PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Desconstruindo o Mau Humor

Insônia me deixa mal-humorado. Acordar às 4h da madrugada fria de uma sexta-feira, levantar e ir ao banheiro, depois ir à cozinha, pois tá com a boca seca e precisa tomar água, não é uma boa. Principalmente se você depois não consegue pregar os olhos novamente e fica rolando na cama, até quase seis horas da manhã, sendo que você levanta às sete... pensamentos desconexos, bocejos; um concurso que você vai prestar só dali há umas 50 horas; cabeça inchada porque seu time ganhava o jogo da noite anterior, no primeiro tempo e deixa o adversário virar no segundo; um semi-sonho em que batemos papo, Julinha – minha filhotinha – e eu, num almoço na serra gaúcha (chique, hein!); os sentimentos contraditórios que me provocam certas lembranças e ainda algumas atitudes daquela garotinha rondoniense a quem detesto tanto, mas tanto que a amo. O resultado é que fico com sono o dia todo. O frio já é suficiente pra me deixar mal-humorado. Experimente você, levantar às 7 horas da manhã pra tomar banho e sair pra trabalhar com temperaturas abaixo de 15°C! Ainda bem que o sol apareceu. Dá um pequeno ânimo, mesmo aquecendo quase o mesmo que a geladeira, ou seja, nada.

Síndrome de abstinência me deixa mal-humorado. Não é bem por falta de drogas pesadas, aliás, não fazem falta, tenho os cds do Garantido 2005, 2006 e 2007, mais o dvd do Festival de Parintins de 2008; tampouco de bebida alcoólica, digamos que por aqui até somos melhor servidos que lá no Norte, temos cervejinhas argentinas, uruguaias e até mexicanas, por aqui – outro dia vi long neck de “Dos Éks” no supermercado. Minha abstinência é outra: falta cupuaçu, falta taperebá, falta tucumã, falta pupunha, falta graviola... “é uma fartura só!” Taperebá, nem pelo nome que conhecem abaixo do rio Negro – cajá – você não encontra por aqui, tucumã e pupunha, então... esquece! Castanha da amazônia, você encontra, mas nem em sonhos, encontra tucumã e pupunha. O que cheguei a encontrar nos mercados locais foram aquelas polpas congeladas, de frutas, que os preguiçosos compram porque não querem sujar as mãos, descascar, cortar a fruta, essas coisas... tudo bem, aqui não tem a fruta mesmo, polpa de cupuaçu e graviola já servem! Só que aquele negócio é mais gelo que a fruta em si, todo suco que faço em casa, com as polpas congeladas de cupuaçu e graviola, que encontrei por aqui, fica mais ralo que suco de pitomba! Acerola até que engana, açaí também, mas você não encontra tapioca. Não tem queijo coalho. Feijão jalo, você até encontra, aí já dá pra misturar com charque, que até passa por jabá – embora o sistema de secar a carne seja diferente da carne de sol e do próprio jabá. Mas o pior de tudo: banana pacovan! Você não encontra banana pacovan! Nem pra remédio... faz falta aquela banana frita comprada do menino que passa no terminal de ônibus da Constantino Nery, com a bacia na cabeça. Toda vez que lembro, fico de mau humor, meus amigos podem, eu não, que m$&#@!
Nossa política tem me deixado bem mal-humorado. Foi bem pertinente o comentário dum colega no twitter, hoje pela manhã, antes não tinha essa leseira de “pré-candidatura”, “pré-candidato”. Agora, todo link na internet que você abre, toda vez que se abre o jornal, ou a revista semanal, que se escuta uma notícia no rádio, ou que se assiste nos telejornais, é pré-candidato pra cá, pré-candidato pra lá... p#%£& de pré-candidato, ou é candidato, ou não é! Falavam tanto em tucanar algumas expressões, sei lá, acho que estão “estrelando” a candidatura a cargos elegíveis... os conchavos me irritam e me deixam de mau humor. Fulano passa o tempo todo falando mal de sicrano, aí o partido de fulano decide apoiar, em nível nacional, a candidatura majoritária do partido de sicrano e o fulano tem que embarcar na roubada junto. Aconteceu recentemente com o Serafim Corrêa, ex-prefeito de Manaus, no Amazonas. A impressão que tive dele era a de um dos poucos políticos sérios que ainda se podiam encontrar aqui no nosso país de Pindorama. Me pareceu mais preocupado em administrar a cidade que em fazer pirotecnias a frente da prefeitura da metrópole da Amazônia. Ultimamente, pelo que pude acompanhar, não tem agradado muito essa sua aliança com Alfredo Nascimento, o ex-ministro de Transportes de Lula. Também não simpatizo com a figura do político potiguar, mas a implosão da candidatura própria do partido de Serafim inviabilizou seu nome como candidato ao governo do Estado. Aqui pelo Rio Grande do Sul aconteceu a mesma coisa, com Beto Albuquerque... que aliás é o fulano com quem não simpatizo, mesmo sendo do partido de Serafim!
Os bastidores das campanhas eleitoreiras também me deixam mal-humorado. Esta semana, que já está no seu final, acompanhei o desenrolar de uma campanha para sujar a imagem de blogueiros manauaras. Acompanhei só como espectador, mas lendo um texto no blog de um dos tuiteiros envolvidos na denúncia falaciosa de um conhecido jornalista e radialista, dono da franquia da Central Brasileira de Notícias naquela cidade, descobri que um dos perfis fakes – falsos – que ele, ou seus colaboradores e funcionários usaram para divulgar a denúncia inventada no último fim de semana, andava me seguindo, não faz muito tempo, coisa de uma ou duas semanas atrás. Ou seja, fui apenas espectador... ou talvez não! Nesta mesma semana, poucos dias depois, interceptei um tuíte de um colega, falando para outro tirar o meu apelido, via site de microblog, de uma lista de perfis fakes do site, porque “talvez” eu não fosse um personagem! Quer dizer, esse desgraçado desse fake me seguiu pra me envolver, de um modo ou de outro, no furdunço, sem lenço, nem documento, caindo de para-quedas! Caso eu fosse mais um blogueiro pro cara pegar no pé, ia meter meu nome no meio dos supostos envolvidos no pretenso “contrato milionário” para campanha de Alfredo Nascimento, do contrário, eu seria também difamado, como um suposto personagem perseguindo e divulgando acusações mentirosas sobre os mesmos blogueiros e formadores de opinião da tuirosfera amazônida! Quer dizer, de gaiato, podia ter meu filme queimado, no meio do fogo cruzado! E se isso não é um bom motivo pra deixar alguém de mau humor, então não sei o que mais pode ser!
Fico mal-humorado com dispersão. É que sou muito dispersivo. Deveria ser mais disciplinado, eu sei, deveria me concentrar melhor. Podia já ter terminado esta b#£¢@ de texto há horas. O tuíter me distrai. O messenger me distrai. Já não tenho perfil próprio no orcute pra administrar, mas tenho dois dedicados a meus bichinhos de estimação e administrá-los me distrai. O blog me distrai! A chateação com coisas aparentemente aleatórias que dizem no messenger me dispersa, me atrasa os trabalhos. Minha querida rondoniense e suas frases romanticuzinhas, supostamente endereçadas ao “verdadeiro amor da sua vida”, embora eu tenha sérias dúvidas de que ele esteja on-line, ou mesmo tenha um messenger para lidar com ela fora do “realspace”, no tempo em que ela se está on-line. Há, sim, boas chances de que a querida esteja usando tais frases pra provocar e desagradar alguns “amigos”, ou talvez só eu. Não seria a primeira atitude eticamente duvidosa de sua parte. Eu não esqueci de meus sentimentos, de suas reações pouco escrupulosas para comigo e meus sentimentalismos, das provocações e promessas quase politiqueiras – sem a menor intenção de serem cumpridas – de sua parte. Eu a odeio. Odeio muito, odeio demais! A odeio tanto que a amo... isso me dispersa. E fico de mau-humor. Estou de mau-humor, agora. Dei uma orcutizada no tuírer, esta tarde, chateadas por lá, aquela coisa toda. Não melhorou meu humor. Porque novamente me tornei disperso. Não suporto dispersividade. Estou mal-humorado!

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