
coisa está fora da ordem. Há alguma coisa em mim que
não entendo mais. Por exemplo: lá em janeiro – é,
sim, sim, lá em
janeiro, já – fiz uma resolução. Passaria um
ano sem cerveja. Este ano de 2013. Queria só testar uma
coisa... ver se poderia ficar sem, ou se realmente gostava da bebida,
como pensava. Ver se poderia diminuir o consumo de álcool.
Pois bem, num belo dia resolvi experimentar uma cerveja sem álcool,
que amargou até a alma. Num outro dia comprei uma marca de
cerveja sem álcool que já conhecia. O resultado foi o
mesmo. E, por fim, numa tarde de domingo, durante uma partida de
dominó, após o churrasco, bebi, um gole, só um,
apenas um gole de uma marca estrangeira de cerveja, que antes me
agradava. Tchê! Repunei, como diriam os antigos. Senti repulsa.
Era como se o corpo lembrasse a mente: “tu não bebes mais
cerveja, a partir de agora!” O corpo deu uma ajudinha.
Agora,
de fato, eu parei. Com a ajuda do corpo, quando a mente tentou se
rebelar. E não tenho sentido falta. Passar no mercado e não
ver a minha marca favorita da bebida nas prateleiras não me
causa nenhum tipo de emoção. Eu confesso que eu mesmo
não me entendo. E nem por isso me preocupo, ou me chateio com
o fato. Gosto de fazer sanduíche com maionese. Mas meu
estômago tem se rebelado contra essa iguaria. Sou doido por
chocolate. Mas este ano não tenho comido tanto... nesta época
do ano – da Páscoa – eu já teria comprado e
consumido várias caixas e barras, das mais diversas marcas e
tipos. Após o fim do mundo parece que perdi um pouco da
alucinação que tinha por esse doce em especial.
Pois
é, alguma coisa está fora da ordem. Fora da nova ordem
mundial!
O
sr. e a sra. Wesson estavam encantados! Estavam achando tudo
maravilhoso. Era sua primeira viagem fora dos Estados Unidos, desde
que se aposentaram. A primeira viagem internacional das suas vidas,
na verdade. E na sua estreia, o casal Wesson veio ao Brasil, conhecer
Salvador, São Paulo e o Amazonas. Na verdade, o casal Wesson
eram dois funcionários públicos aposentados, de classe
média baixa, residentes em Memphis, Tennessee, então
não puderam ir a um hotel de selva, que era o que queria o sr.
Wesson, a sra. Wesson gostou mais de ficar num hotel no Centro
histórico, bem no meio da antiga Zona Franca de Manaus.
O
sr. Wesson havia gostado mais de São Paulo, mas dona Wesson
gostou mais de Manaus, achou a cidade bastante pitoresca. Só o
calor lhe incomodava um pouco, mas tudo bem, porque o Brasil é
um país tropical, mesmo! Além do mais, estavam num
ponto estratégico para qualquer turista que vai passear pela
capital amazonense, próximo do Mercado Adolpho Lisboa, da
feira de artesanato na praça Tenreiro Aranha, não muito
distante do Teatro Amazonas.
Numa
manhã, dona Wesson passou praticamente toda ela dando voltas
pelas barraquinhas de artesanato da praça, comprando camisas,
brincos e objetos pitorescos que não haviam nos EUA. Dali, ela
e o marido passearam pelo porto, alfândega, subiram a rua dos
Andradas, foram conhecer a igreja dos Remédios. Dona Wesson
gostava de conhecer igrejas, fossem da religião que fossem!
Almoçaram num restaurante não muito limpo próximo
ao mercado municipal – ainda em reformas, dona Wesson lamentou
muito não poder nem fotografá-lo direito – depois
foram caminhando pelo Rodway, pela Manaus Moderna, onde pararam para
fotografar e observar os barcos que iam e vinham do interior,
trazendo e levando passageiros e mercadorias. Saboreavam a brisa que
vinha morna do rio Negro, trazendo aromas indistintos, as vozes das
pessoas, dos barqueiros, dos marujos, dos estivadores.
Seu
Wesson dali a pouco estava cantarolando uma música que parecia
ser trazida pela brisa do rio:
“Love
me tender, love me sweet, never let me go. You have made my life
complete and I love you so...”
Uma
lágrima escorreu dos olhos de dona Wesson, essa era a música
deles, dançaram-na no baile de formatura do ginásio
onde estudaram, lá pelos idos de 1960. Depois, foram a Las
Vegas, ver o próprio Elvis Presley, na década de 70,
pouco antes dele morrer. Dona Wesson se emocionou, lembrava bem
daquele show. Olhou para o marido e este ja´não cantava
mais. Ele fitava os olhos fixos, com ar incrédulo, para baixo,
além da murada do porto, onde estavam escorados. A música
ainda se espalhava pelo ar, mas entoada pelo timbre inconfundível
do rei do rock.
Ele
a olhou, apontou para um ponto abaixo de onde estavam, onde um homem
desembarcava de um barco pequeno e estreito, movido por motor de
rabeta, levando no ombro um gigantesco cacho de bananas, enquanto
cantarolava alegremente:
“Love
me tender, love me true, all my dreams fulfilled. For my darling, I
love you, and I always will...”
O
homem usava um chapéu de palha surrado e puído, que mal
escondia o basto topete e as costeletas, agora brancas como a neve,
óculos escuros, imitação de Ray-Ban, comprados
na rua Marechal Deodoro, uma camisa tipo social, de mangas curtas,
aberta na altura do peito, deixando aparecer vários correntões
e cordões de prata e uns banhados a ouro, sobressaindo-se uma
medalha de Santo Expedito e um brasão do Botafogo; completando
o “look” bermuda folgada e sandálias. Apesar das
vestimentas simples, da pele queimada e curtida pelo sol amazônida,
havia algo naquele homem, talvez os cabelos, o rosto, a boca, a voz,
o cair dos ombros, o caminhar, que lembrava ao sr. e sra. Wesson
alguém. Isso! Lhes lembrava do rei! Daquele homem, daquele
grande cantor que eles viram uma vez, em Las Vegas. Seria ele?! Após
uma rápida conferência, eles decidiram, correram até
as escadarias, de cujos degraus o homem começava a galgar e,
tentando conter a emoção, o casal o abordou. Dona
Wesson já vinha com o seu iPhone no modo fotografia em punho,
enquanto o marido falava timidamente, sentindo-se um pouco ridículo:
“Sorry,
my wife and I do not want to border you, but we think you... we think
you're Elvis Presley...!?”
O
bananeiro estacou, com seu imenso cacho de bananas num dos ombros,
tirou os óculos escuros, olhou para o homem, depois para a
mulher, primeiro com ar hesitante, depois com cara aparvalhada de
quem não estava entendendo nada. Respondeu:
“Sorry,
mixter, ai... ai dontchi ander ixtendiú. Ai dontchi ixpiqui
inglish...”
Seu
Wesson tentava se fazer entender, voltando a perguntar, em inglês,
misturando com espanhol, se ele era Elvis Presley. O homem de chapéu
de palha sacudiu negativamente a cabeça e falou:
“Nou,
ai ame dontchi Elvix Prexli, mixter, desculpa, tá?
Eksquíuzimi...”
Olhava
agora com ar aborrecido para o americano, que ia murchando,
constrangido, começando a gaguejar e a titubear. Dona Wesson
não dizia nada, fitava-o piscando os olhos, ainda com a câmera
do celular em punho, ainda tinha dúvidas de que aquele não
era seu ídolo. Seu Wesson começou a falar novamente:
“Forgiveness, thought you were Elvis, we hear you singing, so, we
think... we deceive ourselves, forgive us!”
O
bananeiro sorriu, acenou afirmativamente com a cabeça e
respondeu: “Ok, óraiti, tênquix, eu fico lisonjeado
por acharem minha voz parecida com a do Elvis, mas... ai ame nót
Elvix Préxli, ok?! Eksquíuzimi...”
Terminou
de subir as escadas, seguido por seu colega, um chinesinho de
sorrisinho maroto que carregava outro enorme cacho de pacovãs
sobre a cabeça, deixando para trás o casal de turistas
americanos atordoados e frustrados.
Mais
tarde, num barzinho meio decadente, próximo da Manaus Moderna,
o caboclo bananeiro e o chinês bebiam uma garrafa de guaraná
Real.
“Égua,
mano”, começou ele. “Acho que vou ter que dar um tempo lá
pro interiorzinho de Iranduba, mermo... é a terceira vez, só
essa semana, que esses turistas me reconhecem!”
“Pois
é, bróder”, argumentou com aquele olhar de monge
budista do Himalaia o chinês, “é como eu te digo faz é
tempo... fica esperto, não fica por aí cantando toda
hora essas músicas daquela tua outra vida, que aí
ninguém nota a gente por aqui!”
Elvis
soltou uma fungada, olhando com ar contrariado para o chinês:
“Mas pra ti é fácil falar, né, ô Bruce
Lee! Cabocada só ia te reconhecer se tu começasse a
brigar na rua, aí que eu queria ver!”
Bruce
deu uma risadinha marota.
“Verdade,
verdade... mas, mano! Há quantos anos que tu tá aqui no
Brasil? Canta em português que o pessoal nem vai vir te encher
as pacovãs!”
Elvis
coçou o queixo, os olhos meio encolhidos, refletindo. Pegou no
copo de guaraná e, antes de emborcá-lo, como quem toma
um gole de cachaça, concluiu:
“Sabe
que tu até me deu uma boa ideia, Bruce!?” Terminado o gole,
falou: “Bora!”, e “Bora”, respondeu Bruce Lee, seguindo-o.
Pagaram no balcão pra moça, que sorriu com um flerte do
cantor. Os dois, então, embiocaram e voltaram ali para o
porto, pegaram o seu barquinho e partiram.
As
passagens aéreas tinham dado uma boa baixada, nos últimos
anos, na baixa temporada você encontrava algumas até com
o mesmo preço de passagem de ônibus intermunicipal! A
passagem para o Rio de Janeiro esteve com o mesmo valor de uma
passagem rodoviária para Uruguaiana. Só que agora, as
passagens aéreas estão voltando aos patamares altos de
antes da falência da Varig, com a diferença de não
termos mais nenhuma empresa de transporte aéreo com a
qualidade da Varig!
Surgiram
várias empresas aéreas nos últimos anos,
aumentando a concorrência e, portanto, diminuindo os preços
praticados. Porém, as grandes, tal qual tubarões, tal
qual orcas, foram comprando e engolindo as pequenas. Foram se
fundindo em novas gigantes do transporte aéreo. E ninguém
se deu conta, porque Lula disse que agora todos somos classe média,
mesmo com um poder aquisitivo menor que o das classes médias
dos anos 80 e 90, que todo brasileiro agora pode viajar de avião,
mas, porém, todavia, contudo, entretanto, o preço já
dava mostras de recuperação, já começaram
novamente a ficar bem caros, como era antes. Sem a mesma qualidade no
serviço, com muito desemprego e com praticamente os mesmos
preços de outrora!
A
Gol comprou a Varig. Ok, nada mais justo, por conta de uma má
administração e da abertura de empresas aéreas
nanicas de baixo custo, a Varig acabou quebrando e a Gol comprou o
que restou. Mas logo após a isso, foi comprando e incorporando
empresas menores, a última aquisição foi a
Webjet. Saiu em todos os jornais, a empresa comprada anunciou um
grande pacote de demissões. Porém, algumas já
devem ter ocorrido por debaixo dos panos, antes do anúncio
público mesmo da “fusão” da Webjet à Gol...
até pra não dar na vista e não provocar incômodo
com os sindicatos de trabalhadores aeroviários e os TRTs.
No
metrô da Grande Porto Alegre, ao que tudo indica, já
está até trabalhando um ex-piloto da Webjet. Ele dá
as condições climáticas na região, diz a
estimativa de tempo de viagem entre as estações Santo
Afonso (Novo Hamburgo) e Mercado (Porto Alegre), deseja bom dia/boa
tarde/boa noite aos passageiros e uma boa viagem... tudo como quando
era piloto! O ex-piloto da Webjet ainda não se acostumou com a
nova função, algumas vezes, parado por um longo tempo
numa estação, anuncia que ficará mais um pouco,
esperando a liberação para prosseguir viagem... ou
seja, ainda aguarda por uma comunicação da torre para
decolar. É dureza, a Trensurb em breve vai estar contratando
mais ex-pilotos da Webjet e ainda assim os trens não vão
decolar.