Enfim, acabou a folga, pessoal. Não vamos mais poder sair mais cedo do trabalho, ou chegar depois do meio-dia, pois o Brasil está, mais uma vez, fora da Copa do Mundo, o que quer dizer que os jogos em meio aos dias úteis não servirão mais de desculpa, ou seja, voltaremos a ter que inventar idas ao médico, buscar algum parente na rodoviária/porto/aeroporto, morte de tio(a)/avô(ó), etc. O chefe não vai te liberar pra chegar mais tarde, ou sair mais cedo, nem mesmo se você tiver, comprovadamente, descendência uruguaia, ou holandesa, por exemplo. A mãe do meu pai era argentina, mas como não dou bola pra isso, mesmo que a segunda seleção da bacia do Prata se classifique amanhã, contra Alemanha, não vou evocar esse parentesco com los hermanos. E também, nem poderia!
Bom, mas agora já foi, Brasil tá fora da Copa, mesmo, temos que voltar à realidade, agora as pessoas poderão se chocar com a situação dos flagelados das cheias em Pernambuco e Alagoas, de quem sequer se lembravam porque, afinal de contas, ainda havia o sonho do hexa! Agora que o hexacampeonato da seleção brasileira foi adiado por mais quatro anos, podemos nos preocupar com coisas mais importantes, mais prementes pra nossa vida, como, por exemplo, o sonho do bicampeonato na Copa Libertadores da América – e do Mundo, por que não!? – para o glorioso Sport Club Internacional!
Quanto a seleção, as palavras do técnico holandês exprimiram bem o meu sentimento, ao assistir o jogo, hoje, no fim de manhã, início de tarde: os jogadores do Brasil voltaram para o segundo tempo achando que o jogo já havia sido ganho no primeiro tempo, com aquele placar de apenas um gol a zero. Recuaram o time, abdicaram de marcar a saída de bola, ofereceram generosos espaços e deixaram que os holandeses recuperassem a confiança para tentar uma virada, ou talvez pelo menos levar o jogo para a prorrogação. O técnico holandês não disse nenhuma bobagem, é a mais pura verdade, foi exatamente desse jeito que eu vi o jogo!
Me impressionou positivamente a movimentação da seleção brasileira, a marcação forte, no campo do adversário, forçando o erro dos holandeses, fazendo com que os principais nomes do time fossem anulados e deixando os defensores nervosos. Do trio ofensivo, sequer precisamos das grandes estrelas televisivas Kaká e Luís Fabiano, o “Fabuloso”, que nesta copa não foi tão fabuloso assim... Robinho, enfim, foi o que sempre foi, jogando pela seleção, mas inegavelmente foi mais operário e esforçado que os outros dois. Já no segundo tempo, não sei se foi o cansaço de jogar por três do meio pra frente, ou se foi a euforia do bom primeiro tempo, que o fez sucumbir à preguiça tática, técnica e criativa que já acometia as estrelas acima citadas. Daniel Alves sempre me pareceu individualista demais, pra não dizer fominha, sem metade do talento dos três atacantes, nem metade do empenho de operários como Lúcio, Juan, Maicon e até mesmo Felipe Melo, que realmente, se fosse um pouco mais frio, talvez não tivesse cometido aquelas bobagens que devolveram a confiança aos holandeses pra buscar a vitória e a consequente classificação para as semi-finais. Contra o Uruguai, que certamente vai nos vingar! Assim espero...
Bom, sei que os repórteres e jornalistas esportivos, sobretudo os das duas grandes redes de comunicação de Rio e São Paulo vão buscar extra-campo por culpados e jamais admitirão a preguiça e a displicência com que jogavam as grandes estrelas televisivas, talvez um pouco da “culpa” recaia sobre o esquentadinho Felipe Melo, que seguramente se tornaria no novo Dunga, se o próprio não estivesse à frente da atual comissão técnica do selecionado. Pois eu digo: a seleção não estava errada desde o começo, como muitos – se não todos – dirão hoje, e pelos próximos dias, quem sabe meses, digo que a seleção HOJE esteve errada. Na sua atitude, na sua maneira de conduzir o jogo. Estava já me lembrando a seleção de 2002, que talvez não tenha brilhado como a de 1970, mas tampouco sofria pra conquistar os resultados positivos, como em 1994. Em 2002 a seleção jogava metódica, certa, jogava fácil, tanto lhe dava se o adversário fosse a Argentina, ou a Coréia do Norte. Os jogadores pareciam não se esforçar muito pra construir as vitórias, naquela copa.
Pois no primeiro tempo, a seleção de hoje, de 2010, parecia também jogar assim, fácil, mas também empenhada, metódica, eficiente, sem errar, forçando o adversário a recuar e errar. No segundo tempo voltaram confiantes demais, voltaram como se já tivessem feito seu trabalho e não precisassem mais manter a marcação no campo adversário, como se os holandeses não tivessem mais forças pra reagir. Deu no que deu. A virada não foi incrível, como ouvi Galvão Bueno dizer, não teve nada de inacreditável, ou extraordinário. A virada foi natural. Os jogadores do Brasil deram essa impressão! Deixaram que a seleção da Holanda virasse, naturalmente, sem oferecer resistência, sem demonstrar força, sem voltar à aplicação e à eficiência do primeiro tempo. Faltou a Dunga a experiência de um Felipão? Talvez. Agora, com o jogo perdido, dizer que não havia nenhuma opção no banco, pra retomar a vantagem para nós? História! Com aqueles jogadores que o técnico tinha a disposição, dava, sim, pra retomar o jogo, a classificação, pra continuar sonhando com o sexto campeonato mundial de futebol. Dunga ainda não é um técnico pronto, ainda comete algumas falhas, ainda perde o controle da situação. Luiz Felipe também perdia o controle, às vezes, mas sabia como recuperar, tinha experiência suficiente pra tanto. Enfim. Nem tudo no trabalho de Dunga está errado, e vocês verão, com certeza, quando o próximo técnico aproveitar os Felipes Melos e os Maicons. Só tomara que não reaproveitem os astros com o rei na barriga, quais sejam: os Kakás, Luís Fabianos, Daniéis Alves da vida. E que os jogadores que forem surgindo, até 2014, tenham uma mentalidade melhor, um maior comprometimento com o que estão fazendo em campo, independente se for por seus clubes, ou pela seleção de seu país. Aí, quem sabe, teremos reeditada, em nossas terras, a seleção que não enfeita, nem complica, apenas joga futebol. E ganha! Que isso é que é importante. Alguém já disse, “não importa se o jogo é bonito, eu quero é ver gol!” Há muita sabedoria nestas palavras!
De resto, é esfriar a cabeça e sermos patriotas de verdade, operando as mudanças onde nossas vidas se decidem.

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