“I don’t want to stay here, I wanna to go back to
Bahia...” Já começava assim a música de Paulo
Diniz. Lembro da primeira vez que escutei essa música. Lembro que logo de cara
chapei nela, gostei muito dela, queria ouvi-la o tempo todo. Mesmo sendo
moleque, mesmo sendo uma canção bem antiguinha, já na época em que ouvi
primeiro, que tocava, inclusive numa rádio considerada adulta, ou seja, cuja programação
era composta principalmente de flashbacks.
De pelo
menos metade das referências eu não tinha o pleno conhecimento, sabia muito
pouco sobre o Pasquim, a idéia que tinha era de algo semelhante à revista
Chiclete com Banana e ao jornal O Planeta Diário. Da Intelsat sabia o que meu
pai me contou e olhe, olhe. De resto, a letra era, pra mim, bastante clara.
Mesmo sabendo pouco sobre os anos de chumbo da ditadura militar, sobre a
perseguição a políticos, jornalistas e artistas, o exílio, voluntário, ou não,
compreendi que a mensagem da canção era sobre saudades. Saudades do Brasil,
para quem teve de se ausentar, ou foi buscar fora do país um futuro melhor;
saudades da terra onde nasceu, da sua cidade, dos lugares da sua infância, da
sua vida... saudades da Bahia.
Quer dizer,
não conheço a Bahia, pelo menos não muito, conheço só o que vejo pela TV. O que
sei de Salvador, vi nos programas de televisão, fiquei sabendo de ouvir
falar... mas, saudade da Bahia, querer voltar para a Bahia, mesmo não sendo o
meu lugar, passou a ser sinônimo, para mim, de saudades de casa! Tentei trocar “Bahia”
por outros lugares, na letra da música, às vezes em que cantarolava, mas o
único que funcionou mais ou menos foi “Floripa”... onde só fui em alguns verões
da minha infância, e já fazem uns bons 20 anos que não vou a Florianópolis,
portanto, aquilo de que sinto saudades lá já deve ter mudado muito, ou talvez
nem exista mais! Hoje não troco mais a letra...
Não conheci
a Bahia, ainda, mas conheço muitos artistas de lá, de que gosto, Raul Seixas,
Caetano e Gil, e Gal, Pepeu Gomes, Moraes Moreira, Pitty, Maglore... a tia de
uma amiga é baiana, de Salvador, a conheci em Manaus, quando fui conhecer a família
dessa amiga, enfim, eram outros tempos... conheci baianos pelo Brasil afora,
gosto disso neles, onde quer que vão, divulgam sua terra, sua cultura, são
bairristas, como nós gaúchos, como os cariocas, como os paraenses... gosto de
quem tem orgulho e se ufana, um pouquinho, da sua terra, das suas origens. Quem
não gosta, ou é paulista, ou tem problemas sérios de auto-estima... ah, conheci
uma baiana que era cobradora de ônibus da Real Rodovias, na Grande Porto
Alegre! Pois é, veja você...
Aliás,
quando morei em Manaus, às vezes em que ouvia a música de Paulo Diniz, “I want
to go back to Bahia”, para mim soava como “Quero voltar ao pago, sinto saudades
do Rio Grande”, sentia falta da leal e valerosa Porto Alegre, Grande Porto
Alegre e Vale do Sinos. Não digo saudades de casa, porque... bem, agora, toda
vez que escuto essa mesma canção, lembro de Manaus, de Iranduba, Itacoatiara,
Manacapuru, rio Negro... porque lá também ficou sendo minha casa. I want to go
back home, eu quero voltar ao Amazonas!
Pela
internet conheci gente de todo país, várias pessoas da Bahia, por causa disso,
digamos que toda vez que escuto Paulo Diniz, sinto uma certa nostalgia da
Bahia, mesmo sem conhecê-la... tem uma amiga de Facebook, que conheci pelo
twitter com quem cruzei só duas vezes... pensando nela, lembrei dessa canção,
ouvindo essa música, me peguei sentindo falta da Bahia, pensando “puxa, como
sinto falta da baianinha...”
Nesses dias
tenho sentido muita falta dela, Band Folia me fez lembrar dela, fotos de Ivete
no jornal da segunda de Carnaval me fizeram pensar nela, vi um documentário na TV
Educativa, sobre a evolução dos trios elétricos e blocos carnavalescos de
Salvador e isso me fez querer stalkeá-la bem de leve... saudades, muitas!
Saudade da Bahia... saudades de ti, baianinha... ah, I want my CPU now! I want
to see my baianinha!

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