PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Desejos de Viajar


Estava sentado, pensando... pescando, ou pescoçando seriam os termos mais corretos. Sem o computador para dispersar-lhe as idéias, no entanto, falta-lhe o som, a música, as discografias de Tim Maia e Marisa Monte. Não, o silêncio não lhe incomoda, não, às vezes a ausência de som lhe traz a doce paz, mas é isso mesmo, a doce paz é boa para dormir, quando não se pode, o silêncio só traz o tédio, o marasmo, as idéias não se movimentam e fica-se sonolento, os olhos ardem, como se tivesse passado uma noite mal-dormida...
Até gostaria de escrever, mas as idéias estão dormentes, elas também se encontram sonolentas, tediosas e entediadas. Os bocejos se prolongam, os olhos pesam como se as pálpebras fossem de chumbo. Desejava estar em casa, dormir a tarde toda, deitado no colchão, sob as cobertas, estirado, só o som do ventilador soprando o silêncio. Olhando o calendário dependurado na parede, admirando a foto da praia de Ipanema, desejou estar lá, ao sol do Rio de Janeiro, jogadão numa esteira, sob uma barraca de praia, óculos escuros, havaianas enterradas na areia fofa, ressonando à beira mar, a brisa, as ondas, a maresia.
Queria não estar sentado a uma escrivaninha, preferia até mesmo estar num diminuto acento de avião, preferia estar sacolejando dentro de um ônibus pela Estrada do Mar, tostando só o lado direito do rosto ao sol e recebendo o vento da estrada nos olhos. Estaria parado, mas em movimento! Neste momento, aliás, desejaria é estar parado deitado em uma rede em Jericoacoara! Não, ainda não conhece essa praia, o que não impede de desejar umas longas férias por lá! Neste momento, o que se quer é dar asas ao seu lado nômade, ao seu “eu” cigano. Viajar, estar andando, até mesmo por seu habitat, as ruas esburacadas da Zona Lerte, as vielas de chão de tábuas nos rif-rafs da vida, pois já começou a sentir falta disso. Caminhar, subindo e descendo lomba, andando pelas ruas de comércio popular e as de má fama do Centro Histórico, com aqueles prédios decadentes e mal cuidados, de portinhas estreitas que se abrem para corredores escuros e muito suspeitos. Nem o mais destemido mochileiro andaria por onde ele já andou, isso é para turistas andarilhos, verdadeiros ciganos, nômades, que não têm destino, que não se preocupam com hora e lugar para parar!
Seu desejo é conhecer novos lugares, respirar novos ares, quem sabe rever lugares aos quais não vai há anos, andar por onde seus pés jamais pisaram, ou pelo menos não pisam desde que era piá, seria bem melhor que ficar aqui, sentado, sonolento, dormitando. Viajando, novos pensamentos poderiam surgir, refrigerar sua mente, uns bons sentimentos podiam se regenerar... era melhor caminhar, andar, sem destino, sem rumo, sem esperar o coletivo passar. Neste momento gostaria, muito mesmo, é de viajar!

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