Puxa,
é mesmo! O RS é melhor em tudo, é um outro país, abençoado por Deus e bonito
por natureza... mas que beleza! Graças a Deus, aqui não temos problemas de
logística, as distâncias não são gigantescas, estamos diretamente ligados ao “Brazil
de verdade” (o Sudeste) por via rodoviária, não temos nem a necessidade de
navegar, pois todo o estado é interligado por estradas! Realmente, é a terra
sem males, vem pra cá que você vai ver! Pela propaganda oficial do governo dá
pra ver que o RS cresce como nunca antes na história deste país! Só que há umas
coisinhas que não encaixam... por exemplo, por que Porto Alegre tem a segunda
cesta básica mais cara do país, perdendo para São Paulo, sendo que essa cesta
básica já foi a mais cara do país, não faz muito tempo!? Ou então, por que
diabos os dois estados que mais sofreram com desabastecimento de combustíveis
derivados de petróleo, no fim do ano passado, foram o Amapá e o Rio Grande do
Sul?! Sem você, em tese, tem toda infra-estrutura para o transporte, como é que
vai passar o mesmo trabalho de quem não dispõe da mesma infra-estrutura? Das
duas uma, ou você não dispõe, ou ela é falha!
E
a grande verdade é que o RS está isolado do resto do país, quase amazonicamente
isolado, tão isolado quanto o Amapá, pasmem, amigos! E, estando isolado, fica
estagnado, desmentindo o crescimento fodástico das propagandas oficiais, pois,
sem ter as condições de escoar a produção agrária, ou industrial, o crescimento
do Estado fica seriamente comprometido.
O
grande problema deste e dos governos estaduais anteriores é essa dicotomia que
tanto orgulha aos gaúchos, da grenalização. Graças a ela, as estradas do Estado
foram sendo sucateadas, as nossas bacias hidrográficas não têm o seu imenso
potencial aproveitado, várias das cidades gaúchas ficam praticamente ilhadas,
enquanto políticos, empresários e o próprio povo discutem, em debates
infindáveis, a necessidade de novos meios de transportar, escoar a produção,
trazer os produtos necessários e organizar o tráfego.
Porto
Alegre é uma ilha, não no sentido literal da palavra, mas não deixa de sê-lo,
por isso. Tem uma única via de ligação com o centro do Brasil, incluindo a
Capital Federal, Belho Horizonte e Goiânia, por exemplo: a BR – 116. Para
comunicar-se com o leste do país, passando pelo porto de Santos, Rio de Janeiro
e Salvador, a única via é a BR – 101, passando pela BR – 290. A 101, aliás, já
está sendo triplicada no trecho de Santa Catarina, enquanto que, no trecho que
toca ao RS, ainda discutem a
necessidade de duplicação. O caminho da fronteira (com o Uruguai e a
Argentina), sul e região central do Estado – onde fica Santa Maria, pra quem
quiser saber – para a capital e dali para o Norte, Centro e Leste do Brasil
passa por uma só porta de entrada, a cinqüentenária ponte sobre o lago Guaíba,
cuja capacidade de ser levadiça, hoje, causa mais transtornos do que traz
vantagens. Aliás, quando emperra – e isso tem sido cada vez mais freqüente – a ponte
é capaz de ilhar metade da Região Metropolitana, se não toda, e mais toda
metade Sul do RS! Enquanto isso, se discute há décadas a construção de uma nova
ponte e a desativação da antiga. Há bem pouco tempo, creio que não fez um ano,
ainda, começaram a subutilizar o Guaíba como via de transporte, atualmente só
de passageiros; a prefeitura e o governo estadual implantaram um serviço de
catamarãs, ligando o centro da capital ao da cidade de Guaíba, do outro lado do
lago. Uma boa idéia, mas que ainda subutiliza a potencialidade do lago como “estrada”
de conexão com outras cidades da Região Metropolitana. E você aí menosprezando
a sua “estrada de rios”, hein! Francamente... curiosamente, ninguém ainda
discutiu a possibilidade de fazer a travessia com balsas, só não se sabe se
isso é bom, ou é ruim!
O
governo Federal é que, de vez em quando, dá um empurrãozinho nas coisas, mas por
aqui, isso ajuda muito pouco. Como já foi dito, a BR-116 já está estourando a
sua capacidade, quase todo estado depende dela, mas as regiões metropolitana e
vale do Sinos e serrana, por si só, já conseguem saturar toda sua capacidade! E
não existe sequer a possibilidade de duplicá-la, várias cidades cresceram e se
formaram em torno da rodovia. O governo Dilma é que começou a construção de uma
via alternativa, a BR-448, ligando Porto Alegre ao vale do rio dos Sinos. Sim,
é uma obra importante, mas que já nasceu saturada, infelizmente.
Enquanto
isso, entra governo, sai governo, o Estado amontoa estudo em cima de estudo de
viabilidade, os deputados na Assembléia Legislativa discutem os prós e os
contras e se há mesmo a necessidade(!!) de uma estrada estadual, agora segunda
via alternativa à BR-116, ligando Porto Alegre, região metropolitana e vale dos
Sinos... com um nome pomposo de “Rodovia do Progresso”, ou apenas ERS-010.
Desde 2000, há treze, TREZE ANOS, só se discute e se projeta a tal rodovia. O
atual governador, Tarso Genro, escanteou o último estudo feito de viabilidade e
junto o projeto da rodovia, só porque havia sido encomendado pela governadora
anterior, que pertence a um partido de oposição ao governo federal. Dois anos,
setenta matérias de jornal e reportagens, quinhentos programas de debates da TV
Com depois, o nosso digníssimo governador, ainda ante a lentidão nas obras da
nova rodovia federal, que além disso está sendo investigada por MPU, TCU, ou
qualquer coisa assim, decidiu desencavar a tal Rodovia do Progresso, a qual já
julgava provável e definitivamente sepultada, e diz que mandará fazerem novo
estudo de viabilidade, para então encomendar novo projeto, que obviamente não
terá nem data pra começar a sair do
papel... isso, se ficar pronto antes das próximas eleições, é óbvio!
Solução
para os problemas de tráfego e logística no RS, soluções para desafogar o trânsito
e tirar o estado do isolamento em que se encontra? Existem várias, muitas muito
boas, mas todas elas passam pela resolução do nosso principal problema, a
grenalização! Até lá, a terra sem males só vai existir na propaganda do
governo, mesmo.

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