PESCANDO NO BODOSAL

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Eleições 2010: Escolha seu Vilão

No próximo domingo são as eleições. Enfim, esse tormento do horário eleitoral gratuito vai dar um tempo pras nossas cabeças! Apenas três dias antes do primeiro turno, lembro que não faz muito tempo, a propaganda obrigatória em rádio e televisão ia, no máximo, até uma semana antes do dia da eleição! Que costumava ser no feriado de Proclamação da República, 15 de novembro. Quanto a essa mudança, não tenho nenhuma ressalva a fazer, já quanto ao horário eleitoral... Bem, enfim! Quanto mais nos aproximamos da data fatídica, mais os ânimos se acirram, e infelizmente não só entre os candidatos: há amigos na internet que falam muito da sua aldeia, de como é a política lá, e tal. Eu não me considero um privilegiado, mas enfim, eu conheci duas aldeias tão distintas quanto distantes, já cansei de falar disso, mas aparentemente ninguém lê essa porra, então vamos relembrar: eu vi como se faz política em Manaus e vi como se faz política em Porto Alegre e região metropolitana. E sabem o que vi de diferente? Nada, queridos, absolutamente nada! Os políticos tentam ganhar seu voto da mesma forma, os eleitores votam da mesma maneira, os que tentam escolher bem ainda são minoria, a grande maioria ainda vota de olho nas pesquisas eleitorais; ou votam fulano porque é ele quem vai ganhar mermo, ou votam no cicrano, porque é o único que pode vencer fulano – sempre segundo as pesquisas. E em toda eleição tem o vilão da história. Lembro, por exemplo, da eleição de 2006, no Amazonas, onde dois grandes jornais manauaras faziam graves denúncias, cada um contra um dos dois principais candidatos na disputa eleitoral para o governo do Estado. Muita gente deixou de ler um dos jornais, considerado o mais tradicional da cidade, outros tantos deixaram de ler o recém-nascido Correio Amazonense, que teve duração efêmera, o que reforça a idéia de que fora criado apenas para as eleições daquele ano. Muita gente tinha pra si que o então governador, e candidato à reeleição, era o grande vilão, outros tinham como tal o outro, o seu principal adversário, seu ex-mestre e ex-padrinho político, poucos, muito poucos, tinham a ambos como pessoas de pouca confiabilidade para governar – ou seguir governando – o estado do Amazonas. Estou citando aqui o que vi no Amazonas. Agora, o que vi quatro anos antes, no Rio Grande do Sul? Os dois jornais mudam de nome, ambos são considerados os principais e mais tradicionais, sendo que um deles tem já mais de cem anos de história! Pois o mais antigo fazia uma campanha velada pela continuidade do governo, à época do PT, mesmo partido do atual presidente, sempre trazendo denúncias contra os partidos adversários, principalmente o PSDB, do então presidente Fernando Henrique Cardoso, e o PMDB. De outra parte, talvez de uma forma menos aberta, o jornal pertencente ao maior grupo de comunicação da região Sul, afiliado à Globo, trazia-nos os problemas já antigos, com estradas, economia em recessão, agropecuária gaúcha em grave crise, tudo isso levantando a tese de que o governo da época não dera conta da demanda que ele mesmo buscou. Bem...? Alguém aí percebe as semelhanças?! Outro exemplo: tenho ouvido boatos requentados, trazidos a mim por meu padrasto, que teria ouvido dum amigo do cunhado do vizinho de um irmão dele que uma das maiores redes de tevê do país, acho que a quinta, ou sexta, atualmente – a Band – estaria falindo. Não sei se dessa vez o boato procede, sei que é antigo, já me haviam dito algo semelhante há uns 10 anos. Porém, desta vez, talvez a motivação de se trazer tal boato à tona novamente seja outra: lembro perfeitamente que, da primeira vez em que Lula se elegeu presidente, em 2002, uma das emissoras de tevê que mais festejou sua vitória foi exatamente essa, a Band. Que não chegara a declarar, em momento algum, seu “voto” no candidato petista, mas cuja linha editorial de seus jornais era ligeiramente focada nessa direção. Agora, neste ano de 2010, oito anos depois, vejo a mesma emissora com uma linha, uma atitude totalmente contrária àquela que apresentara até, pelo menos, dois anos atrás. Se trata-se de uma tentativa de buscar independência editorial, ou se há outro motivo por trás, isso já não sei. Por outro lado, o Amazonas, que conheci e aprendi a amar quando lá morei, não era tão divulgado no resto do país, como tem sido divulgado ultimamente. É certo pra mim que o Festival Folclórico de Parintins, por exemplo, era muito melhor apresentado pela TV A Crítica, mas esta dependia da boa vontade do SBT, a quem era afiliada na época, pra transmitir a festa para cá. Hoje, com a Record, imagino que seria ainda mais difícil! Enfim, hoje, na Band, o Amazonas é divulgado, e muito bem divulgado, para todo país, em rede nacional. A Globo tá querendo explorar esse filão também, mas ainda muito timidamente. Não há dúvidas, para mim, de que há motivações bem fortes para que a referida rede paulista esteja mudando de posição quanto ao atual governo federal e, paulatinamente, se mudando “de mala e cuia” pra região Norte! Se está falindo, ou se as razões são políticas, além de econômicas, isso não sei dizer. Mas que nesse mato tem coelho, não tenha dúvidas! Agora, o vilão da vez é a tal da mídia. O senhor presidente, sua candidata a sucessão, os ilustríssimos senhores da cúpula do partido do governo se saíram com essa: a culpa dos últimos escândalos na Casa Civil não devem recair sobre a ministra, ou sobre parentes e funcionários corruptos, e sim sobre a imprensa, a internet e a tevê, que divulgaram isso! O chefe do Banco Central veio dizer que na Receita Federal é normal haver vazamento de dados de contribuintes, quer dizer, “a mídia” não tinha nada que se meter nesse negócio aí! Senhor José Dirceu, que nunca foi condenado pelo episódio do mensalão, não tendo sequer perdido seu mandato de deputado federal, nem punição disciplinar por parte do partido, ou a expulsão, pura e simples, foi em frente aos microfones dizer que a imprensa deveria ser “controlada”. Acho incrível que “a mídia” não tenha lembrado os elogios que o senhor presidente molusco fizera ao governo militar, causando certo desconforto a vários “cumpanheros”, nem tanto por soar mal a quem dizia defender a democracia, mais por causa de certas intenções mais autoritárias deles mesmos, que era pra serem mantidas ainda em segredo. “Vai que a gente não consiga se eleger...” Já não me causa estranheza alguns blogueiros e jornalistas, até então contrários aos atuais donos do poder, quererem engrossar o coro do “ódio à mídia nacional”.

Mas senhores, vejam bem: todo ano de eleição é assim, os senhores conhecem bem, estão trabalhando nisso daí, já sabem como funciona! Mesmo assim, os senhores aceitam repetir, sem refletir, as palavras do presidente com cujo modelo político dizem não compactuar, dizendo que “a grande mídia” é que é a grande vilã! Interessante essa postura meio talibã de alguns jornalistas, radialistas, blogueiros, etc, que detestam determinados políticos, mas se unem a eles contra o inimigo “maior”, no caso, a tal da “grande mídia”! Joaquim Roriz e sua ficha: suja é culpa da mídia! Os juízes do STF terem deixado empatar a decisão sobre a validade, já para esta eleição, da Lei da Ficha Limpa: culpa da grande mídia! Suspeitas de desvio de dinheiro no setor de publicidade e marketing do Banco do Estado do Rio Grande do Sul: culpa da grande mídia, oras! Atrasos em obras do PAC, obras entregues às preças, suspeita de pedofilia, tráfico de drogas, de influência, grilagem de terras, relação com as FARC: tudo culpa da grande mídia! Puxa, tão mais fácil culparmos a grande mídia, não é mesmo? Depende: você se lembra que votou em Lula da primeira vez, justamente por culpa da grande mídia? E se não foi a tal da grande mídia a vilã da vitória do senhor presidente em duas eleições seguidas, então... quem foi!? Exatamente: não há grandes vilões. Não é por causa da Rede Globo, da Band, DA Crítica, ou da Zero Hora que não voto na candidata da situação. Não é por causa deles também que não voto naquele considerado o principal candidato da oposição. Sabe aquilo que dizem, que em política não há santos? Pois é... nem vilões!

Nenhum comentário:

Postar um comentário