PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Saudades da Baheea


“I don’t want to stay here, I wanna to go back to Bahia...” Já começava assim a música de Paulo Diniz. Lembro da primeira vez que escutei essa música. Lembro que logo de cara chapei nela, gostei muito dela, queria ouvi-la o tempo todo. Mesmo sendo moleque, mesmo sendo uma canção bem antiguinha, já na época em que ouvi primeiro, que tocava, inclusive numa rádio considerada adulta, ou seja, cuja programação era composta principalmente de flashbacks.
De pelo menos metade das referências eu não tinha o pleno conhecimento, sabia muito pouco sobre o Pasquim, a idéia que tinha era de algo semelhante à revista Chiclete com Banana e ao jornal O Planeta Diário. Da Intelsat sabia o que meu pai me contou e olhe, olhe. De resto, a letra era, pra mim, bastante clara. Mesmo sabendo pouco sobre os anos de chumbo da ditadura militar, sobre a perseguição a políticos, jornalistas e artistas, o exílio, voluntário, ou não, compreendi que a mensagem da canção era sobre saudades. Saudades do Brasil, para quem teve de se ausentar, ou foi buscar fora do país um futuro melhor; saudades da terra onde nasceu, da sua cidade, dos lugares da sua infância, da sua vida... saudades da Bahia.
Quer dizer, não conheço a Bahia, pelo menos não muito, conheço só o que vejo pela TV. O que sei de Salvador, vi nos programas de televisão, fiquei sabendo de ouvir falar... mas, saudade da Bahia, querer voltar para a Bahia, mesmo não sendo o meu lugar, passou a ser sinônimo, para mim, de saudades de casa! Tentei trocar “Bahia” por outros lugares, na letra da música, às vezes em que cantarolava, mas o único que funcionou mais ou menos foi “Floripa”... onde só fui em alguns verões da minha infância, e já fazem uns bons 20 anos que não vou a Florianópolis, portanto, aquilo de que sinto saudades lá já deve ter mudado muito, ou talvez nem exista mais! Hoje não troco mais a letra...
Não conheci a Bahia, ainda, mas conheço muitos artistas de lá, de que gosto, Raul Seixas, Caetano e Gil, e Gal, Pepeu Gomes, Moraes Moreira, Pitty, Maglore... a tia de uma amiga é baiana, de Salvador, a conheci em Manaus, quando fui conhecer a família dessa amiga, enfim, eram outros tempos... conheci baianos pelo Brasil afora, gosto disso neles, onde quer que vão, divulgam sua terra, sua cultura, são bairristas, como nós gaúchos, como os cariocas, como os paraenses... gosto de quem tem orgulho e se ufana, um pouquinho, da sua terra, das suas origens. Quem não gosta, ou é paulista, ou tem problemas sérios de auto-estima... ah, conheci uma baiana que era cobradora de ônibus da Real Rodovias, na Grande Porto Alegre! Pois é, veja você...
Aliás, quando morei em Manaus, às vezes em que ouvia a música de Paulo Diniz, “I want to go back to Bahia”, para mim soava como “Quero voltar ao pago, sinto saudades do Rio Grande”, sentia falta da leal e valerosa Porto Alegre, Grande Porto Alegre e Vale do Sinos. Não digo saudades de casa, porque... bem, agora, toda vez que escuto essa mesma canção, lembro de Manaus, de Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru, rio Negro... porque lá também ficou sendo minha casa. I want to go back home, eu quero voltar ao Amazonas!
Pela internet conheci gente de todo país, várias pessoas da Bahia, por causa disso, digamos que toda vez que escuto Paulo Diniz, sinto uma certa nostalgia da Bahia, mesmo sem conhecê-la... tem uma amiga de Facebook, que conheci pelo twitter com quem cruzei só duas vezes... pensando nela, lembrei dessa canção, ouvindo essa música, me peguei sentindo falta da Bahia, pensando “puxa, como sinto falta da baianinha...”
Nesses dias tenho sentido muita falta dela, Band Folia me fez lembrar dela, fotos de Ivete no jornal da segunda de Carnaval me fizeram pensar nela, vi um documentário na TV Educativa, sobre a evolução dos trios elétricos e blocos carnavalescos de Salvador e isso me fez querer stalkeá-la bem de leve... saudades, muitas! Saudade da Bahia... saudades de ti, baianinha... ah, I want my CPU now! I want to see my baianinha!

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