Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Desconforto Eleitoral
Será que sou só eu, ou mais alguém aí tem sentido um certo desconforto com a corrida eleitoral deste ano? Não só a corrida em si, como as notícias que são veiculadas em todos órgãos de imprensa, dos mais sérios – ou considerados como tais – aos mais panfletários; as declarações dos candidatos – principalmente os “dois únicos” – após cada novo capítulo da corrida presidencial, após cada novo resultado de ahn... “pesquisas”! Sim, eu me sinto profundamente desconfortável com o desespero de Serra, embora concorde que filhadaputices como essa da quebra de sigilo fiscal, envolvendo até a filha do candidato a presidente e a apresentadora da Rede Globo, Ana Maria Braga, não devam ficar impunes. E sim, me soa desconfortável e constrangedora a “indignação” do presidente Lula, fingindo não saber – como sempre!! – que há provas contundentes da tal quebra de sigilo, que do contrário, ele não teria inclusive mandado a ABIN investigar esse vazamento de dados, para tentar remediar a situação a seu favor e de sua candidata. Me causa, ainda, um desconforto maior, quando vejo que o TSE e o MPU deixam rolar todas essas baixarias, não punem os candidatos barraqueiros, quando poderiam, inclusive, ameaçá-los com a perda do registro da própria candidatura – de um(a), ou de ambos, preferivelmente – pois toda essa porra faria parte da “festa da democracia”; uma candidata que usa de meios escusos e mesquinhos para desqualificar as acusações sérias a seu partido e a colegas de legenda seus continua aparecendo nas “pesquisas” aparentemente invencível, como se toda baixaria protagonizada por ela e o seu “principal inimigo” – não, o PT não está encarando Serra como apenas adversário no pleito deste ano, mas como um inimigo que deva ser ferozmente combatido até que seja totalmente destruído – fosse um evento menor, como se isso não fosse um indício do que devamos esperar dela, ou de seu(s) adversário(s) nos próximos quatro anos! Já falei aqui, nenhum dos dois me serve como presidente. Mas que o PT é dado a uma baixariazinha, ah, isso não dá pra negar! Mais que qualquer outro partido! Tem muita gente ali que, mesmo depois de 8 anos, não se tocou que não é mais oposição. Bom, isso acima é o que me tem me constrangido, me deixado desconfortável com esse pleito – inclusive com vontade nenhuma de votar – e indignado, sobretudo. Só que o que vou falar agora, me deixa, ahn... curioso! Curioso e, por vezes, divertido! Eu critico mesmo, esse negócio, essa mania que muita gente tem de levar a política “a sério”, como se fosse futebol. Discordo veementemente dessa forma de “se interessar” por política, quando o caboclo pega um candidato e abraça sua bandeira, como se fosse a bandeira do seu time, não vejo nisso uma atitude politizada. Torcer, a gente torce pra time de futebol, associação folclórica, escola de samba, dupla de vôlei de praia, escuderia de carro de corridas, tipo a fórmula 1... mas, agora você torcer pra um candidato, isso, em pleno século XXI, não faz mais o menor sentido! Não estamos mais nos tempos de nossos avós – ou pais, como é o meu caso – em que você deve escolher uma corrente política, deve escolher um lado e lutar por ele; ou se é maragato, ou chimango; federalista, ou positivista; monarquista, ou republicano; capitalista, ou socialista... não!! Agora costuma-se falar no bem comum. No bem do país, no bem das instituições, no bem do povo, enfim. Então, é ESSE o lado do qual você deve estar, é por ESSE lado que você tem que lutar! Certo!? Bom, parece que sim... mas tem muita gente que ainda não se tocou disso! E você acha que somos só eu e você que ficamos nos entrincheirando pra defender os “nossos” candidatos, ou os nossos partidos!? Aliás, gente que defende bandeira de partido é ainda mais difícil de se encontrar, a cada dia... graças a Deus... ou não! Mas então: não, tem gente que é considerado “formador de opinião”, mas que não a forma, apenas a deforma, já a trás mais ou menos pronta, dos tempos de militância estudantil, ou do tempo que o pai, ou a mãe, eram partidários deste ou daquele sistema político. Pois numa rádio local, escuto um locutor “chorar” e “indignar-se” com um jornal do centro do país – a Folha de São Paulo, ou algo assim – porque este veículo de imprensa em questão estaria “crucificando” a candidata petista a presidência. “Oh, puxa, o jornal parecia tão sério, parecia ter uma linha mais independente, mais imparcial...”, ouvi-o dizer. Peraí um pouquinho!! Quer dizer que, se estão repercutindo o mais recente escândalo protagonizado por “aloprados” petistas, então não estão sendo independentes!? Hoje em dia, pelo que se vê, se você é, realmente, independente – se “imparcial”, ou não, não importa, já que “imparcialidade” é um conceito bastante abstrato – você não se curva ante aos poderosos, não teme retaliações, você vai lá e repercute o que está acontecendo, pura e simplesmente, se os poderosos se desagradarão disso, bom, aí já são outros quinhentos! Mas é fato que tem muito jornalista, muito locutor, muito comunicador, em rádio, tevê, web, etc., que não enxerga as coisas dessa maneira, só admite que determinado jornal, determinada rede de tevê, determinado portal de notícias tenham uma linha editorial que seja ambígua para com seus candidatos – sejam eles da situação, ou de oposição – e por outro lado, e aí sim, crucifiquem os seus adversários! Trocando em miúdos: se a situação fosse inversa, se membros do partido do presidente tivessem sido vítimas – ou supostas vítimas, como é fashion dizer hoje – de um suposto crime de vazamento de dados, aí o jornal estaria mais que correto em repercutir a notícia, tinha mais é que botar o dedo na ferida, investigar a fundo, punir os envolvidos, e até mesmo retirar a candidatura do rival, cujo partido tivesse pessoas envolvidas nas denúncias. Mas como foram membros do PSDB, um dos partidos de oposição ao atual governo, as vítimas de tal crime, e como são os membros do principal partido do governo atual – o PT – que incorreram no crime, em que são, inclusive, reincidentes... esses “jornalecos” aí – para o citado radialista, e pra muito mais gente que faz parte da tal “imprensa independente” – tinham mais é que ficar quietos e deixar que o caso se abafasse, que as pessoas esquecessem, ou pelo menos, não pensassem muito a respeito! Começo a desconfiar que esse radialista em questão é mais um dos que “se cansaram” da democracia. Não me espantarei quando chegue o dia em que esse cara diga que há liberdade demais pra quem “não sabe o que fazer” com tanta.
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