PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Voltar a Remar


Chove em meu coração
Chovem mágoas acumuladas
Mágoas atrozes
Perdi meu Norte?!
Não sei...
Perdi o rumo, perdi o prumo
A luz do meu farol
Eu já não a vejo mais
O vento parou de soprar
As velas do meu barco
Em meio às trevas
Sem saber onde estou
Nem mais o quê que eu sou
Se subo, ou se desço o rio.
Cadê Yára, que tava aqui?!
Onde está a chama,
Para onde é que foi minha musa?!
Meu barco vazio
Num mar de tristezas e de solidão
Sinto a escuridão
Se aproximar
E envolver toda embarcação
Envolvendo meu corpo
Se alojando em meu coração.
Cachoeira de lágrimas
Verte, amarga, de mim
Nada vejo,
Nem a ribeira, nem o banzeiro
Estou perdido...
Aniquilado!?
Ainda não!!”
Ouço uma vozinha distante
Lá ao longe, em meio às trevas,
Uma luz mortiça,
Um pequeno lampião,
Um amigo oculto na escuridão
Deixada onde antes estava ela,
Minha Yára, a musa que me acompanhava.
Só via o brancor do sorriso
Estranhamente confiante
Do novo pequeno amigo,
Trazendo a sua lanterna
De chama frágil e com
Sua luz fraca, mortiça.
Levantei-me lentamente,
Sem nem enxergar direito
Sem saber horizonte
Reaprumei o barquinho
Retirei as velas
Peguei meu remo
E o empurrei contra a água
Fria e negra do rio
Rumando para onde apontava
Com a fraca luz de lampião
O novo amigo:
É para lá”, disse ele, firme,
Tomando conta do leme.
Vamos nos aligeirar, capitão,
Que ainda dá tempo
De a gente alcançar!
A guerra não foi perdida!”



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