Foi
confirmada ontem a morte de Chavez. Desta vez não é
boato, é oficial, deu no Jornal Nacional. Ok, o JN não
goza mais da credibilidade de outros tempos, mas ainda estamos num
país onde as notícias ganham caráter oficioso se
forem divulgadas pelas grandes redes midiáticas,
principalmente Globo e afiliadas.
Não
é do Chaves do 8 que estou falando, é do presidente
venezuelano Hugo Chavez, mesmo! Este mês ainda não teve
ninguém “matando” Roberto Bolaños. Quanto ao
governante venezuelano, desde o início do ano vêm
noticiando o falecimento dele. Não eram mais que boatos e
especulações sem comprovação, isso lá
é verdade. Surgiram boatos de todo tipo, inclusive teorias
conspiracionistas sobre uma intervenção do ditador
cubano Raul Castro nas decisões do governo venezuelano. Não
sei e, na verdade, não me importo muito. Desculpem... na
verdade, me interessei mais pelas notícias sobre o estado de
saúde do chefe da República Bolivariana só de
uns dias para cá. Algumas palavras vindas dos próprios
porta-vozes do governo de lá me deixaram com a estranha
impressão de que talvez, talvez, os
alarmistas e conspiracionistas poderiam estar certos, que talvez
os membros do próprio
governo chavista estivessem mesmo escondendo algo, seu presidente, já
morto, por exemplo. Não sei, os próprios venezuelanos
tinham lá suas teorias conspiratórias, como a de uma
“epidemia” de câncer em estadistas sul-americanos,
“provocada”, provavelmente pela CIA – curiosamente acometendo
só os “altamente relevantes”, como os presidentes do
Paraguai, Brasil e a própria Venezuela!
Enfim,
em fevereiro ele apareceu, em fotos, com suas duas filhas, e não
quero crer que elas se prestariam a tal papel e participariam de um
complô armado pelos próprios seguidores de seu pai,
somente para manterem-se no poder... quer dizer, vai saber o que vai
pela cabeça das pessoas que têm o poder?!
Bem,
mas agora não tem churumelas, é oficial e todas as
especulações continuaram no campo das especulações.
Quanto à repercussão e manifestações nas
redes sociais, teve de tudo! Inclusive, de um lado, pessoas
lamentando como se fosse a morte de um familiar, ou de um ente
querido, ou uma estrela pop, um grande estadista, um homem santo, um
mártir... como se Che Guevara, ou Tancredo Neves, tivessem
voltado a morrer. Por outro lado, em contraponto às
manifestações algo fanáticas, algo ridículas,
houveram verdadeiras comemorações, por parte de hienas,
carniceiros sedentos de sangue, que festejavam a morte de Chavez como
se fora um gol do seu time, ou uma vitória acachapante, ou
tivessem ganho um campeonato, ou se o maior rival tivesse pegado uma
peia e fosse goleado! Me senti estranho, me indaguei: era pra tanto?!
Pois parece que falavam da morte de Kim Jong Il, de Adolf Hitler, ou
de Benito Mussolini... e não de Hugo Chavez! Não creio
que ele tenha sido o grande estadista, o maravilhoso governante de
quem tanta gente fala. E quanto a ele ter sido um ditador... esse
termo é um tanto controverso e já está sendo
meio banalizado, não tenho certeza se realmente se aplica a
ele... até hoje há quem negue que Francisco Franco
tenha sido um ditador! Por que Hugo Chavez o seria, então? Só
por conta de meia dúzia de medidas autoritárias?! Sim,
elas ocorreram, como ocorrem em todo governo de sistema
presidencialista. Isso é um fato contra o qual nem os
pseudo-socialistas, nem os neo-liberais podem ir. Quem morreu ontem –
ou há meses, só que só foi anunciado ontem, como
preferir – não foi o ditador que uns alarmistas diziam, nem
o herói inventado por outros tantos. Foi mais uma vítima
de uma doença terrível, o câncer, que por acaso,
era um chefe de estado e de governo. Um tiranete, um caudilho
anacrônico e populista, nada, nem ninguém, além
disso! Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno, amigos...

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