Chove
em meu coração
Chovem
mágoas acumuladas
Mágoas
atrozes
Perdi
meu Norte?!
Não
sei...
Perdi
o rumo, perdi o prumo
A
luz do meu farol
Eu
já não a vejo mais
O
vento parou de soprar
As
velas do meu barco
Em
meio às trevas
Sem
saber onde estou
Nem
mais o quê que eu sou
Se
subo, ou se desço o rio.
Cadê
Yára, que tava aqui?!
Onde
está a chama,
Para
onde é que foi minha musa?!
Meu
barco vazio
Num
mar de tristezas e de solidão
Sinto
a escuridão
Se
aproximar
E
envolver toda embarcação
Envolvendo
meu corpo
Se
alojando em meu coração.
Cachoeira
de lágrimas
Verte,
amarga, de mim
Nada
vejo,
Nem
a ribeira, nem o banzeiro
Estou
perdido...
Aniquilado!?
“Ainda
não!!”
Ouço
uma vozinha distante
Lá
ao longe, em meio às trevas,
Uma
luz mortiça,
Um
pequeno lampião,
Um
amigo oculto na escuridão
Deixada
onde antes estava ela,
Minha
Yára, a musa que me acompanhava.
Só
via o brancor do sorriso
Estranhamente
confiante
Do
novo pequeno amigo,
Trazendo
a sua lanterna
De
chama frágil e com
Sua
luz fraca, mortiça.
Levantei-me
lentamente,
Sem
nem enxergar direito
Sem
saber horizonte
Reaprumei
o barquinho
Retirei
as velas
Peguei
meu remo
E
o empurrei contra a água
Fria
e negra do rio
Rumando
para onde apontava
Com
a fraca luz de lampião
O
novo amigo:
“É
para lá”, disse ele, firme,
Tomando
conta do leme.
“Vamos
nos aligeirar, capitão,
Que
ainda dá tempo
De
a gente alcançar!
A guerra não foi perdida!”


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