Ontem estava eu de anos em festa... a velha piadinha infame pra dizer que ontem estava completando 33 anos. Escrevi até um post longo pacaraio destilando o mais puro mau-humor. E publiquei aqui mesmo, no “marrapá”, nem sei se alguém leu, se não leu, não tem necessidade. Enfim, até porque dia do meu aniversário quase sempre fico deprimido. Ontem, uma das motivações pra ficar mais deprimido ainda, foi que quase ninguém deu importância, ou se lembrou da data, entre meus amigos. Minha querida apaixonite de Rondônia, essa foi se tocar quando viu a frase no meu messenger, não fosse isso, pra ela também ia passar por brancas nuvens. Não adianta, a odeio tanto, mas tanto, ainda pelas presepadas que me aprontou no ano passado, mas tanto a odeio, que ainda lhe tenho amor! Que merda, né, cara! Bom, mas esperei algum sinal de que outrem se lembrassem da data... minha filhota adotada não aparece no messenger faz séculos, esperava que pelo menos ontem fizesse algum esforço de aparecer, mas nem! Minha segunda mãe, minha mãe manauara – sim, eu tenho uma, que quase foi minha sogra, que me adotou também como filho – pensei que fosse me ligar, ou mandar mensagem pelo celular, qualquer coisa assim! Nada, véi, nada! Poxa vida, fiquei muito sentido mesmo...
Houveram
umas compensações! Ontem pagaram meu almoço! E
não pagaram pouco não! Se quer pagar barato pra comer,
não ofereça pra me pagar um almoço. Então,
chegando no restaurante, lá da ponta do bufê do
self-service, vi uma bela moqueca de peixe próxima dos
talheres e da balança. Oh magna felicidade, pensei, hoje vou
me esbaldar na moqueca de peixe! Adoro moqueca de peixe... tava
contente com essa pequena alegria gastronômica. A medida que
cheguei perto, vi um papelzinho colado com durex, escrito a mão
com aquelas canetas marca-texto: “moqueca de salmão”.
Égua! Um balde de água fria... eu gosto é de
peixe, bro., salmão não é peixe, p$£¢#!
Tá, o animal salmão pertence à família
dos peixes, mas não dá! A primeira coisa que pensei foi
que o pessoal daqui não sabe comer peixe! Claro, ué,
pois tu sabe que salmão não é só caro,
como é muito ruim! Putz, o gosto é horrível! E
tem gente que enche a boca pra falar que come salmão, que
adora salmão, que é muito bom uma banda de salmão
assada. Não, não é nada bom! É terrível
o gosto! Não é gostoso! De jeito nenhum! Fora que por
aqui a maioria das pessoas refugam peixe de rio, só querem
comer peixe de mar. Mas se você só vai comer um peixe se
custar mais de vinte reais o Kg – caso do salmão – você
não sabe comer peixe, não interessa o que tenham te
dito!
Ainda
ontem: o companheiro de minha mãe, além de não
querer me cumprimentar pela data, ainda quis criar uma polêmica,
quis provocar uma discussãozinha sem sentido porque achei
graça quando falou em privatizar a Trensurb S/A, pior ainda,
dizendo que tudo seria melhorado se uma famiglia que monopoliza o
transporte público na pequena e pacata Sapucaia do Sul. Sério,
eu ri porque achei que ele estivesse brincando. Mas ele não
estava brincando! Cara! Ele acredita realmente que aqueles mafiosos
são os sócios majoritários da melhor e mais bem
estruturada empresa de ônibus do RS. Do RS, não, do
Brasil! Do Brasil, não, da América Latina! Da América
Latina, não, do Mundo! Do Mundo, não, do Universo! Do
Universo, não, de Parintins! Um pequeno parêntese:
homenagem a meus antigos colegas de faculdade de turismo na
Universidade Estadual do Amazonas, a quem ironicamente chamávamos
a “confraria de Parintins”.
Pois
bem, e eu achando que eu é que era alienado, ou que não
tinha tanto conhecimento do mundo que me cerca quando deveria e
gostaria. Só lembrando que estou tão ciente da situação
atual no Rio Grande do Sul, tanto quanto em Manaus. Pois veja que o
companheiro de mamãe, seu João, por vezes nos
surpreende, não positivamente, mas enfim, nos surpreende: na
maioria das vezes ele procura, efetivamente, arranjar uma discussão,
criar algum atrito qualquer, pelo motivo mais banal que se possa
imaginar. “Coisa da idade”, tenta contemporizar minha mãe,
pra não entornar o caldo. Fosse eu no lugar dela, deixava
entornar, só pro velhaco ficar esperto! Mas sei lá por
que ela insiste em botar panos quentes, como se precisasse. Não
somos o Irã, ainda... enfim! Desta vez ele, além de
querer criar um conflito, ao qual eu demonstrei não dar a
mínima, respondendo com uma única e singela frase, nada
mais dizendo: “Só acho que temos que ser realistas, e não
fingir que estamos na cidade mais perfeita do mundo, onde todas as
coisas funcionam às mil maravilhas”. Sei que evitar a
polêmica frívola, chamando-lhe, ao mesmo tempo, a
atenção para a sua alienação lhe
desagradaram, mas sei também que ele se aliena porque quer.
Não importa o quão amigo ACHE que é dos mafiosos
do ônibus, não poderia em seu lugar fingir que estou
vendo o transporte público, seja onde for que eu esteja, e
ainda mais em Sapucaia do Sul, através de um arco-íris.
É claro que o sistema de trens urbanos que interliga as
cidades da região metropolitana à capital não é
perfeito! Mas prefiro ainda o trem ao ônibus. Aqui na região
da Grande Porto Alegre, bem entendido. Não sei se este mesmo
sistema, nesses mesmos moldes, funcionaria bem em Manaus. O ideal
simplista me diz que sim, sobretudo se, como no caso daqui da Grande
Porto Alegre, o sistema fosse administrado por um órgão
federal. Sim, que se estivesse nas mãos do Estado, ou mesmo do
município, aí já não sei! E não
estou me referindo apenas a um hipotético sistema de trens
urbanos cruzando a capital baré, estou me referindo também
ao daqui, com que tenho contato diariamente! Se estivesse nas mãos
do Estado, não sei não!
Veja:
o tempo de espera para se pegar um trem é de, no máximo,
15 minutos. Sabe por que os atrasos viram notícia? Porque não
são frequentes! Bem ou mal, o trem ainda consegue manter uma
certa pontualidade, você dificilmente vai ter que descer de uma
composição para esperar por outra, eles raramente ficam
no prego. Quando há atrasos, os motivos são
extraordinários, tipo queda de energia elétrica,
interrupção da linha, por conta de algum obstáculo
nos trilhos, enfim... mas, em condições normais, você
não espera mais que 15 minutos. Claro, há alguns
inconvenientes, o trem só tem uma linha, um itinerário,
do Centro de Porto Alegre ao Centro de São Leopoldo, e
vice-versa. As estações estão, realmente,
negligenciadas, na sua maioria, também necessitariam receber
algumas reformas e melhorias. As estações mais
bacaninhas, mais bem estruturadas, por exemplo, são a Mercado,
no Centro de Porto Alegre; a Unisinos e a São Leopoldo, ambas
na cidade de mesmo nome. As outras já estão um tanto
obsoletas. Mas enfim, ainda assim, prefiro o trem ao ônibus.
E
por quê? Bom, falando no caso específico do município
de Sapucaia do Sul: quanto às lotações, pode-se
dizer que não se tem tanto assim a reclamar. Mas o fato de uma
única empresa monopolizar o sistema de transporte público
de uma cidade pequena, mas não tanto assim, com uma população
de quase 200 mil habitantes, na minha humilde opinião, não
é lá muito alentador. A mesma empresa que controla as
lotações, controla também os ônibus, e
mais algumas linhas de ônibus chamados conurbados, quer dizer:
linhas de coletivos que interligam duas ou mais cidades.
Há
que se levar em conta que Sapucaia é uma cidade-dormitório,
que quer dizer que boa parte de sua população mora
nessa localidade, mas trabalha e/ou estuda em outras localidades
próximas. Usando meu próprio exemplo, estou morando em
Sapucaia, na casa de minha mãe, e trabalho em outra
municipalidade próxima, no caso, Canoas, a segunda, ou
terceira cidade mais povoada do Estado do Rio Grande do Sul. Aqui é
umas duas ou três vezes maior que a cidade de Sapucaia, em
extensão territorial, a população é umas
duas vezes e meia maior, mas também sofre com esse problema,
de uma única empresa, ou conglomerado, que monopoliza o
sistema local de transporte público.
Mas
voltando a Sapucaia, o problema de haver uma única empresa de
transporte público prestando esse serviço se traduz em
veículos obsoletos, que volta e meia ficam no prego, longos
períodos de espera, motoristas e cobradores despreparados e
desmotivados, etc. Há, claro, alguns veículos novos em
circulação, mas não uma renovação
substancial da frota, em si. São poucos os ônibus e
microônibus realmente novos, menos ainda os adaptados, por
exemplo, para transportar portadores de necessidades especiais, como
os cadeirantes, os cegos... sim, sim, eu sei, não é só
lá que vemos esse tipo de problema! Sei disso... mas não
vou ser estúpido ao ponto de dizer “pra essa cidadezinha tá
é muito bom!” Eu mesmo, no que puder, uso o mínimo
possível desse meio de transporte. Da casa de mamãe até
a estação Sapucaia do trem, no centro da cidade, levo
em média 20 minutos de caminhada. Não vale a pena pagar
R$ 2,20 pra fazer esse percurso. Somente uso a lotação,
cujo itinerário passa pelo bairro onde estou morando em dias
de chuva – ou seja, tenho usado com mais frequência,
ultimamente – e à noite, quando vou da estação
do trem para casa. Observei que, apenas no início da manhã
as lotações passam mais frequentemente pelo bairro onde
moro. Entre 6h e 8:30h, os microônibus costumam passar de 15 em
15 minutos, pela projeção mais otimista. A partir de
8:30h, até o último itinerário, por volta de 23
horas, o tempo de espera é de – em média, e sob
circunstâncias consideradas normais, é bom lembrar –
35 minutos. Obviamente, durante os chamados dias úteis, ou
seja, de segunda a sexta-feira. Aos sábados, desde a primeira
lotação até a última que faz esse
itinerário passam dentro dessa média de 35 minutos, e
já os domingos são mais emocionantes, depois que você
perde uma lotação, nunca sabe quando virá a
próxima! Mesmo assim, podemos estabelecer uma média de
tempo de espera, de uns 50 minutos... com muita da boa vontade! No
domingo de dia das mães acabei pegando um microônibus
conurbado que fazia a linha Esteio/São Leopoldo-Cohab, depois
de uma hora de espera, em que passaram duas lotações
das que passam pelo bairro onde moro, mas ambas indo para o outro
extremo de seu itinerário. Quanto aos ônibus conurbados,
esses são ainda mais problemáticos, volta e meia você
pode ter que descer de um e esperar o próximo, pois aquele que
você estava pregou no meio do caminho, e acredite, esse é
o menor dos seus problemas! Teoricamente, os ônibus passam com
um intervalo de 50 minutos, em média, de segunda a sexta,
diminuindo o intervalo para 30 minutos nos horários de pico,
ou seja, no início da manhã e no fim da tarde. Na
prática, o intervalo é de em média 55 minutos,
não importa qual seja o horário em que você se
dirija até a parada. Nos sábados e domingos, algumas
linhas passam em intervalos de uma hora, outras, de duas horas... se
você não tiver sorte, precisará das primeiras, se
tiver sorte, não precisará pegar ônibus no fim de
semana, e se estiver ferrado, vai precisar das últimas linhas!
Em
Manaus, eu sei, não há a opção do trem
urbano, metrô de superfície, nem o bonde não tem
mais. Há apenas o ônibus. Eu sei, a situação
com certeza não é melhor que a de Porto Alegre – da
qual não vou falar muito, porque não tenho conhecimento
de causa – mas também não é pior, nem mesmo
que em Sapucaia. Já foi melhorzinha, no tempo feliz em que
vivi ali. Puro ranço com Amazonino, simpatia pelo então
prefeito Serafim, pra alguns pode parecer isso, e podem estar certos.
Eu não estou assim tão por dentro da situação
atual, mas as informações que recebo, por meio dos
jornais e portais de notícias locais, bem como por meio de
amigos e “parentes” dão conta que a coisa tá mais
feia do que nunca! E eu preocupado, será que ainda tem aquele
ônibus que faz a linha do aeroporto até o Terminal 1, na
Constantino Nery? Não, táxi dali do aeroporto até
o Shangrilá é uma fábula, quase a passagem Porto
Alegre/Manaus de avião, ida e volta! Mas exageros à
parte, tenho algum conhecimento de causa do transporte público
em Manaus: das latas velhas e dos ônibus azuis novinhos,
aqueles adesivados com o brasão do município nas
laterais... tive a graça de não ter morado na Zona
Leste, ou em bairros mais retirados, como Conjunto Canaranas, ou
Santa Etelvina. Eu só imagino o quanto é braba a
situação. Já no Jardim Shangrilá, lá
no fim do Parque Dez, é um pouco complicada. Sei porque tenho
parentes morando ali, também passei um tempo ali, mas morei
mais tempo no Centro da cidade, no São Jorge – próximo
ao CIGS – e na Cachoeirinha – bem próximo ao Terminal 2,
inclusive! Nessas localidades, dava pra se dizer que a situação
era bem mais tranquila, afinal, todos os ônibus, ou quase
todos, têm como destino o Centro; próximo ao CIGS haviam
umas cinco linhas saídas do T1, mais duas saídas do T2
passando por ali; e na Cachoeirinha, próximo ao T2, bem... era
o T2, onde podia pegar coletivos pra praticamente qualquer parte da
cidade! Terminal muito pequeno, obsoleto, mau-estruturado pra receber
tanta gente, mas enfim... imagino que não só pra mim,
como pra todo morador do bairro era bem cômodo ter um terminal
quase na porta de casa!
Hoje
até estou mais bem humorado. Não só pela data,
que já passou, graças a Deus, os dias só tem 24
horas! Também pelo fato de não estar chovendo. Agora a
tarde até abriu um solzinho. Cara, fazia tempo que eu não
via um inverno tão chuvoso, aqui no sul! E sério, não
tava sentindo a menor falta! Oh, ok, tudo bem, oficialmente não
estamos no inverno ainda. Algum professor de geografia meio abestado
mentiu, há muito tempo atrás, que no Rio Grande do Sul
se têm as quatro estações bem definidas e todo
mundo acreditou! Ou eu que sou muito simplista: a temperatura caiu
pra menos de 18 graus, já começou o inverno! Tá,
hoje está mais frio que ontem, um grau, e já é
muito! Sem falar que com o vento gelado que tá soprando lá
fora, parece que baixou uns cinco graus! Imagine: 14°C de
temperatura! Menos cinco!! De manhã, por volta de 9 horas, a
sensação que a gente tinha era de uns 9°C, sem
mentira nenhuma! Olhaí, amigo amazonense: tá achando
ruim o calor de 35°C? Se feche dentro de seu refrigerador, amigo,
fique lá dentro por uma horinha... e depois me diga se é
gostoso o frio lá dentro! De verdade, quero que me diga que
sente inveja por eu estar pegando friagem por aqui e você não!
Lembre-se de não estar na cidade, quando eu for por aí,
que é pra não tomar uma bicuda na garganta! Tá,
o frio é muito horrível, mas já não ter
que carregar uma sombrinha, e não molhar os pés e as
pernas das calças ao caminhar na rua já é alguma
coisa... Deus permita que essa umidade dê um tempo! Mas eu
gostaria muito que o frio também desse um tempo, de verdade...
saudade do clima agradabilíssimo de Manaus! Tá, forcei,
desculpem, mas pra mim, não fazendo frio, já é
uma puta vantagem! Pra mim, Manaus é quase igual a Porto
Alegre, sob muitos aspectos... leva vantagem em vários outros,
a ausência de clima frio, e principalmente, de pessoas frias e
fechadas, é, com certeza, na minha óptica, uma imensa
vantagem!

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