PESCANDO NO BODOSAL

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Diazinho Besta - Vontade de Viajar


Tem dia que você acorda e pensa: “hoje não vai prestar...”, não é mesmo? Por exemplo, um dia como hoje, sim, hoje, quinta-feira, 26 de agosto de 2010! Um dia que amanheceu nublado molhado, chatinho, com cara de poucos amigos, um diazinho daqueles em que todo mundo preferia ter ficado na cama – você vê isso na cara das outras pessoas, no ônibus/trem/trânsito. Pra mim, a “certeza” de que não tinha sido uma boa idéia levantar na cama foi logo de manhã, quando me pus a caminho do Centro, pra vir ao trabalho, chegando na esquina da rua em que moro, começam a cair pingos de chuva, violentando meu rosto. Chinguei muito a ameaça de chuva, mas não foi no tuírer... enfim, a manhã modorrenta estava mostrando suas armas, dando mostras que o dia ia ser uma bosta! Mas... Chegando à estação, consigo pegar um trem logo em seguida, com bastante assento vago, ainda melhor! Mas ainda não era um sinal de que hoje, talvez, ainda pudesse ser um bom dia. O sinal de que hoje não seria o dia ruim que se esperava foi quando peguei o jornal, para conferir os números das loterias que joguei, ontem à noitinha: acertei 17 números na Lotomania, aquela onde você tem que acertar 20, pra ganhar o prêmio máximo! Tá, 17 não dá, assim, o prêmio máximo, mas já dá o suficiente pra comprar a cerveja pro churrasco do fim de semana! Não é lá tão bom quanto ganhar sozinho na Mega Sena acumulada, mas já dá um ânimo, por exemplo, meu diazinho de merda se tornou, apesar do céu, ainda cinzento, num dia muito legal e colorido! De repente, lembrei saudosamente dos tempos de menino. Quando menino eu era, pensava em ser militar da Aeronáutica, quem sabe trabalhar na Força Aérea no Rio de Janeiro, como meu pai... principalmente, lembro que, quando menino, queria ser desenhista de HQ de super-heróis, queria ser escritor, lá pelos 10, 12 anos, por exemplo, já queria ser um Júlio Verne, talvez um Jorge Amado, ter meus textos adaptados para tevê e cinema; no comecinho dos anos 90, queria criar um game de lutas de sucesso, como Street Fighter e Mortal Kombat, dois dos que mais jogávamos, meus amigos e eu. Não precisava nem fazer o design, minha idéia era só criar o conceito do game, por exemplo! O storyboard, a base do game! Dar idéia de alguns combos, essa coisa toda! Mas agora, mais ou menos vinte anos depois, ainda continuo – acredite se puder – sonhando ser escritor, mas não me importo tanto em ser um Júlio Verne, talvez mais próximo da realidade, pois visto que não sou nenhum grande gênio como esse cara era. E até porque não queria ter muito mais trabalho, nessa altura da vida! Outra coisa que queria fazer, boa parte do meu tempo: hoje, estava viajando através do Google Earth, um software onde você “passeia” pelo globo terrestre, através de fotos de satélite. Pois, nesse passeio você pode clicar nos ícones, pequenos quadrados azuis, que abrem na tela, com fotos do local que você está visitando, feitas às vezes por turistas, outras vezes pelos próprios moradores... pois, vendo essas fotos, pensei como seria bom estar naqueles lugares. Gostaria de viajar, apenas isso, viajar! Talvez andar pela cidade, conhecendo as ruas, entrando em igrejas... quem sabe pegando a estrada, subindo a serra, descendo ao litoral, indo para o interior... ou então, pegando um vôo, hoje estando aqui, amanhã em Salvador, fim de semana em Manaus, próxima segunda em Belém do Pará... Montevidéu, Liverpool, Cidade do Cabo, Hong Kong... viajar! Não tenho medo de me perder por aí, como diz aquela música da banda Cachorro Grande... viajar e escrever... claro, ter meu canto, minha casa, onde possa receber os amigos pra um churrasco, ou apenas ficar sossegado, com minha filha, descansando. Já falei onde sinto-me em casa. Gostaria de estar lá. Mas agora, gostaria de estar, como falei, na estrada, conhecendo novos lugares, visitando aquelas cidadezinhas que parecem paradas no tempo... onde meu vício pelo tuíter talvez sobrevivesse somente através das mensagens de texto do meu celular... sinto saudades de minha filha, de estar pisando o chão do lugar que, em espírito, chamo de lar, mas hoje me sinto meio cigano, gostaria de abandonar-me no vento, sair por aí voando, em vez de, com um clique do mouse, voar daqui pra Machu Pichu, por exemplo, fizesse realmente isso, com apenas um pensamento! Cara, seria muito bom. Mas a realidade nos prende. Não posso, infelizmente, fazer como a ex, sair daqui hoje e me mandar na doida pra Jerusalém – que sinceramente, é um dos poucos lugares do mundo que não tenho tanta curiosidade em conhecer, São Paulo também é um desses lugares – ou na doida, ou pra se fazer, chamar atenção, sei lá (no caso dela). Por isso, procuro apenas alimentar a esperança de voltar ao menos a voltar ao lar, doce lar!

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