Uma
vez tentei escrever sobre minhas influências... sabe o que é?
Meu sonho, na juventude, era ser escritor... acho que ainda é!
Um dia, já gostei de desenhar, criava personagens,
super-heróis, a maioria muito tosca, sonhava em um dia ir para
a terra das HQs de super-herói, ir para os “States”, quem
sabe trabalhar numa das duas grandes do setor, a DC, ou a Marvel, de
preferência, a segunda... talvez trabalhar com Stan Lee, saca?!
Pra quem não conhece, ele é um tiozinho de cabeça
branca, bigode e óculos escuros, que costuma aparecer nos
filmes do Homem-Aranha. Sem falar que se trata do próprio
criador do aracnídeo escalador de paredes, também dos
X-Men, Hulk, Homem de Ferro e Quarteto Fantástico... pois é,
quando eu era menino e desenhava meus personagens, lá pela
segunda metade dos anos 80, eu queria ser como ele, ou algum dia
trabalhar com a lenda viva, com Stan Lee! Coisas de moleque...
Pois,
quando comecei a escrever, tempos depois, minha intenção,
inicialmente, não era usar isso como terapia. Não era
minha pretensão abrir o baú, tirar esqueletos do
armário, me demonstrar e me expor, além do que me
exponho no pessoal, falar de meus pensamentos, sentimentos, dúvidas,
paixões, etc... não era pra fazer tantas revelações,
como tenho feito ultimamente. Talvez demonstrar o que penso, minhas
opiniões, meus conceitos, sim, isso sim, mas a idéia
era de que fosse por intermédio de metáforas e
parábolas..., pois, quando comecei a escrever, queria ser
contista, romancista, novelista – novela literária, não
telenovela – queria mesmo era enveredar pelo caminho da ficção.
Lia, tentava me espelhar nos escritores de quem me tornara fã,
como Júlio Verne, Conan Doyle, Marion Zimmer Bradley... queria
ter o dom desses caras aí, saber contar uma história e
prender o leitor, aquela coisa toda. Nem sei, tem gente que diz que
gosta do que escrevo, mas é um dos dois ou três leitores
contumazes que tenho.
Imaginar
histórias, pra mim, até que é fácil...
nas viagens mentais que faço – pra quem quiser ler o outro
post, “Viagens”, depois entra no arquivo, tá facinho de
encontrar – costumo mesmo pensar histórias, personagens,
imagino o local onde se desenrola a ação, imagino as
cenas, o enredo, enfim... na minha mente, as histórias se
desenrolam como num filme, sem os problemas de orçamento e pra
formar o elenco, por exemplo. E aí é que tá,
assim como um produtor encontra problemas pra filmar a sua história
exatamente como a imaginou, por essas contingências
supracitadas, encontro também várias dificuldades pra
colocar a história, como estava “escrita”, ou “filmada”
na minha cabeça, no papel. É complicado... é
que, também, tenho um pouco de problema com certos conceitos,
como linearidade, cronologia, tempo de narrativa, etc. Costumo ver a
história, imaginá-la no todo, desde o início até
o fim. Se começo a escrevê-la, é difícil
me concentrar no seu começo, quando a minha mente já
viajou lá pro meio, ou mesmo pro final, ou ainda mais à
frente, pra continuação, ou pra trás, que agora
o lance é você contar “como tudo começou”.
Tão na fila, pra eu ler, Dragão
Vermelho e A
Origem do Mal, as continuações reversas –
parece que é esse o nome que se dá – de O
Silêncio dos Inocentes. Pois é, quando começo
a pensar uma história, imagino conjuntamente todas as
continuações, desdobramentos, spin-offs, é uma
confusão só! Bom seria se tivesse uns eletrodos ligados
diretamente num computador programado pra “escrever” cada
história que invento! Alguém já deu um jeito de
inventar isso daí?!
Esta
semana comecei a ler Dois
Irmãos, de Milton Hatoum, escritor
brasileiro, amazonense, de Manaus. Estou recém no primeiro
capítulo, mas já deu pra sentir-me transportado pra
dentro da história, pra dentro do lugar onde corre a ação,
no caso, a Manaus do pós-guerra, segunda metade dos anos 40...
sim, eu já conheço Manaus, talvez seja fácil me
transportar pra lá, mas a cidade que conheço é
de sessenta anos depois, a que o autor descreve é,
praticamente, uma outra! Ou seja... sim, minha opinião é
de que o autor já tem a manha de te fazer entrar na sua
história, sentir-se parte! Há outros escritores, que
com estilos mais ou menos refinados que o de Hatoum, também me
causam essa impressão. Dois, eu já mencionei antes,
Verne, Zimmer Bradley... mané Stephenie Meyer, tentei ler, uma
vez, aquele bagulho que chamam de “saga vampiresca”, não
consegui, não me senti transportado pra dentro da tal
história. Foi o pior livro que caiu em minhas mãos, e
olha que já li O Diário de um Mago!! Pense!! Bueno...
Gosto
de histórias de vampiros, e essa saga aí que tá
na moda meio que me fez desgostar. Ainda tô pra ler Drácula,
que foi o livro que deu origem a toda literatura – de ficção
– vampiresca. E da literatura contemporânea, o melhor nome,
pelo menos pra mim, ainda é Anne Rice, a criadora do vampiro
Lestat, a autora do best seller Entrevista
com o Vampiro, que até virou filme, nos anos 90, com
Brad Pitt e Tom Cruise, como Lestat.
Mas
esse negócio de escrever ficção... não
sei por que não consigo passar pro papel tudo o que imagino.
Ano passado foi o último conto que escrevi, um conto
porno-erótico, meio de terror, com um final “surpreendente”!
E só. Há uns dois anos, acho, o melhor conto longo, ou
micro-novela que já escrevi até hoje, não era
exatamente uma ficção. O que lhe conferia um quê
de ficção eram a mudança de alguns pequenos
detalhes e a troca dos nomes das personagens, pois esse conto, ou
novela, seja lá como for chamar, era, na verdade, baseado na
minha própria experiência, era sobre as minhas
desventuras com a primeira grande paixão da minha vida, quer
dizer... era um conto autobiográfico, o que acontece com o
personagem, mudando alguns detalhes, foi o que realmente aconteceu
comigo mesmo, de fato, dos véra. Até pensei em
republicar aquela história, mas talvez melhor não... o
conto fora escrito, como que para exorcizar alguns traumas que
sofrera com tal experiência, do insucesso, das mágoas,
etc. E o que passou, passou. Chega de remoer velhos erros e
desenganos, principalmente erros alheios. Se você diz que
perdoou a pessoa, haja como se tivesse perdoado mesmo! Continuo a
gostar da criatura, não como antes, não da mesma forma.
Estou aproveitando o coleguismo que ficou.
E
desde então, não tenho conseguido escrever nada em
prosa que não seja falando de mim mesmo, de algo que gosto, de
alguém que me interessa, de minhas impressões,
opiniões, emoções, situações,
sensações, sentimentos, fatos, ou imaginações.
Dia desses pensei, se não devia desistir de, algum dia, quem
sabe, ser romancista, novelista, ou qualquer outro ista... se não
devia continuar escrevendo só sobre mim, os sentimentos, as
pessoas, continuar fazendo essa terapia psicológica por meio
da escrita, para os outros lerem. Que afinal, é fato que por
aqui me abro e me exponho demais, acho eu, me torno mais vulnerável,
talvez. Também me preocupo com isso. Bom, alguém já
disse que pra ser-se escritor, que a gente tem que perder a paz de
espírito... bom, era mais ou menos assim, ou eu entendi
errado! Enquanto isso, continuarei escrevendo... esperando, algum
dia, conseguir conciliar os textos “do fundo do meu ser” com os
da minha imaginação marromenos fértil. Já
que respostas pra esses questionamentos não tô
encontrando mesmo, esquentar pra que!




E meu caro, e complicado nao colocar o seu Eu nos textos, principalmente quando pessoas proximas leem e de alguma forma encontram semelhanças, e acham assim que estamos falando dela.Eu tento colocar o tal do eu lirico nos textos, mas as vezes quando releio vejo que estou me expondo, colocando sentimentos totalmente secretos.comecei a escrever por causa de timidez em diarios e coisas parecidas, com o tempo fui colocando as coisas em terceira pessoa(fica mais facil rsrs)e depois experiencias de amigos...e por ai vai.Acho que nao da para inclinar o caminho no qual vc quer escrever e sim va escrevendo, escrevendo...
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