Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Desconstruindo a Felicidade
Algo me deixou impressionado, neste fim de semana, zapeando pelos canais da melhor tevê aberta do mundo – sim, estou ironizando e não, não tenho assinatura de tevê paga – e fiquei absolutamente pasmo com uma peça publicitária que vi. Não lembro de qual partido se tratava, lembro de um narrador ao fundo dizendo “felicidade é coisa séria” (sério, falando assim mesmo!), depois entrando a cantora paraense Fafá de Belém para falar sobre o projeto de emenda constitucional, segundo o qual, pelo que entendi, estaria garantido o direito de todo cidadão à felicidade pessoal, e a busca pela mesma... sério mesmo! Eu tava bem acordado, quando vi isso e não havia bebido uma gota de álcool, sequer! Se tivesse bebido, talvez tivesse achado legal. Tudo bem, concordo que a busca da felicidade é o que todo mundo almeja, todo mundo quer ser feliz na vida, quer dizer... conheço uma ou duas criaturas que se sentem melhores quando estão infelizes. Mas vamos deixar elas de lado, por enquanto. Sim, tem gente que fica feliz com pequenas coisas, tem muita gente aí que você vê profundamente infeliz, mesmo tendo tudo o que possa adquirir. A felicidade é mesmo subjetiva, nem tudo o que me deixa feliz será o que te deixa feliz também; torcedores do porto-alegrense estão felizes e iludidos com o magérrimo empate que seu “time” supostamente conquistou contra o Flamengo, no estádio do Maracanã. Eu, como torcedor do campeão de tudo, estou feliz que meu time, o Inter, goleou o Clube Atlético do Paraná em casa – e penso que assim é o certo, em “casa” é a gente quem manda. Mas também não é disso que pretendo falar aqui! Sendo a felicidade algo subjetivo, me pergunto, o que esperam fazer com uma emenda constitucional? Garantir a busca pela felicidade, ok, ótimo! Mas como pensam fazer isso? De que forma? Haverá a garantia, por parte dos governos federal, estaduais e municipais, dos meios, da aparelhagem mínima para que o cidadão busque sua felicidade pessoal? Se sim, ótimo. Mas quanto seria o mínimo para alguém conquistar sua felicidade, com quanto eu conseguiria conquistar meus planos e projetos, para assim ser feliz? É realmente complicado. Será que pretendem regularizar a busca da felicidade? Criando regras, dizendo o que é válido para se buscar a felicidade pessoal, ou talvez uma receita de felicidade seja regularizada e considerada válida pelo governo. E os juízes, vão poder oferecer interpretação do que significa felicidade? Apenas o que estiver previsto no texto da lei vai ser considerado como felicidade, e será respeitado o nosso direito, desde que busquemos a mesma pelo que é considerado dentro da lei? O que não estiver previsto no corpo da lei, portanto, não será considerado como felicidade plena... ou simplesmente não será aceito e, talvez, nem permitido, como visão de felicidade? E quais os meios admitidos para se buscar a felicidade pessoal? Não sei, algo me diz que não vai dar certo... Mais preocupante e que me faz profundamente infeliz é que algum congressista, deputado, ou senador da República, sei lá, esteja seriamente levando isso a discussão no congresso, esteja realmente propondo uma emenda constitucional para “garantir a felicidade pessoal”, como se isso necessitasse realmente ser garantido por lei, como se já estivéssemos tranquilos quanto a saúde, transporte, educação, segurança, etc., e o que nos faltasse fosse apenas isso: ter nosso direito à felicidade pessoal garantido por lei! Olha só como a felicidade é algo subjetivo: se os congressistas começarem a trabalhar sério e discutirem as reformas que o Brasil precisa faz uma cara, só isso já me faria muito feliz!
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