PESCANDO NO BODOSAL

quarta-feira, 27 de março de 2013

A Verdade Sobre o Bigui Bródi!

Para suprema alegria e felicidade geral da nação, acabou mais uma edição do Big Brother Brazeel! Já vai tarde!! Não precisava nem ter mais! Ok, por mim não precisava... já deu o que tinha que dar. Lançou a Sabrina Sato e Grazi Massafera, ou seja, já tá bom, já tá legal, já, não...?! Repito, por mim, já deu! Pra quem não, ok, assine o pay-per-view! Que se façam apenas versões para tv paga, a partir de agora! Sim, sim, isso só seria possível num mundo perfeito, mas a gente chega lá.
Apenas imagino o verdadeiro orgasmo que devem ter sentido aquelas pessoas que passam as tardes em frente ao computador buscando novas teorias da conspiração, sinais dos Illuminati e mensagens subliminares em cada pequena coisa. Sim, porque havia uma suposta denúncia – várias, na verdade, creio que desde as primeiras edições – de que o programa era armado e que o resultado já estava definido. E a criatura que lançou os boatos acertou o palpite. Me acerta isso e não acerta os números da mega sena, impressionante... aliás, se a pessoa tinha mesmo acesso a informações privilegiadas, ou se foi pura sorte, se há alguma armação nos resultados de eliminações, seleção de participantes, etc – o que é bastante provável – pouco importa! Não é isso que me desestimula a assistir o programa. Deixei de me interessar por BBB bem antes das edições de dois dígitos, por motivos de “mais do mesmo + ausência total de carisma”. Nem será a confirmação – ou não – de que o reality é um jogo de cartas marcadas que fará quem curte assistir o programa, ler sobre e discutir em redes sociais deixar de ver. Se essa é sua intenção, então desista... não curta, não é obrigado... e relaxa, cara! É só um programa de tv!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Fora da Ordem

Alguma coisa está fora da ordem. Fora da nova ordem mundial! E vocês ainda acreditam que o mundo não se acabou...! Bom, eu decidi que o mundo acabou-se, pelo menos pra mim, no fim do ano passado. Decidi que este agora é meu novo mundo. Que romperia com alguns velhos ciclos viciosos. Ou, pelo menos, tentaria... sim, já devo ter escrito a respeito.
Porém... me decidi, nos primeiros dias deste ano, que não beberia mais cerveja, pelo menos por este ano! Descobri que o gosto dessa bebida já não me agrada mais. Descobri que está sendo bem mais fácil ficar sem do que eu imaginara. Como se a resolução fosse mais que racional, fosse também física. Nesta época, próximo à Páscoa, no velho mundo, eu ficaria fissurado por chocolate, namoraria todos os dias, a toda hora, os ovos e coelhinhos, já teria em casa uma respeitável coleção de caixas de chocolates vazias. Hoje, no novo mundo, não está me apetecendo tanto... biscoitos e doces em geral, aliás, não estão me apetecendo. Não sinto mais tanta loucura por carne, ou por churrasco, tenho tido ataques seguidos de azia e outros problemas estomacais, que provam cada vez mais, neste novo mundo, a alimentação tradicional dos sulistas não me é mais suportável, ou é o excesso de gordura, ou algum tempero com o qual não me acerto mais. Talvez seja o novo mundo, talvez sejam os vários anos de alguns excessos. Só que neste novo mundo não estou afim de testar os limites, ou probabilidades.
Estou, sim, mudando de opiniões, mudando de atitudes. Coisa pequena, mas que dá aquela impressão de que algo está fora da ordem. Decidi que não sou de esquerda, nem de direita! Os fanáticos e reacionários que se chateiem comigo, decidi que não vale a pena discutir com essa gentalha. Eles sempre estão com a razão! Sabem que o comunismo está decadente e o capitalismo, falido, que ambos os modelos foram bad vibes, mas se apegam a alguma ideia que na teoria soava muito bonita, parecem ter medo de mudar de ideia, de pensar por conta própria, quebrar paradigmas. Não é questão de querer, ou não, aceitar a mudança. Ela vem de qualquer forma. Alguma coisa está fora da ordem. Alguns modelos deveriam simplesmente ter ficado no velho mundo. Qual minha visão, hoje?! Não vou escrever por agora, porque amanhã, vai que mude...!
O coração já não é mais o mesmo. Penso naquela morena, sou emocionalmente apaixonado por ela, não temo por minha sanidade, por causa disso, agora. São ideias novas de novas maneiras de lidar com coisas do coração. Não idealizo eternos e hipotéticos momentos idílicos. Lhe quero muito bem, não me inspiram idealizações dela, não quero superficializar relações, por medos tolos, por imagens equivocadas, pra depois me arrepender, ou reclamar, porque as pessoas não conversam mais, não se vêem mais. Pois é, algo está fora da velha ordem, isso porque faz parte da nova ordem mundial. Quem te disse que o tempo é curto, mas a vida imutável?!


sexta-feira, 22 de março de 2013

Fora da Ordem

Alguma coisa está fora da ordem. Há alguma coisa em mim que não entendo mais. Por exemplo: lá em janeiro – é, sim, sim, em janeiro, já – fiz uma resolução. Passaria um ano sem cerveja. Este ano de 2013. Queria só testar uma coisa... ver se poderia ficar sem, ou se realmente gostava da bebida, como pensava. Ver se poderia diminuir o consumo de álcool. Pois bem, num belo dia resolvi experimentar uma cerveja sem álcool, que amargou até a alma. Num outro dia comprei uma marca de cerveja sem álcool que já conhecia. O resultado foi o mesmo. E, por fim, numa tarde de domingo, durante uma partida de dominó, após o churrasco, bebi, um gole, só um, apenas um gole de uma marca estrangeira de cerveja, que antes me agradava. Tchê! Repunei, como diriam os antigos. Senti repulsa. Era como se o corpo lembrasse a mente: “tu não bebes mais cerveja, a partir de agora!” O corpo deu uma ajudinha.
Agora, de fato, eu parei. Com a ajuda do corpo, quando a mente tentou se rebelar. E não tenho sentido falta. Passar no mercado e não ver a minha marca favorita da bebida nas prateleiras não me causa nenhum tipo de emoção. Eu confesso que eu mesmo não me entendo. E nem por isso me preocupo, ou me chateio com o fato. Gosto de fazer sanduíche com maionese. Mas meu estômago tem se rebelado contra essa iguaria. Sou doido por chocolate. Mas este ano não tenho comido tanto... nesta época do ano – da Páscoa – eu já teria comprado e consumido várias caixas e barras, das mais diversas marcas e tipos. Após o fim do mundo parece que perdi um pouco da alucinação que tinha por esse doce em especial.
Pois é, alguma coisa está fora da ordem. Fora da nova ordem mundial!

sexta-feira, 15 de março de 2013

Elvis No Tucupi

O sr. e a sra. Wesson estavam encantados! Estavam achando tudo maravilhoso. Era sua primeira viagem fora dos Estados Unidos, desde que se aposentaram. A primeira viagem internacional das suas vidas, na verdade. E na sua estreia, o casal Wesson veio ao Brasil, conhecer Salvador, São Paulo e o Amazonas. Na verdade, o casal Wesson eram dois funcionários públicos aposentados, de classe média baixa, residentes em Memphis, Tennessee, então não puderam ir a um hotel de selva, que era o que queria o sr. Wesson, a sra. Wesson gostou mais de ficar num hotel no Centro histórico, bem no meio da antiga Zona Franca de Manaus.
O sr. Wesson havia gostado mais de São Paulo, mas dona Wesson gostou mais de Manaus, achou a cidade bastante pitoresca. Só o calor lhe incomodava um pouco, mas tudo bem, porque o Brasil é um país tropical, mesmo! Além do mais, estavam num ponto estratégico para qualquer turista que vai passear pela capital amazonense, próximo do Mercado Adolpho Lisboa, da feira de artesanato na praça Tenreiro Aranha, não muito distante do Teatro Amazonas.
Numa manhã, dona Wesson passou praticamente toda ela dando voltas pelas barraquinhas de artesanato da praça, comprando camisas, brincos e objetos pitorescos que não haviam nos EUA. Dali, ela e o marido passearam pelo porto, alfândega, subiram a rua dos Andradas, foram conhecer a igreja dos Remédios. Dona Wesson gostava de conhecer igrejas, fossem da religião que fossem! Almoçaram num restaurante não muito limpo próximo ao mercado municipal – ainda em reformas, dona Wesson lamentou muito não poder nem fotografá-lo direito – depois foram caminhando pelo Rodway, pela Manaus Moderna, onde pararam para fotografar e observar os barcos que iam e vinham do interior, trazendo e levando passageiros e mercadorias. Saboreavam a brisa que vinha morna do rio Negro, trazendo aromas indistintos, as vozes das pessoas, dos barqueiros, dos marujos, dos estivadores.
Seu Wesson dali a pouco estava cantarolando uma música que parecia ser trazida pela brisa do rio:
Love me tender, love me sweet, never let me go. You have made my life complete and I love you so...”
Uma lágrima escorreu dos olhos de dona Wesson, essa era a música deles, dançaram-na no baile de formatura do ginásio onde estudaram, lá pelos idos de 1960. Depois, foram a Las Vegas, ver o próprio Elvis Presley, na década de 70, pouco antes dele morrer. Dona Wesson se emocionou, lembrava bem daquele show. Olhou para o marido e este ja´não cantava mais. Ele fitava os olhos fixos, com ar incrédulo, para baixo, além da murada do porto, onde estavam escorados. A música ainda se espalhava pelo ar, mas entoada pelo timbre inconfundível do rei do rock.
Ele a olhou, apontou para um ponto abaixo de onde estavam, onde um homem desembarcava de um barco pequeno e estreito, movido por motor de rabeta, levando no ombro um gigantesco cacho de bananas, enquanto cantarolava alegremente:
Love me tender, love me true, all my dreams fulfilled. For my darling, I love you, and I always will...”
O homem usava um chapéu de palha surrado e puído, que mal escondia o basto topete e as costeletas, agora brancas como a neve, óculos escuros, imitação de Ray-Ban, comprados na rua Marechal Deodoro, uma camisa tipo social, de mangas curtas, aberta na altura do peito, deixando aparecer vários correntões e cordões de prata e uns banhados a ouro, sobressaindo-se uma medalha de Santo Expedito e um brasão do Botafogo; completando o “look” bermuda folgada e sandálias. Apesar das vestimentas simples, da pele queimada e curtida pelo sol amazônida, havia algo naquele homem, talvez os cabelos, o rosto, a boca, a voz, o cair dos ombros, o caminhar, que lembrava ao sr. e sra. Wesson alguém. Isso! Lhes lembrava do rei! Daquele homem, daquele grande cantor que eles viram uma vez, em Las Vegas. Seria ele?! Após uma rápida conferência, eles decidiram, correram até as escadarias, de cujos degraus o homem começava a galgar e, tentando conter a emoção, o casal o abordou. Dona Wesson já vinha com o seu iPhone no modo fotografia em punho, enquanto o marido falava timidamente, sentindo-se um pouco ridículo:
Sorry, my wife and I do not want to border you, but we think you... we think you're Elvis Presley...!?”
O bananeiro estacou, com seu imenso cacho de bananas num dos ombros, tirou os óculos escuros, olhou para o homem, depois para a mulher, primeiro com ar hesitante, depois com cara aparvalhada de quem não estava entendendo nada. Respondeu:
Sorry, mixter, ai... ai dontchi ander ixtendiú. Ai dontchi ixpiqui inglish...”
Seu Wesson tentava se fazer entender, voltando a perguntar, em inglês, misturando com espanhol, se ele era Elvis Presley. O homem de chapéu de palha sacudiu negativamente a cabeça e falou:
Nou, ai ame dontchi Elvix Prexli, mixter, desculpa, tá? Eksquíuzimi...”
Olhava agora com ar aborrecido para o americano, que ia murchando, constrangido, começando a gaguejar e a titubear. Dona Wesson não dizia nada, fitava-o piscando os olhos, ainda com a câmera do celular em punho, ainda tinha dúvidas de que aquele não era seu ídolo. Seu Wesson começou a falar novamente: “Forgiveness, thought you were Elvis, we hear you singing, so, we think... we deceive ourselves, forgive us!”
O bananeiro sorriu, acenou afirmativamente com a cabeça e respondeu: “Ok, óraiti, tênquix, eu fico lisonjeado por acharem minha voz parecida com a do Elvis, mas... ai ame nót Elvix Préxli, ok?! Eksquíuzimi...”
Terminou de subir as escadas, seguido por seu colega, um chinesinho de sorrisinho maroto que carregava outro enorme cacho de pacovãs sobre a cabeça, deixando para trás o casal de turistas americanos atordoados e frustrados.
Mais tarde, num barzinho meio decadente, próximo da Manaus Moderna, o caboclo bananeiro e o chinês bebiam uma garrafa de guaraná Real.
Égua, mano”, começou ele. “Acho que vou ter que dar um tempo lá pro interiorzinho de Iranduba, mermo... é a terceira vez, só essa semana, que esses turistas me reconhecem!”
Pois é, bróder”, argumentou com aquele olhar de monge budista do Himalaia o chinês, “é como eu te digo faz é tempo... fica esperto, não fica por aí cantando toda hora essas músicas daquela tua outra vida, que aí ninguém nota a gente por aqui!”
Elvis soltou uma fungada, olhando com ar contrariado para o chinês: “Mas pra ti é fácil falar, né, ô Bruce Lee! Cabocada só ia te reconhecer se tu começasse a brigar na rua, aí que eu queria ver!”
Bruce deu uma risadinha marota.
Verdade, verdade... mas, mano! Há quantos anos que tu tá aqui no Brasil? Canta em português que o pessoal nem vai vir te encher as pacovãs!”
Elvis coçou o queixo, os olhos meio encolhidos, refletindo. Pegou no copo de guaraná e, antes de emborcá-lo, como quem toma um gole de cachaça, concluiu:
Sabe que tu até me deu uma boa ideia, Bruce!?” Terminado o gole, falou: “Bora!”, e “Bora”, respondeu Bruce Lee, seguindo-o. Pagaram no balcão pra moça, que sorriu com um flerte do cantor. Os dois, então, embiocaram e voltaram ali para o porto, pegaram o seu barquinho e partiram.

terça-feira, 12 de março de 2013

O Ex-piloto da WebJet

As passagens aéreas tinham dado uma boa baixada, nos últimos anos, na baixa temporada você encontrava algumas até com o mesmo preço de passagem de ônibus intermunicipal! A passagem para o Rio de Janeiro esteve com o mesmo valor de uma passagem rodoviária para Uruguaiana. Só que agora, as passagens aéreas estão voltando aos patamares altos de antes da falência da Varig, com a diferença de não termos mais nenhuma empresa de transporte aéreo com a qualidade da Varig!
Surgiram várias empresas aéreas nos últimos anos, aumentando a concorrência e, portanto, diminuindo os preços praticados. Porém, as grandes, tal qual tubarões, tal qual orcas, foram comprando e engolindo as pequenas. Foram se fundindo em novas gigantes do transporte aéreo. E ninguém se deu conta, porque Lula disse que agora todos somos classe média, mesmo com um poder aquisitivo menor que o das classes médias dos anos 80 e 90, que todo brasileiro agora pode viajar de avião, mas, porém, todavia, contudo, entretanto, o preço já dava mostras de recuperação, já começaram novamente a ficar bem caros, como era antes. Sem a mesma qualidade no serviço, com muito desemprego e com praticamente os mesmos preços de outrora!
A Gol comprou a Varig. Ok, nada mais justo, por conta de uma má administração e da abertura de empresas aéreas nanicas de baixo custo, a Varig acabou quebrando e a Gol comprou o que restou. Mas logo após a isso, foi comprando e incorporando empresas menores, a última aquisição foi a Webjet. Saiu em todos os jornais, a empresa comprada anunciou um grande pacote de demissões. Porém, algumas já devem ter ocorrido por debaixo dos panos, antes do anúncio público mesmo da “fusão” da Webjet à Gol... até pra não dar na vista e não provocar incômodo com os sindicatos de trabalhadores aeroviários e os TRTs.
No metrô da Grande Porto Alegre, ao que tudo indica, já está até trabalhando um ex-piloto da Webjet. Ele dá as condições climáticas na região, diz a estimativa de tempo de viagem entre as estações Santo Afonso (Novo Hamburgo) e Mercado (Porto Alegre), deseja bom dia/boa tarde/boa noite aos passageiros e uma boa viagem... tudo como quando era piloto! O ex-piloto da Webjet ainda não se acostumou com a nova função, algumas vezes, parado por um longo tempo numa estação, anuncia que ficará mais um pouco, esperando a liberação para prosseguir viagem... ou seja, ainda aguarda por uma comunicação da torre para decolar. É dureza, a Trensurb em breve vai estar contratando mais ex-pilotos da Webjet e ainda assim os trens não vão decolar.