PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Coração de Osga


Fiz retrospectivas, fiz resoluções... não esperei, agora vou ter que mudar algumas, ou esperar para ver... só estava esperando o que o Natal iria me trazer. Ontem vi alguma coisa, algo que me trouxe um novo fôlego, para viver um pouco mais este ano. Perdi o sono, perdi um tempo, aqui, do mesmo jeito de agora, escrevendo... tentando escrever, melhor dizendo. A mente e o coração partiram, carreira desabalada, do Sul ao Norte, em questão de segundos. Só duas alternativas, uma imensa espectativa: ou teria o melhor presente de todos os tempos, ou o ano estaria liquidado ante meus olhos, definitivamente, de forma tão lúgubre.
Dia desses, você estava viajando para o Planalto Central, para a Capital Federal. Fiquei preocupado, o que é natural, ao menos para mim. Às pessoas que se quer bem, não se quer que recaia qualquer mal. Ao mesmo tempo, e isso eu não contei, porque “bobagem”, poderiam dizer... me orgulhava por você, por minha musa, a mais linda dentre todas, estava em Brasília a trabalho, me alegrava o seu progresso, nesse seu trabalho.
Por que pensar em minha musa tem que te trazer tanto mal-estar? Por que não pode ficar contente por ter alguém que lhe quer bem, não importando a distância, te ama, se preocupa e – infantil, ele – gostaria até de te proteger? Esse é o cara alegre e legal em mim, que está sempre disposto a te fazer sorrir, com quem você sabe que pode contar, na hora que precisar... ELE é o mesmo cara que pensa o tempo todo em sua musa. “Pensa demais!!”. Quando eu estou triste, ELE te procura, acreditando que possa nos dar o ombro amigo, que ele nunca te negou. Sua maior preocupação, até parece que você não sabe, era fazer jus a você! Merecer o direito a tê-la como sua única musa, sua grande inspiração! O caboclo versador que tem, ou tinha, a ambição de ser teu poeta oficial e favorito, a escrever suas odes, divinamente inspirado pelos sentimentos sublimes, trazidos por sua bela musa. ELE é o palhaço otimista que às vezes até me irrita... ele foi o idiota que quase acreditou que o belo texto talvez fosse pra ele! Era justo ele quem dizia amenizar tua falta em sua vida, pensando em você, sentindo, dentro de si, tua presença, imaginando teu sorriso que lhe é tão caro, teu olhar, que é seu precioso, querendo o absurdo, ter você nos braços, chegando ao delírio máximo de imaginar-nos, os dois, a caminhar lado a lado, já bem velhinhos, à beira do grande rio.
Você gosta mesmo do abestado risonho que conheceu? Ele está louco pra estar aí, rindo pra você, o menino nerd, abestalhado com a vida, admirando tuas belas madeixas, querendo tocá-la, mas com receio de quebrá-la, que desvanecesse na névoa, de desfazer o encanto! Quer saber onde ele está?! Por que, se você teme justamente que ele queira estar a teu lado, te fazendo sorrir, rindo com você, fazendo companhia, sendo feliz em te fazer feliz?! O idiota acha mesmo que poderia te fazer feliz...
O idiota risonho que você disse sentir falta, lembrava-se muito da última noite em que vocês se falaram por telefone. Ele lembrava daquela historinha, a qual você mencionou, dizendo que nas noites em que faltava luz, tua mãe contava. O crianção ficara, realmente, absolutamente encantado pela historinha da princesa e a lagartixa, no lugar do sapo. Como uma criança besta de tão ingênua, com um sorriso sonhador, ele desejou ser a tal da lagartixa, pior, ele decidiu que seria a tal osga encantada, que um dia te mostraria, ou seria descoberto por sua linda musa, que de certeza era a sua doce princesa!
Nas noites do último final de semana, quando dessa tua viagem, sonhamos encontrar você. Não é nada para se preocupar, nós nos comportamos, nos sonhos, eu e ele... conversei sério contigo, mas não estou lembrado do que você falou a ele, só sei que ele amanheceu radiante, mais tranquilo, alegre, sorrindo pras paredes... só sentindo-se um pouco preocupado com o comprimento do meu cabelo.
Aí, a conversa leve, na tarde de segunda-feira, você ainda em Brasília, ele achou que tínhamos ganho o dia, a semana... e, por esta semana, nossa maior preocupação era a mais ridícula possível... “oh, mas é complicado, dá medo!” sim, eu sou o irônico de quem você não gosta. Continuando: estávamos puramente preocupados com nossa falta de idéias, nossa dificuldade para escrever! O bobo só sabe romancear com você, queria escrever algo, na esperança vã de te agradar. O versador pávulo queria escrever algo belo, um poema mais bonito e mais delicado que aquela coisa cafona que enviamos pra você, outro dia, algo que realmente fosse agradável aos olhos e falasse alto ao coração, algo que, para ele, realmente tivesse a cara e a voz da sua musa amada e idolatrada... ele foi quem de primeiro se encantou pelo texto que lemos. Ele que ficou embevecido, tenho minhas dúvidas de que qualquer outro pudesse também ficar assim. Ele ficou encabulado, porque queria saber fazer algo tão belo pra você. ELE, o idiota, ficou cogitando, imaginando, torcendo, quase crendo, que fosse dele que estivessem falando... sério, cá pra nós... tem certeza que gosta dele??!
Eu já sabia que não era... sempre soube... como?!? Nunca é!! Não me surpreendo nem um pouco. A tua osga é que acusou o golpe, ele não sabe viver tranquilo com a tal da realidade, que eu e você entendemos bem! Eu, talvez mais, não sou ingênuo, não sorrio, desconfio das pessoas, desconfio do mundo, não tenho fé alguma que nada de bom possa advir dessa terra de vicissitudes. Amargo?! Realista, com certeza... não romantizo as pessoas. Sei bem do que elas são capazes, do que podem nos negar, mesmo que não precisem.
O osga, tão suave com as palavras, tão suave com você, que quer te agradar, que ama teu sorriso e transborda de alegria com teu riso sincero, ele não está aqui. Se estiver em algum lugar, será com sua musa, onde quer que você a tenha escondido. Por que o quer por perto, se julgou ver em outro aquilo que ele te deu de graça?? Sabe por que não o vê em mim?? Porque ele vai estar sempre ao lado de sua musa. Eu já te falei quem é ela! É perto dela que você vai encontrá-lo! Muito preocupado com ela... com medo, por ela... um pouco triste, porque ela passou tantas vezes perto dele e não o viu... não viu motivo em acreditar, não viu motivo em querer ter para si o que ele vem lhe dando desde sempre. Ele, ainda assim, está ao lado da sua princesa, solícito, como cão carente, desejoso de atenção, sempre pronto pra quando tiver de contar com ele, de verdade, ou... enfim! O seu sorriso, não espere vê-lo, dando tempo ao tempo, esperando poeira baixar, se acostumar com a idéia, “porque, né...”, ou o que for. Sua positividade está concentrada em apenas uma coisa. O sorriso do lagartixa, o amigão legal e bobão, você só vai ver quando estiver pronta.



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