Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Desilusões Internéticas
Interessante como a gente se engana e se ilude, não é mesmo! Eu confesso, me iludi muito com a esfera internética brazuca. Até ontem, pensava em mim mesmo como alguém que, se não tem uma acurada visão política, ao menos busca tê-la, que estuda para ter uma visão mais crítica... eu sei, não sou tão bom assim! Mas algo me diz que não faço parte da maioria, nem mesmo na internet. Quis crer que, dentro da esfera virtual, as pessoas, por terem mais acesso à informação, seriam, dessa forma, efetivamente mais informadas, que portanto julgariam melhor os políticos, sobretudo os candidatos às próximas eleições, teriam uma melhor noção da importância do voto, não entrariam nas acaloradas discussões pseudo-políticas feitas FORA da ciberesfera, nem “torceriam” para este ou aquele candidato, como se fossem seus times de futebol, tampouco guiariam suas intenções de voto pelo que se vê na propaganda política partidária, que procurariam ser mais criteriosos, conhecer direito a plataforma dos candidatos, ver o que dizem em entrevistas e nos debates. É... vi que me enganei! Normal, faz parte, a gente vive se iludindo. Se você discorda, é porque está se iludindo, guarde sua discordância pra você mesmo(a), grato. Eu é que talvez não estava tão atento assim para o que falava a maioria, na infosfera, pois tenho um conceito, em relação à internet brasileira, que ainda não se mostra de todo errado: a maioria, ou a média da população da internet brasileira não representa a maioria fora do, digamos... Brasil virtual! No Brasil real, a maioria torce para Flamengo, Corinthians e Internacional – no sul do país – mas no Brasil virtual, ou internauta, esses três clubes de futebol não são a maioria. Ao menos dois deles, acho que o Flamengo ainda consegue ser maioria. Pequena, obviamente. Nenhuma maioria na ciberesfera consegue ser uma grande maioria, que dirá esmagadora maioria... enfim! Pois pensei que na política os torcedores de políticos, que se deixam levar pelos belos programas de tevê e pelas belas peças publicitárias que passam no intervalo comercial de seus programas preferidos, ou pela turma em que estão inseridos, para decidirem seus votos, seriam também uma minoria. Não é. É apenas mais uma pequena maioria, como os flamenguistas. Uma minoria que resolve discutir política justamente... em ano de eleição! Foi assim há dois anos, está sendo assim hoje, será assim daqui há mais dois anos. Pessoas discutindo “política”, repetindo as frases feitas sobre a importância do voto, sobre a ineficácia do voto branco e do voto nulo como votos de protesto; pessoas que têm alguma ligação com um partido, ou político em especial, que antes não podiam sequer ouvir falar no nome de outro político – ou sigla partidária – que este ano vestem a camisa do dito cujo e só falta te dizerem que sempre souberam que o sujeito tinha, no fundo, bem no fundo, algum valor! Sim, eu vi isso. Inclusive, da parte de um ex-colega de faculdade, que dava a impressão – e se gabava por isso – de ter uma visão política mais criteriosa. Como eu disse, a gente se ilude... Há ainda outras pessoas que dizem não votar num candidato, por esse não ter muito carisma, por ele “ter cara de looser”, que portanto votam numa candidata, porque seu programa de tevê é bem feitinho, porque ela aparece pouco, mas quando aparece, “mostra sua força, seu carisma, sua liderança”... é! Eu que sou muito burro, então. Ora essa, por que reluto em comprar o produto que estão me vendendo, mostrando como o país melhorou depois que um molusco sentou na cadeira de presidente, mostrando como só uma pessoa pode melhorar mais! Né...?! Pois continuo relutando.
Sabe aquela velha história, quando você vai a uma lanchonete, vê uma foto de um lanche, de um xis, ou hot-dog, e esse lhe parece muito bonito, bem-feito e apetitoso? Aí você vai até o atendente, pede o lanche e, quando ele chega à sua mesa, ou ao balcão... não é nem metade daquilo que você viu na foto?! Pois então, cara!! Se você sabe disso, você não vai saber que propaganda eleitoral é assim também!? Vai!! Não sabe que aquele Brasil que você vê na tevê não é, nem de longe, aquele em que você tá vivendo? Sabe, sim, você sabe... pessoas que dizem que Serra não tem carisma, eu lhes pergunto: a que me interessa se ele é um sujeito simpático!? Eu não quero um vendedor, quero um presidente! Que fique claro, não pretendo votar em José Serra. Por outros motivos, que não eu não ter gostado de suas propagandas na tevê e rádio. Também não votarei Dilma. Também por outros motivos. Não é um programa de tevê preparado por marqueteiros que vai me fazer votar – ou não – em alguém. Procurar saber do presente e do passado do teu candidato!? Pra quê, né!? Os escândalos aparecem mais, em contrapartida, são menos punidos; a mesma turma, a quem o próprio presidente, à época candidatando-se a reeleição, classificou de “aloprada”, está novamente quebrando sigilo de documentos de pessoas públicas, aprontando dossiês falsos, e antes mesmo de ser eleita, a candidata Dilma já está dizendo que não sabe de nada, que não mandou ninguém roubar informações sobre ninguém. Você já viu esse filme antes, mas... ah, o programa dela tava tão bonito, ontem, você viu tanta gente feliz, lá no sertão da Paraíba... gente que, obviamente, você não vai ver andando na rua, pra perguntar se tá tão bom quanto falou, no programa. Pro pessoal lá da Paraíba, vão mostrar um acreano feliz. Pros acreanos, um paulista feliz. E assim por diante. E mesmo você sabendo que há ali uma produção, um marqueteiro, publicitários fazendo brainstorming, tudo financiado com o TEU dinheiro, você resolve que acreditar naquilo é melhor que acreditar na merda de realidade que está bem debaixo do teu nariz, ter que assistir a mais uma presepada dos companheiros aloprados.
Eu não acredito. Nem desacredito. Não me desiludo com a política, ela já tá toda errada, de qualquer jeito. Qualquer dia, digo cumé que tinha que ser. Hoje não, cansei. Quanto ao eleitorado, acho que, na hora que se desiludir de vez, vai ser o caos – ou a tão esperada revolução. Até lá, nem mesmo dos eleitores-internautas não espero mais nada!
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