Tô que nem obra do governo, com essa gripe: melhora por um lado, por outro, se escangalha. Ontem, me sentia menos cansado e grogue, em compensação, o estômago tava com não sei quê, o dia todo. Hoje, o estômago melhorou, mas a garganta, e a voz... não devia ter me despedido no twitter ontem mandando beijo nas faringes, alguém ali me rogou praga. Ou é comunista raivoso, ou é baiana tricolina, das duas, uma.
A respeito disso... confesso que adoro gente carapucenta no tal do tuírer! Claro que eu também dei uma indireta pra uma pessoa no dito site, mas a carapuça mal foi jogada, lá foi ela apresentando-se e dando explicações. Bem, minha provocação também foi em resposta ao que esta tuitou no site, o que serve de resposta pra muita gente que conheço, inclusive, que repete algumas “máximas” politiqueiras como se fossem a mais pura verdade.
No referido caso, foi dito que: “não discutia-se política com quem anulasse o voto e/ou votasse em Plínio de Arruda Sampaio”, o candidato do PSOL a presidente. Inicialmente pensei em dar uma resposta curta e grossa. Mas não serviria pra nada além de me estressar – e atualmente, no meu estado de saúde frágil e debilitado, ainda, pela gripe que já me acomete há quatro dias, mais ou menos – e causar indisposições desnecessárias. Então optei por uma indireta, que servia pra pessoa em questão, mas também pra outros tuiteiros que porventura estivessem me seguindo.
O caso é que, realmente, não gosto de ouvir todas essas fórmulas prontas que os políticos usam em seus discursos, e que muita gente leiga repete, como se fossem verdades universais, imutáveis e inquestionáveis. Sou contrário a perpetuar certas frases feitas. Mas todo ano de eleição, elas vêm todas de novo.
Não gosto de ouvir frase feita, sobretudo as referentes a política, eleição, votação, assim como não gosto de ouvir gente discutindo política como se fosse futebol, ou religião. Posso estar dizendo uma besteira (quando ouço alguém dizer isso, tenho quase absoluta certeza de que o que será dito será uma imensa besteira - @mvs_motta feelings), mas pensando cá comigo... em política, você é, ou se pretende, partidário de uma... ideologia, certo? E ideologia é uma palavra que tem como raiz etimológica outra palavra, que é idéia, certo? E idéia vai de encontro com: pensamento, raciocínio, cabeça! Certo!? Então, assim: eu não decido candidato com o coração. Eu observo os candidatos aos cargos eletivos. Vejo o que dizem, escuto o que falam, procuro conhecer suas idéias. No fim das contas, escolho um e digo: “é nesse que eu voto”. Mas por onde ele me convence? Seria pelas promessas? Te digo: muito mais pelas propostas, pelas idéias. Posso não concordar com 100%. Ninguém concorda inteiramente com ninguém. Amém a isso! Mas há de ter, no mínimo, uns 50% de concordância de idéias entre o candidato e o eleitor. Presumindo-se, sempre, que o candidato esteja expondo as SUAS idéias... obviamente, com o decorrer da campanha, posso mudar de idéia, pode aparecer um outro candidato que eu ache melhor do que aquele em quem tinha pensado, inicialmente, em votar, ou aquele pode perder alguns pontos comigo, e conseqüentemente meu voto.
Não costumo me engajar na campanha de ninguém. Não torço por candidato. Torço pelo meu Internacional. Torço pela Seleção Brasileira. Brinco, toco flauta no adversário, discuto escalação de time, festejo as vitórias, lamento as derrotas. Em futebol, eu aceito ser mais emocional. Em futebol, admito meus sentimentos. E os demonstro. Agora, defender um político, torcer por ele, vestir a camisa, me emocionar... não. Não era. Em política, o máximo que posso fazer é torcer pra que as coisas melhorem, pra mim, pra você, pro país. Torcer pra não me arrepender de ter ajudado a botar o sujeito lá, a nos representar. Torcer pra que o bonitão lá tenha um mínimo de bom senso e faça o seu trabalho. Eu sei, eu sei que é difícil. Sobretudo com esse sistema, que está bem errado, e não tem nem vestígios de possibilidades de que seja mudado. Nem as reformas, que quase todos eles prometem, serão feitas tão cedo.
Agora, não me venha com o papinho aranha de ter que votar em alguém, de qualquer maneira, porque votar em branco, ou anular voto é “desperdício”, ou “favorece o mau político”. Mesmo o senador Cristovam, do DF, que é um dos poucos que considero como um bom político repetiu uma vez, no site lá, essa verdadeira pérola. O nobre senador deve lembrar que ele também pode se favorecer com isso, ao crer-se nessa “idéia”. Não vou condenar ninguém por votar nulo, ou em branco. Se você acha que nenhum dos candidatos ao sufrágio eleitoral merece seu voto, o que você faz? Vai se obrigar a votar no “menos pior”? Lembre-se, fulano pode ser “menos pior” que beltrana, e ainda assim, será pior!
Se você vota em fulano, tem que ser porque crê ser ele o melhor dentre aqueles que se apresentam pedindo teu voto. Do contrário, votar em fulano porque é pra tirar o cicrano, porque o beltrano é bem pior... não rola! Não muda, não melhora em nada, a tua, a minha, a nossa vida! Entendeu? Não existe isso de “tem que escolher alguém”... se dentre esses que aí estão, você não consegue tirar um, então é justo e admissível votar em branco, ou mesmo nulo, pois você sinaliza, assim, que não tem candidato que mereça teu voto, em quem valha a pena votar! Não querem voto nulo, bem, então me liberem, tornem o voto facultativo. Assim, só vai votar quem aceita votar nessas figuras que aí estão! Quem não aceita votar nessas pintas, que seja desobrigado de ir até a sua seção no pleito do próximo domingo.
E outra coisa que essa pessoa disse: não discutir política com quem anula voto... ou vota no Plínio?! Por que não?? E se vota no Eymael, ou no Fidélix, aí discute?? Voltamos àquela situação, com a qual discordo peremptoriamente: vai discutir com quem vota nos candidatos mais falados pela mídia, que aparecem mais nas pesquisas, é isso!? Vai discutir política com os eleitores que declaram voto nos candidatos “de maior torcida”!? Por quê? Acaso o que declara voto em Plínio de Arruda conhece menos de política que você? Acaso não vai ter idéias, não vai ter cabedal de conhecimento, pra ter uma discussão ao menos inteligível? Bom, tá certo, talvez o receio seja de que ele tenha mais material pra defender sua tese que você. Mas faz parte, é assim mesmo!
Discutir política tem outra coisa: não é o mesmo que discutir voto. Salvo a Maria vai-com-as-outras, acredito que, seja em quem for que uma pessoa vá votar, é por suas próprias convicções que vai votar. Certas, ou equivocadas, isso é uma outra questão. Se o sujeito vota em Serra, Dilma, Marina, Plínio, Eymael, Fidélix, Zé Maria, Rui Costa Pimenta, ou o candidato do PCB, de cujo o nome não lembro agora, é porque acreditam em suas idéias, viram neles qualidades para governar, que podem fazer o melhor pelo país, pelo bem comum, pela democracia, etc.
Eu voto Marina. É um direito meu. Há muitas idéias suas com que concordo, há muitas propostas que me parecem as melhores. Você vota diferente, bom pra você. Eu não vou discutir voto. Nem vou justificar porque voto em quem voto. Justificar, até hoje, só justifiquei ausência em sufrágio eleitoral. Discutir política, amigo, é uma outra coisa!

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