PESCANDO NO BODOSAL

domingo, 3 de julho de 2011

A Vida e Obra de Luiz Ferris - o maior artista do Mundo de todos os tempos (parte I)


Luiz é o cara! Ele tem absoluta certeza disso. Não há cantor como ele, os mais antigos diziam que Frank Sinatra, cantor norte-americano, era “A voz”, mas Luiz considerava isso um absoluto absurdo! Ele costuma dizer que, se também fosse americano, seria muito maior que Frank Sinatra! ELE é que devia ser “a voz”! No violão, não tem pra Almir Sater, Zé Ramalho, Yamandu Costa... o melhor do Brasil, das Américas, do mundo e, quiçá, do Rio de Janeiro todo, com toda certeza, era ele! Na guitarra, todos esses nomes gringos: Jimy Hendrix, Jimmy Page, Keith Richards, Carlos Santana, Erik Clapton, George Harrison... não passavam de amadores! Não tem pra ninguém, Luiz Ferris é o verdadeiro Deus da guitarra! E ai de quem diga o contrário!
O problema é que muita gente dizia o contrário. Muita gente mesmo! Pessoas sem capacidade para perceber um verdadeiro talento, gente sem cultura musical, sem noção, não conseguiam distinguir em meio à multidão o grande gênio de Luiz Ferris! Ele não era nenhum medíocre, disso tinha absoluta certeza. Todos os que riram-se dele e o chamaram assim, um dia haveriam de pagar, de preferência assim que ele alcançasse o almejado sucesso! Aqui se faz, aqui se paga, sempre dizia ele.
Luiz Ferris foi tocar nas noites cariocas, nos barzinhos boêmios da Lapa, Leblon, Barra... só os amigos conseguiam ver sua genialidade. A viam e a invejavam! Todos queriam ser como ele, ter seu talento, não havia dúvidas disso, para ele. Quer dizer: ter o seu talento?! Não!! Queriam roubá-lo! Seus amigos músicos da noite eram todos falsos, sobretudo aquele alemãozinho que tocava balalaika. O alemãozinho só tocava balalaika porque Luiz preferiu aprender violão. Luiz tinha certeza, quando garoto, que como violeiro seria o melhor dentre os melhores, faria mais sucesso que qualquer outro! Mas, tocando aquela espécie de cavaquinho russo?? Não iria chegar a lugar algum com aquilo... era melhor deixar aquele instrumento para Sílvio, o alemão.
E quem poderia imaginar que, algum dia, alguém faria sucesso tocando aquele instrumento estrambólico? Sabia que George Harrison tinha começado tudo, trazendo aquela estranha guitarra indiana para o Ocidente... qual era o nome daquilo, mesmo? Bom, não importa! Luiz sempre teve certeza de que aquele seria um caso isolado. E agora, Sílvio estava metido, tava todo todo, com o sucesso, tinha ficado com a cabeça virada. Nem ao menos reconhecia que, se não fosse por ele ter escolhido o violão e deixado a balalaika de lado, nunca que o alemão teria ficado famoso! Esse mundo é muito ingrato, mesmo... todos os seus velhos amigos eram ingratos! Bastava alcançarem um pouquinho de fama pra que o esquecessem, e nem mais pagassem a ceva pra ele, ou fossem com ele no Posto 8.
Luiz sabia que ia viver da música. Desde muito jovem, ele tinha certeza absoluta disso. Só que a grana que ganhava, cantando e tocando na noite não chegava. Luiz sabia que podia ganhar mais! Esses donos de bares, churrascarias, boates e casas noturnas é que não passavam de uns exploradores! Todos eles!! O Gaúcho, dono de uma churrascaria na Barra era o pior de todos! Não o contratava como músico fixo, argumentava com uma desculpa esfarrapada de que deveria haver rotatividade, e tal... como se os músicos fizessem parte do cardápio de carnes do rodízio! O Gaúcho, então, fez uma proposta indecorosa, para contratá-lo como garçom, ou passador de carne, no verão. Aquilo era uma afronta! Um absurdo! Luiz pensou em pedir as contas – se houvesse alguma conta a pedir! Luiz disse poucas e boas para seu chefe, falou certas verdades que estavam entaladas na sua garganta, tudo sobre ele e a sua maldita raça, que era pior que nordestino, os gaúchos! Disse tudo em frente ao espelho do banheiro da churrascaria. Prometeu a si mesmo que era um ensaio, apenas, que diria tudo direto ao Gaúcho no momento oportuno.
Luiz resolveu dar um tempo na música. Só um tempo... partiu para outros caminhos, a fim de juntar algum dinheiro, fazer um capital para investir na sua carreira musical, no futuro, quem sabe até para gravar seu primeiro LP! Sua carreira musical, enfim, iria deslanchar, Luiz tinha absoluta certeza! Ele nem notava que tinha certezas absolutas demais... e que nenhuma dava certo! Luiz era botafoguense. Tinha certeza absoluta de que era o melhor time do mundo. Seu Botafogo não iria perder a Libertadores. Tinha um timaço, Túlio Maravilha era o cara, melhor que Pelé! Acontece que saiu já na primeira fase. Aí, Luiz teve certeza de que a arbitragem e a Conmebol fizeram tudo pra prejudicar seu time!
Enfim, nesse tempo que deu pra música, Luiz fez ótimos cursos, vários do Instituto Universal Brasileiro, ele já estava colecionando todos os gibis da Disney, por causa dos cupons que vinham encartados. Ele fez até um curso de desenho artístico e publicitário, porque talvez tivesse tanto sucesso quanto o desenhista das historinhas institucionais do IUB. Seu desenho, os seus traços, eram simplesmente fantásticos, maravilhosos! Ele tinha certeza que seria o novo Michelangelo. Mandou alguns de seus desenhos para agências de publicidade, para liceus e para editoras e gráficas. Disseram que seu desenho era razoável, mas não tinha muita profundidade, perspectiva, ou noção de luz e sombras. Luiz enfureceu-se! Mas será que ninguém conseguia perceber seu imenso talento? Não viam que ele era um workaholic, não conseguia ficar parado, estava sempre com a cabeça efervescente! Só porque ele dormia quase doze horas por dia, não queria dizer que ele não se esforçava o suficiente! De tão indignado, Luiz Ferris resolveu tomar uma atitude radical: se trancou no quarto, para desenhar e fazer música.
Depois de uma semana, ele não havia concluído nada do que começara. Mas nas mais de 14 horas de sono diárias daquela semana houve um intenso brainstorm – que à época ainda era novidade! Luiz lembrou-se do seu melhor amigo ever, o cara que lhe pagava todos os pastéis de feira, todas as cervejas, todas as passagens de ônibus e todos os tickets de metrô... Robertão Pedrosa, uma vez, lhe convidou pra fazer um tipo de uma turnê pelo Norte e Nordeste. Disse que tinha vontade de tocar em lugares como Manaus, Rio Branco, Macapá... e era isso que ia fazer! Quem sabe, não faziam o sucesso que esperavam por lá!? Robertão tinha ouvido falar que no Norte, o povo gostava de tudo o que viesse do centro do país. Quem sabe, não se dariam bem por lá? Luiz não teve dúvidas de que o amigo estava ficando louco. O que ele queria, cantar no meio do mato pra um bando de caboclos de pé no chão, analfabetos e sem cultura musical? Se é que tinham alguma cultura... sua mãe era paraense, de Santarém, e era analfabeta de pai e mãe, inculta, praticamente uma índia.
Mas agora... Luiz Ferris teve um lampejo, daqueles lampejos bestiais! Quem sabe o Robertão não estava certo? Quem sabe não fariam o sucesso almejado, no Norte? Conquistar primeiro os aborígenes e seringueiros incultos para, aí sim, depois, conquistar o Brasil e o mundo! Era isso que ele ia fazer! Imediatamente foi ligar para o amigo. Com certeza, a proposta ainda estaria de pé!

Tudo junto, misturado e garantido


Me perguntaram, esses dias, qual será minha próxima viagem. Queria ter grana pra fazer várias viagens, uma por ano, melhor mesmo se pudesse fazer duas, ou três ao ano! Infelizmente, ainda tenho que lutar por anos e fazer as cabeças certas para empreender uma viagem que eu queira muito. Não inventaram ainda o teleporte, não sou um jumper – você viu o filme? então pronto – então as viagens continuam precisando de um longo planejamento e preparação e de um bom capital. Foram quatro anos para voltar a Manaus. Gostaria que fosse mais simples... mas enfim, pra onde eu gostaria de viajar, da próxima vez? Sem nem pensar muito: a Parintins! No mês de junho! Na semana do Festival! Claro que estou falando sério!! E meia dúzia de amigos que tenho, aqui em Manaus, que acham que eu não curto boi bumbá! Nisso me pareço bastante com qualquer turista, acho os bois bumbas parintinenses abesoluteli uândeful! Mais o nosso que o deles – e já aí deixo de ser parecido com qualquer “estrangeiro” que aporta aqui pelo Amazonas. Sou absolutamente fanático pelo boi bumbá vermelho e branco, entro de cabeça na rivalidade, sou capaz de brigar pelo Garantido, sou da galera do Boi do Povão. Da primeira vez que aqui cheguei, ainda não conhecia direito os bumbas, nem sabia pra que lado ficava Parintins, decidi que iria tentar conhecer um pouco dos dois e, aí sim, tentar escolher um para torcer, se fosse o caso... isso foi lá em 2003! Nem época de boi era, quando aqui cheguei. Já em 2005, quando estive pela segunda vez, numa primeira tentativa de ficar por aqui, já havia me decidido pelo Garantido. Difícil não se identificar com as cores, com o apelo popular, etc. Já torcia para o clube do povo do Rio Grande do Sul, no futebol, era meio óbvio torcer para o boi do povão da Baixa do São José.
Desde então sonho em ir a Parintins, no Festival Folclórico, me misturar com a galera encarnada, gritar, cantar junto, arriscar uns passos de dança... do período que fiquei em Manaus, tenho três cds, todos do boi Garantido: 2005, 2006 e 2007. Do contrário, tenho um, que um amigo me emprestou em 2005 e nunca buscou de volta. Não que eu não goste, só não escuto e acho o meu boi bem melhor! Os dois décimos a mais neste ano foram injustos, porque não havia dúvida alguma da superioridade do nosso Garantido sobre o contrário! Embora nosso boi tenha ganho, a diferença não traduz literalmente o que deveria ter sido, pelo que se viu na arena do bumbódromo. Ouvindo a apuração de alguma das noites, qual era, agora não lembro, mas vibrei muito, como se fosse o gol do Gabiru, no Mundial de Clubes de 2006, sobre o poderoso Barcelona, pois alguns jurados deram ao Uirapuru uma nota melhor que ao rei deposto. É impressionante como no contrário, os melhores levantadores de toada se tornam cantores comuns... só o fanatismo consegue explicar uma pessoa conseguir se emocionar, escutando David Assayag nessa fase atual, cantando as toadas do contrário. Que, sinceramente, não creio que ele mesmo sinta qualquer emoção ao cantar. Não consegue passar a emoção que transmitia com tanta desenvoltura e naturalidade, antes. Quando era o Rei David, ele não era nada menos que o melhor levantador de toadas de todos os tempos. Do Garantido?! Não, amigo, de todos, de Parintins!! Se não passasse de uma viagem minha, nem a direção, nem a galera do contrário iriam querer “adquiri-lo”. É fato que sempre quiseram comprar o David, para cantar na sua vaquinha preta. Paradoxalmente, David foi promovido a imperador e, no contrário, acabou parecendo inferior a outros que por lá passaram, como Arlindo Jr. e Edílson Santana. Ah, vá, você da galera azul, preta e branca vai dizer que nem notou! Sei!
Ok, então, vamos encurtar a conversa, pare de ler o post por aqui e deixe logo seu comentário desaforado. Eu não tenho problema nenhum em reconhecer que Sebastião Jr. não é tão bom quanto o Rei David era – leia-se até 2009 – tanto que ele não é o rei, seu apelido é outro. A identificação com o Garantido é tamanha que o tema deste ano sinto que tem tudo a ver. Também tenho a miscigenação no sangue, meu pai contava que o pai dele tinha ido do Nordeste para o Rio Grande, essa família é cabra da peste, misturada com os hermanos, pois minha avó paterna era “doble chapa”, nascida em Paso de los Libres, do lado de lá da fronteira do Brasil com a Argentina, o pai de minha mãe era filho de uma índia com um espanhol, portanto tenho sangue guerreiro, Kaingangue, correndo nas veias, a mãe dela já era filha de alemães. Tem europeu, tem índio, deve ter alguma coisa de africano... não tenho bem certeza. Enfim, nossa família é miscigenada, misturada, como todo brasileiro. Já ouvi falar, até, e sou inclinado a concordar, que, com todas as misturas peculiares que houveram – e continuam havendo – o brasileiro já é como uma etnia a parte, digamos que somos da raça brasileira, uma síntese e um aprimoramento de todos os povos, todas as culturas, todas as raças, o melhor (e o pior) de cada grupo humano que veio fazer a vida e colonizar esta Terra Brasilis. Ta Garantido.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Garota Errada(!?)


Ainda dizem que perco tempo, enfurnado aqui na casa onde estou hospedado. Tenho feito o trabalho deles, tenho ficado de vigia da sua casa, tenho lavado os pratos, copos e talheres, hoje pela manhã lavei minhas roupas, varri o piso do quarto improvisado, lavei o banheiro, passei uma vassoura e um pano no piso da cozinha e do pátio – na parte onde há cerâmica... me diga, conhece algum hóspede que trabalha na casa dos seus anfitriões?! Pois é, também não conheço, não. E realmente, estou perdendo tempo... o MEU tempo!
Ontem, o tempo foi melhor aproveitado. Fiz bem menos, mas aproveitei bem mais. Caminhei daqui até os shoppings, na avenida Djalma Batista. Passei a tarde e parte da noite nos três shopping centers, escrevi pelo menos uns dois textos, que espero aproveitar mais tarde. Aqui, não consigo terminar um, tenho mais privacidade na rua, que aqui na casa. Anotação mental: da próxima vez que vir a Manaus – se é que virei – ficar num hotel. Pelo menos, terei privacidade, que me falta. Sinto que ta enfraquecendo a amizade... de quem realmente importa, ter menos um na minha aba, querendo se fingir de amigão pra ganhar alguma beira, tentando falar mal de mim pra quem já me conhece faz uma cara... isso não pode ser tão mal assim!
Enfim, a utilidade do shopping, pra mim, é climática, acho que já falei disso. Ontem, o calor na rua, debaixo do sol forte, estava cruel, e dentro dos shoppings estava uma friaca de dar gosto. Simplesmente uândeful. De qualquer forma, vou aos shoppings de Manaus por outro motivo, pra saber das novidades e lançamentos fonográficos do momento, em particular dos que sei que vou curtir. Tem vez que saio frustrado por encontrar tanta coisa legal e não ter dinheiro suficiente para adquiri-las. Não é bem um lançamento, mas ontem, numa das lojas dos Benchimol, encontrei o último cd da banda escocesa Belle and Sebastian, do fim do ano passado. Esse último álbum é chamado “Writing about Love”, ou alguma coisa assim. Descobri Belle and Sebastian lá no comecinho dos anos 2000, ouvindo a uma música que tocava em uma rádio universitária do Rio Grande do Sul. Assim que pude, busquei tudo o que pudesse encontrar do grupo. É raro gostar de cantores, músicos e grupos pop, só quando não fazem parte do mainstream global, como é o caso dessa banda escocesa. Seus clipes todos são bacaninhas e suas músicas, a grande maioria, pelo menos, fala de amor, relacionamentos, etc. Apesar disso, gosto muito deles. Havia uma música, chamada “Funny Little Frog”, que escutava sem cansar, quando estava apaixonado por uma menina aí... teve um dado momento em que não podia mais ouvir a música sem chorar. Um dia conto essa história... ou não!
Ontem, escutando os trechos de um minuto das músicas do cd, lembre de uma das músicas mais antiguinhas, falando dessa coisa de conhecer uma garota, se apaixonar, relacionamentos que não dão certo, sonhos e decepções. É “The Wrong Girl”...
“The wrong girl
The wrong kind
The wrong hand to be holding
The wrong eyes to go searching behind
The wrong dream to have on my mind”
A garota errada, o tipo errado, a mão errada para segurar, os olhos errados para buscar algo atrás, o sonho errado para ter na minha cabeça...
Certas palavras soam erradas, estranhas, para mim. “Coleguinha” é uma dessas palavras. Sei lá por quê, acho que alguém usou essa palavra num tom meio sarcástico, ao falar comigo, desde então penso em “coleguinha” como uma palavra pejorativa. Um termo pra ser usado quando você não quer xingar a outra pessoa com alguma expressão chula. É, eu sei que parece – e é! – uma grande bobagem, mas sinto que ser taxado de “coleguinha” é pra acabar... pode notar, colega, não gosto nem de falar essa palavra! Será um problema arranjar uma expressão para falar dos colegas de escola dos meus filhos, quando, e se vier a tê-los, algum dia. Enfim. Voltando àquela música...
Sinto igualmente, em certos momentos, que só me apaixono, só gosto, amo, adoro, me envolvo, me relaciono – raramente – com a garota errada. Mesmo agora, quando penso na menina que é minha musa, minha mais recente paixão platônica... imagino se também é a garota errada. Têm dias que minha filha por adoção parece ser a garota errada... mas, no caso dela, trata-se de uma pré-adolescente, ela está recém começando aquela fase complicada, e desconfio que as flutuações de humor tenham alguma coisa a ver com determinados ciclos mensais...
Minhas paixões anteriores, meus amores, pra toda vida e para as próximas, sempre pareceram fazer questão de mostrarem-se como a garota errada. A futilidade de uma dessas antigas paixões só me deu a certeza desse fato. Está tudo bem, sempre foi assim...ah, não, essa é uma outra música! Nem preciso de uma Amanda – personagem da série global “A Mulher Invisível” - as versões idealizadas das garotas erradas que passaram por minha vida me assombram nos sonhos, de vez em quando.
Cheguei a pensar que conseguiria usar o que aprendi com esses relacionamentos, mas acho que continuo fazendo errado, procurando a garota certa no lugar errado... talvez deva fazer como o cara do clipe dessa música, que só encontrou a sua garota, a certa, no final, depois de muito procurar. Só não vou dizer onde, que é pra não estragar a surpresa, caso você ainda não o tenha visto...

sábado, 25 de junho de 2011

Do Outro Lado do Rio


Ultimamente nada que tenho esquematizado tem dado certo. Poderia dizer que desde que vim a Manaus, isso tem acontecido. Mas não é bem assim. Algumas coisas deram-se como foi esquematizado, ou mais ou menos como o planejado. Hoje, não havia planejado nada. Por isso, nem houve problemas, por assim dizer. Porém, agora há pouco consegui esquematizar a vinda a uma lan house, com meu celular, meu MP5 e um pendrive, que comprei ontem, para passar as fotos dos outros dois para este. E do que fui esquecer?? Do cabo USB! E agora, José?!
Esta semana já tem sido um tanto esquisita, o único dia em que o esquema deu mais ou menos certo foi a segunda-feira – veja você, uma segunda-feira! – quando dei um pulo até o outro lado do rio, para conhecer Manacapuru, logo ali, pouco depois de Iranduba. Mais ou menos porque tirei menos fotos do que gostaria, andei menos pela cidade do que gostaria... mas paciência, fui pra voltar no mesmo dia, são 80 Km, saindo do porto da vila do Cacau Pirera. E não adiantou muito sair cedo de casa, cheguei quase meio-dia do lado de lá do rio Negro. Mas não foi culpa da balsa, ela saiu no horário certo! O problema mesmo são esses ônibus daqui de Manaus.
De vez em quando, penso que deveria ter nascido europeu. Não tenho nada contra automóveis, até curto sonhar com uma Ferrari, Lamborghini, Porsche, etc. Mas sei lá, não me vejo parado, no trânsito caótico de Manaus, ou de Porto Alegre, ou de qualquer outro lugar, ao volante de um carrinho popular seminovo. Curto pacas aquelas reportagens de programas de viagens, tipo o 50 por 1, onde os caras andam de trem, de ônibus, de metrô, BRT, VLT... enfim, transportes coletivos rápidos, seguros e eficientes. Queria muito, mesmo, que aqui no Brasil também fosse assim...
Lá pro outro lado do rio tem isso de transporte urbano, não. Não tem serviço regular de ônibus urbano, no Cacau, em Iranduba e Manacapuru. Pra lá, é só duas rodas. Moto-táxi tem é muito. Mas lá não precisa ter esse serviço de transporte público, não. Basta ter ônibus intermunicipal. Esses não atrasam, não têm – quase – superlotação nos horários de pico, têm de hora em hora, são rápidos, limpos, novos e bem cuidados. Salvo uns que fazem a linha Cacau Pirera – Iranduba. Têm a ver com aquilo lá. Gosto de Iranduba não, eu! Cidadezinha pequena e parada, parece até morta. Cacau Pirera é uma vila, pertence ao município de Iranduba, mas é melhor, mais desenvolvida, mais agitada que a sede propriamente dita. Mais um motivo pra eu não gostar daquela ponte que estão finalizando, além daqueles todos que já falaram por aí: aquela bendita ponte vai facilitar pra quem precisa ir seguidamente a Manacapuru, Novo Ayrão e outras localidades do outro lado do rio, em compensação, vai matar o Cacau Pirera. Ninguém mais vai desembarcar no porto das balsas, a vila vai morrer à míngua, muita gente que vive e trabalha ali vai perder o sustento. Bem que Dudu Braga podia ter puxado essa ponte praquele lado, né!?
Pra você que é daqui e já não curte Manaus, só vê os defeitos e queria fugir praquelas cidades do Eixo do Mal, nem adianta muito eu falar que gosto daqueles lugares ali do outro lado do rio Negro! Mas gostei de Manacá, passeando pela cidade, cogitei de morar pros lados de lá. Até anotei o telefone de uma placa, anunciando apartamentos pra alugar, ali bem próximo da rodoviária da cidade e do parque onde ocorrem os principais eventos, como o festival de cirandas. Achei interessantes as estátuas de cirandeiros, na entrada de Manacapuru. Do outro lado da rodoviária, tem a sede do grupo de ciranda Flor Matizada. Fiquei de voltar a Manacapuru. Não vou voltar ao Rio Grande do Sul antes de ir lá mais uma vez! Gostei de lá, do pouco que conheci. Quero conhecer um pouco mais, levar fotos e lembranças. Tomara que esse esquema ainda dê certo: passar um final de semana, pelo menos, que seja, lá do outro lado do rio! Se em Manacá for caro, passo a noite no Cacau, ou em Iranduba, talvez possa até dar uma esticada até Novo Ayrão... enfim, nem é bom esquematizar muito, vai que... né!?
Tenho me deprimido demais por esses dias. Nem consegui ver a estréia do Garantido no Festival de Parintins deste ano. Pois é, fiquei falando um bom pedaço da cidade da ciranda... e minha paixão, e interesse são pelo festival folclórico de Parintins, pelas toadas e pelos bois bumbás, principalmente o boi do povão, o Garantido. Ano passado até escrevi um texto sobre a transição, meio conturbada, da saída bem mal-explicada do rei David Assayag e sua substituição pelo uirapuru Sebastião Jr. Meu coração tem me parecido meio apertado. Dores de amor. Tenho tido algumas idéias. Tenho sentido saudades dela, da menina a quem vi numa noite de sexta aí. Não temos mais tido encontros fortuitos, não sei se ela tem me visto à distância, sei que eu não a tenho visto... e que queria vê-la mais vezes. Tudo depende dos esquemas, no nosso caso, dependemos dos esquemas do tempo. Que, no momento, não está muito do meu lado...

sábado, 18 de junho de 2011

O meu Nirvana, o meu Umbral


Ontem, estava quase eufórico. Estava no Nirvana, no meu lugar, no meu Shangrilá, apesar de não ter sabido dizer muito mais do que disse... era um estado de graça, uma experiência transcendental, encontrá-la duas vezes no mesmo dia, ouvir-lhe a voz, sentir a sua mão apertando-se na minha, fitar aquele sorriso, aquele olhar... Deus, meu coração palpita só de lembrar!
Hoje, desço do Éden ao Umbral, subi na varanda, me sentei, olhei para o teto, olhei para os lados, olhei para o sol, olhei para o chão... e comecei a chorar e a soluçar. Tentei esconder o som dos suspiros e soluços, tentei abafar o choro, tudo em vão. O coração parecia novamente arrasado por uma daquelas tempestades por que passei, dias atrás. Senti-me só, como antes, solitário em meio a uma casa cheia de gente. A dor, eu a sinto agora, neste exato momento, enquanto escrevo. Uma dor lancinante, no peito, como se uma estaca estivesse sendo enfiada, lentamente, em meu coração.
Ontem vim para cá para falar da linda sexta-feira que tive. Hoje, vim com meu MP3, com minha tristeza e amargura, curtir fossa, curtir tristeza. Daqui, não tem pra onde eu ir. Não sei o que fazer. O que era pra eu fazer, saindo daqui?! Iria pra onde, pra algum shopping center?? Fazer o quê?? Nada vezes nada, mais nada sobre nada, menos nada, igual a nada! Senti-me, de repente, isolado, como não me sentira pela manhã... à tarde, senti-me assim.
Entrar na internet não ajudou, não me sinto menos isolado. Boa parte dos meus “amigos” estão offline, nesse momento. Sinto falta de sair num sábado à noite, mas pra fazer o quê? Talvez devesse ir num forrozinho na Zona Leste, sozinho, pra ver se corro o risco de ser assaltado, ou de pegar logo uma facada de algum galerito que achou que dei em cima da “mina” dele... seria lindo! Não sei mesmo o que fazer... não faço a menor idéia... não tenho vontade de nada... nem de me embebedar...
Acho que sei o que me faz falta... tenho certeza... meu coração sente falta disso. Meu corpo sente falta disso! Não precisaria mais nada, só ter uma cabecinha encostada em meu ombro... só isso... talvez bastasse vê-la novamente, hoje. Apenas vê-la... já estou sentindo sua falta. Me sinto só, por dentro e por fora. Sinto-me vazio. Não sinto falta de alimentos para o corpo... sinto é falta de alguém pra me alimentar a alma. Mas e daí, né?! Vou curtir essa fossa em casa, agora, vou tentar pensar nelas, nas minhas paixões... e sei que a noite toda vai ser pra eu chorar!