Ouvi
ontem à noite alguém falar algo do tipo: “se a boate
Kiss estivesse em Belém do Pará, já tinham
reaberto.” Sim, não duvido, acredito mesmo que sim! Em Santa
Maria – interior do Rio Grande do Sul – também! O que
impede, na realidade, de reabrirem a Kiss é o fato da
“propaganda negativa” ter sido muito grande, ter repercutido
muito mal, inclusive com projeção nacional e
internacional! Sabe como são essas coisas... houveram
mortes... e não foram poucas! Os donos da casa noturna e os
músicos da banda que fez a cagada do show pirotécnico
foram indiciados por homicídio doloso... e isso tudo complica
um pouco o cronograma de reabertura! Se a casa só tivesse
pegado fogo, se não tivesse morrido ninguém, ou pelo
menos o número de vítimas não tivesse chegado ao
absurdo de 239... aí, claro que um mês depois ninguém
lembraria mais, teria havido alguma propaganda negativa, mas a casa
já estaria de volta em funcionamento, as pessoas voltariam a
frequentá-la como se nada tivesse acontecido, o vocalista da
banda já estaria solto e espocando rojões em locais
fechados, tudo bom, tudo bem, tudo na mais santa paz!
Porque,
vamos e venhamos, amigo “estou no pior lugar do mundo, esquecido
por Deus”, o único motivo para não haver uma boate
Kiss em sua cidade é o puro acaso! Somente por acaso ela não
foi estabelecida na sua cidade, bem como o Remulo's não existe
em Santa Maria pelo mesmo motivo! Se um desastre como o que ocorreu
lá acontecesse no Dama da Noite, a “propaganda negativa”
teria exatamente as mesmas proporções e apenas e tão
somente por ela não teria mais voltado a funcionar. O saldo
positivo, se é que se pode dizer assim, de toda essa
“propaganda” sobre a boate Kiss é de que foi chamada a
atenção das pessoas sobre as condições de
segurança dos locais que costumamos frequentar – inclusive
shopping centers, escolas e igrejas – e o poder público,
meio a contragosto, se obrigou a aumentar a vigilância sobre
esses mesmos lugares. A esperança é sempre a mesma, de
que desta vez as pessoas não esqueçam, não
deixem de cobrar as autoridades e, quando fizer um ano do incidente,
as coisas estejam bem melhores. Senão, aí é
imagina na Copa!

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