PESCANDO NO BODOSAL

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Entre o Rio de Janeiro e a Groenlândia

Não curto o inverno, não importam as trocentas propagandas na tevê, não importam todos os trouxas e otários que falam nas delícias de um fim de semana na serra gaúcha – principalmente quando nem eles têm grana pra subir a serra – não importam todos aqueles belos encartes de supermercado, já que na minha situação atual, obviamente não vou poder degustar um fondue de queijo, nem mesmo se eu quiser, nem adquirir uma boa quantidade de vinhos chilenos, franceses, italianos, argentinos, ou mesmo, uruguaios. Não curto o inverno, não curto o frio, não gosto de sentir meus pés gelados, nem de minhas mãos se movendo lentamente pelo teclado, às vezes batendo em caracteres que não quero usar, pelo mesmo motivo.
É, não adianta meus amigos e seguidores – oh, quase me sinto um Antônio Conselheiro – e todos os demais, de plagas distantes, dizerem que o calor em sua terra está infernal, que gostariam de alguns dias no Sul, para passar “um pouquinho de frio”, se disserem que me invejam, não encaro como tal, mas sim como uma péssima piada de mau gosto, já que é evidente que estou odiando isto aqui e preferia eu estar passando por esse tal “calor dos infernos”, sempre destacando que NÃO POR ACASO, a grafia das palavras “inverno” e “inferno” é MUITO parecida!
Pois bem, desde que começou o inferno, digo, o inverno, que tenho o desprazer de “curtir” dias e noites de frio mais intenso do que jamais desejei, neste ano, com poucas esperanças de que o verão rapidamente volte a dar as caras. Aliás, curtir mesmo, curto o calorzinho, quando esse aparece, nos poucos dias em que o sol e o tempo seco afastam a chuva gelada e o frio desnecessariamente rigoroso deste inverno. E graças ao bom Deus, esta semana tivemos um refresco – desculpem, uma infeliz figura de linguagem, apenas – do maldito frio, com uma maior presença do sol e temperaturas, essas sim, verdadeiramente mais agradáveis.
Ah, que alegria eu sinto, ao receber uma brisa doce, quase marítima, no rosto, o delicioso calor do sol aquecendo meus ossos gelados e alavancando aos píncaros o meu astral! Muito bom quando, no meio da estação mais inoportuna e longa do ano, no Sul desse Brasil de meu Deus, temos um clima mais carioca, mais bermuda e chinelos, mais malemolente, swingada e alegre... pena que o inverno gaúcho não é sempre assim – ou pelo menos, em parte assim, não precisa ser sempre! Gosto quando nosso inverno fica com cara de inverno carioca, uma brisa suave soprando; o sol sem nos assar por dentro e por fora, como num forno de microondas, apenas nos aquecendo lentamente, como que em banho-maria; um friozinho realmente gostoso, cedo de manhã, por volta de 15°C, e um calorzinho igualmente adorável, de não mais que 25°C... ah, vá!! Vai dizer que não é uma delícia! “Oh, mas não estamos no Rio de Janeiro...” Certo, ok, temos essa pequena vantagem em nosso favor – a ausência de mar na nossa cidade é, a bem da verdade, a única desvantagem em relação ao “riiio”. Mas bem que ter o clima daquela cidade mais ou menos reproduzido na nossa metrópole interiorana e adjacências nos torna mais alegres e afáveis – vai ver por isso os paulistas nos odeiam tanto, quando chega o veranico, nos tornamos meio cariocas... enfim!

Ruim que, segundo a previsão dos meteorologistas, esse veranico só dura até amanhã – nas melhores projeções, até sábado – pois durante a semana ficamos nós trabalhando num escritório, situado num prédio, no centro de uma cidade satélite da Grande Porto Alegre, que parece mais um frigorífico que qualquer outra coisa. Por vezes parece-me absolutamente incrível que tenhamos, lá fora, um clima tão agradável e ameno, quase um Rio de Janeiro, somente sem praia, sem favela da Rocinha e sem tiroteio na linha vermelha, e aqui dentro do prédio, tenhamos reproduzido um clima quase de círculo polar ártico, quase como se estivéssemos na Groenlândia! Um cenário simplesmente pavoroso!
Enfim... pena que o veranico termina no fim de semana. Não me chatearia tanto, se na segunda-feira voltasse essa interminável e detestável estação gelada e desprovida de charme que só serve pra gente se entupir de chocolate quente pra não sucumbir à depressão aguda e chegar ao verdadeiro verão com 20 kilos acima do peso! Pena mesmo!

Um comentário:

  1. Olá! Adorei o seu blog, axei MTO interessante! Vou te seguir! Eu criei o meu a um mês e alguns dias, se quiser dar uma olhada fique a vontade!
    Abs

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