PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Revelações do Coração


Hoje acordei na madrugada, agitado, peguei o celular, para ver as horas, eram 5h46min. da manhã. É essa a hora que tenho acordado, já há uns quatro dias. Nunca um sono tranquilo, sempre a agitação interior. Não que isso seja ruim, tenho medo do risco de ficar abestado com tal postura, mas estou tentando aprender com alguém a ver mais o lado bom das coisas. Essa agitação toda, dentro de mim, é para sacudir, mesmo, as estruturas, tirar a poeira e as teias de aranha, revolver a terra, para plantar novas sementes. Quebrar velhos maus hábitos, repetitivos, viciados, certos pensamentos equivocados, atitudes equivocadas... renovar ares.
Na quinta-feira, a agitação dentro de mim foi bem maior. Acordei no mesmo horário de hoje, sentindo algo, uma força, uma gama de emoções e sentimentos se fundindo. Desatei a chorar, um choro diferente dos últimos dias, um choro quase eufórico. Senti uma necessidade estranha de agradecer ao Criador, por este ano, pelas pessoas que fazem parte da minha vida, por tudo o que aprendi e ganhei, até aqui. Sim, é loucura e sim, foi uma parada muito séria, parecia uma força muito maior que minha própria vontade. Não sei explicar. Sei que foi uma abertura de consciência, um grande momento de lucidez, uma... revelação!
Lembrei, então, de um sonho que havia tido, no fim de semana passado, ou no anterior... de repente, ficaram claros os mínimos detalhes, de cenário, personagens, a conversa. Repeti, no sonho, padrões que há anos vinham me ferindo, sem que eu admitisse, pior que isso, vinham ferindo meus amores, também, em maior, ou menor grau. Sei o que poderão dizer, mas hoje, pra mim, está bem claro, isso, não é mais figura de retórica: a amizade é, também, amor, não é só o sentimento dos apaixonados que é amor... algumas vezes, nem é, trata-se somente de encantamento. Foi por todos esses amores que me senti compelido a agradecer, na manhã de quinta-feira... pois é, e nem era manhã de Natal! Vai entender... enfim!
Bem, pois, lembrando do sonho, mais os pensamentos, que então me vieram, ao acordar, foi-me revelado o que sempre foi óbvio, mas que havia passado desapercebido, seja porque não estava conseguindo ver claramente o que estava a um palmo do nariz, seja porque não quisesse ver, mesmo... o sofrimento e a revolta pela solidão, porque as pessoas não sabem pelo que estou passando – assim pensei, diversas vezes – porque preferem não me dar atenção pra darem a outros menos votados, etc. Porque da depressão, porque sou um sujeito triste, que não importa o que diga, nem o que faça, as pessoas insistem em dar-me muito menos do que estou disposto a dar de mim... e por aí vai!
Desconfio que tentei conquistar as pessoas fazendo com que sentissem pena de mim... fato é que, “papo de coitadinho” só dá certo em “música” do Latino! Posar de sofredor e de looser, se fosse há uns cinco anos, e eu tivesse uns 15 de idade, talvez desse certo... afinal, eu seria um emo!
Sei que há outras atitudes em mim completamente, ou bastante equivocadas... quando me encantei por minha musa, quando começava a me apaixonar, pensei que me bastaria, algum dia, vê-la passar, o que, efetivamente, veio a acontecer. Eu disse a mim mesmo que, viesse como viesse, seria muito mais do que eu esperava... mas acabei voltando a alguns velhos hábitos viciados, os quais já de outras vezes havia prometido a mim mesmo não repetir.
O apego excessivo, o lamento pela falta dela aqui, comigo, ou de mim por lá, perto dela, o sofrimento por sua suposta falta de atenção, a sensação de que me estavam sendo tirados os direitos a fazer-lhe as pequenas homenagens, os textos e versos que gosto tanto de escrever, inspirando-me nela, a ouvir sua voz... tudo ilusão criada pelo ego. A sensação de posse, isso é cruel, se ela ficou mesmo estranha, como imaginei tantas vezes, é porque eu estava estranho, primeiro, incorrendo em erros que cometo desde sempre. Não somos donos de ninguém, e vice-versa. Não precisamos da outra pessoa para viver. Sim, eu sei, eu quero sentir que tenho minha importância, na vida das pessoas de quem gosto, mas sou como aquele meme de internet, “você está fazendo isso errado!”. A angústia da necessidade de saber cada passo seu, travestida de preocupação e zelo sinceros por minha paixão... sim, sim, você já deve estar lembrando de tudo isso, perdoe-me! Não importa se “agora não adianta mais”, peço-lhe, perdoe-me!
Continuo lhe querendo, continuo perdidamente apaixonado, após a tempestade e série de insigts... estou procurando tomar consciência de algumas coisas, estou sabendo que posso mudar minha atitude, minha postura, que se vivi solitário, até hoje, forever alone, já deveria ter aprendido a viver bem comigo mesmo, sem medo da solidão! Tá, eu acho que a encontrei, ou reencontrei, mas vivi sem ela até hoje, porque, de repente, em pouco mais de dois meses longe, acho que vou morrer?! Não... a analogia da síndrome de abstinência era tão clara e eu simplesmente não vi... tenho que aprender várias coisas, agora sei o que é ter preocupação sincera por ela, pois está “voando” muito alto, como eu também estava, mas tenho de me conscientizar que não tenho muito a fazer, a respeito disso, ela também precisa crescer, andar de bicicleta sem rodinhas.
Sei que aquilo que quero, talvez não se concretize, talvez não adiante esperar... mas não será perda de tempo... isso ainda dói, de vez em quando, mas não tenho por que perder tempo lastimando. Tenho ideias, tenho em minha mente, talvez um ideal, talvez uma certeza, não sei, ainda... algo que me faz acreditar... mas que, lá no fundo, eu sei, ouço a voz da alma me falar, só se tornará possível, após ter aprendido o que teimei tanto em não aprender, até aqui. Por um lado, como disse, ainda a quero, ainda estou apaixonado, sim, tem dia que dói, tem dia que é gostoso, esse gostar... sim, eu lhe amo, não há mais dúvidas, agora, eu sei... gostar e querer, sem pressão, sem lamentações pela ausência, ou presumida falta de atenção, sem reclamar que não a tenho... ora, essa, quem disse?! Quem falou?? Eu a tenho, a trago aqui, comigo, sim... no meu coração, eu trago muita gente, pessoas, até, com quem só falei uma vez, na vida, outras com quem não falo há anos, mas que se tornaram importantes, de alguma maneira, nessa minha vidinha. Sou grato por essa revelação, sou mais grato às pessoas que tornaram essa tomada de consciência possível, que tornam mais agradável a caminhada, que espero também eu tornar mais doces seus caminhos... estou aprendendo com cada um dos meus amores! Sou humildemente grato.


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