Hoje
acordei na madrugada, agitado, peguei o celular, para ver as horas,
eram 5h46min. da manhã. É essa a hora que tenho
acordado, já há uns quatro dias. Nunca um sono
tranquilo, sempre a agitação interior. Não que
isso seja ruim, tenho medo do risco de ficar abestado com tal
postura, mas estou tentando aprender com alguém a ver mais o
lado bom das coisas. Essa agitação toda, dentro de mim,
é para sacudir, mesmo, as estruturas, tirar a poeira e as
teias de aranha, revolver a terra, para plantar novas sementes.
Quebrar velhos maus hábitos, repetitivos, viciados, certos
pensamentos equivocados, atitudes equivocadas... renovar ares.
Na
quinta-feira, a agitação dentro de mim foi bem maior.
Acordei no mesmo horário de hoje, sentindo algo, uma força,
uma gama de emoções e sentimentos se fundindo. Desatei
a chorar, um choro diferente dos últimos dias, um choro quase
eufórico. Senti uma necessidade estranha de agradecer ao
Criador, por este ano, pelas pessoas que fazem parte da minha vida,
por tudo o que aprendi e ganhei, até aqui. Sim, é
loucura e sim, foi uma parada muito séria, parecia uma força
muito maior que minha própria vontade. Não sei
explicar. Sei que foi uma abertura de consciência, um grande
momento de lucidez, uma... revelação!
Lembrei,
então, de um sonho que havia tido, no fim de semana passado,
ou no anterior... de repente, ficaram claros os mínimos
detalhes, de cenário, personagens, a conversa. Repeti, no
sonho, padrões que há anos vinham me ferindo, sem que
eu admitisse, pior que isso, vinham ferindo meus amores, também,
em maior, ou menor grau. Sei o que poderão dizer, mas hoje,
pra mim, está bem claro, isso, não é mais figura
de retórica: a amizade é, também, amor, não
é só o sentimento dos apaixonados que é amor...
algumas vezes, nem é, trata-se somente de encantamento. Foi
por todos esses amores que me senti compelido a agradecer, na manhã
de quinta-feira... pois é, e nem era manhã de Natal!
Vai entender... enfim!
Bem,
pois, lembrando do sonho, mais os pensamentos, que então me
vieram, ao acordar, foi-me revelado o que sempre foi óbvio,
mas que havia passado desapercebido, seja porque não estava
conseguindo ver claramente o que estava a um palmo do nariz, seja
porque não quisesse ver, mesmo... o sofrimento e a revolta
pela solidão, porque as pessoas não sabem pelo que
estou passando – assim pensei, diversas vezes – porque preferem
não me dar atenção pra darem a outros menos
votados, etc. Porque da depressão, porque sou um sujeito
triste, que não importa o que diga, nem o que faça, as
pessoas insistem em dar-me muito menos do que estou disposto a dar de
mim... e por aí vai!
Desconfio
que tentei conquistar as pessoas fazendo com que sentissem pena de
mim... fato é que, “papo de coitadinho” só dá
certo em “música” do Latino! Posar de sofredor e de
looser, se fosse há uns cinco anos, e eu tivesse uns 15 de
idade, talvez desse certo... afinal, eu seria um emo!
Sei
que há outras atitudes em mim completamente, ou bastante
equivocadas... quando me encantei por minha musa, quando começava
a me apaixonar, pensei que me bastaria, algum dia, vê-la
passar, o que, efetivamente, veio a acontecer. Eu disse a mim mesmo
que, viesse como viesse, seria muito mais do que eu esperava... mas
acabei voltando a alguns velhos hábitos viciados, os quais já
de outras vezes havia prometido a mim mesmo não repetir.
O
apego excessivo, o lamento pela falta dela aqui, comigo, ou de mim
por lá, perto dela, o sofrimento por sua suposta falta de
atenção, a sensação de que me estavam
sendo tirados os direitos a fazer-lhe as pequenas homenagens, os
textos e versos que gosto tanto de escrever, inspirando-me nela, a
ouvir sua voz... tudo ilusão criada pelo ego. A sensação
de posse, isso é cruel, se ela ficou mesmo estranha, como
imaginei tantas vezes, é porque eu estava estranho, primeiro,
incorrendo em erros que cometo desde sempre. Não somos donos
de ninguém, e vice-versa. Não precisamos da outra
pessoa para viver. Sim, eu sei, eu quero sentir que tenho minha
importância, na vida das pessoas de quem gosto, mas sou como
aquele meme de internet, “você está fazendo isso
errado!”. A angústia da necessidade de saber cada passo seu,
travestida de preocupação e zelo sinceros por minha
paixão... sim, sim, você já deve estar lembrando
de tudo isso, perdoe-me! Não importa se “agora não
adianta mais”, peço-lhe, perdoe-me!
Continuo
lhe querendo, continuo perdidamente apaixonado, após a
tempestade e série de insigts... estou procurando tomar
consciência de algumas coisas, estou sabendo que posso mudar
minha atitude, minha postura, que se vivi solitário, até
hoje, forever alone, já deveria ter aprendido a viver bem
comigo mesmo, sem medo da solidão! Tá, eu acho que a
encontrei, ou reencontrei, mas vivi sem ela até hoje, porque,
de repente, em pouco mais de dois meses longe, acho que vou morrer?!
Não... a analogia da síndrome de abstinência era
tão clara e eu simplesmente não vi... tenho que
aprender várias coisas, agora sei o que é ter
preocupação sincera por ela, pois está “voando”
muito alto, como eu também estava, mas tenho de me
conscientizar que não tenho muito a fazer, a respeito disso,
ela também precisa crescer, andar de bicicleta sem rodinhas.
Sei
que aquilo que quero, talvez não se concretize, talvez não
adiante esperar... mas não será perda de tempo... isso
ainda dói, de vez em quando, mas não tenho por que
perder tempo lastimando. Tenho ideias, tenho em minha mente, talvez
um ideal, talvez uma certeza, não sei, ainda... algo que me
faz acreditar... mas que, lá no fundo, eu sei, ouço a
voz da alma me falar, só se tornará possível,
após ter aprendido o que teimei tanto em não aprender,
até aqui. Por um lado, como disse, ainda a quero, ainda estou
apaixonado, sim, tem dia que dói, tem dia que é
gostoso, esse gostar... sim, eu lhe amo, não há mais
dúvidas, agora, eu sei... gostar e querer, sem pressão,
sem lamentações pela ausência, ou presumida falta
de atenção, sem reclamar que não a tenho... ora,
essa, quem disse?! Quem falou?? Eu a tenho, a trago aqui, comigo,
sim... no meu coração, eu trago muita gente, pessoas,
até, com quem só falei uma vez, na vida, outras com
quem não falo há anos, mas que se tornaram importantes,
de alguma maneira, nessa minha vidinha. Sou grato por essa revelação,
sou mais grato às pessoas que tornaram essa tomada de
consciência possível, que tornam mais agradável a
caminhada, que espero também eu tornar mais doces seus
caminhos... estou aprendendo com cada um dos meus amores! Sou
humildemente grato.


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