PESCANDO NO BODOSAL

quarta-feira, 19 de maio de 2010

33 Parte II



Ontem estava eu de anos em festa... a velha piadinha infame pra dizer que ontem estava completando 33 anos. Escrevi até um post longo pacaraio destilando o mais puro mau-humor. E publiquei aqui mesmo, no “marrapá”, nem sei se alguém leu, se não leu, não tem necessidade. Enfim, até porque dia do meu aniversário quase sempre fico deprimido. Ontem, uma das motivações pra ficar mais deprimido ainda, foi que quase ninguém deu importância, ou se lembrou da data, entre meus amigos. Minha querida apaixonite de Rondônia, essa foi se tocar quando viu a frase no meu messenger, não fosse isso, pra ela também ia passar por brancas nuvens. Não adianta, a odeio tanto, mas tanto, ainda pelas presepadas que me aprontou no ano passado, mas tanto a odeio, que ainda lhe tenho amor! Que merda, né, cara! Bom, mas esperei algum sinal de que outrem se lembrassem da data... minha filhota adotada não aparece no messenger faz séculos, esperava que pelo menos ontem fizesse algum esforço de aparecer, mas nem! Minha segunda mãe, minha mãe manauara – sim, eu tenho uma, que quase foi minha sogra, que me adotou também como filho – pensei que fosse me ligar, ou mandar mensagem pelo celular, qualquer coisa assim! Nada, véi, nada! Poxa vida, fiquei muito sentido mesmo...
Houveram umas compensações! Ontem pagaram meu almoço! E não pagaram pouco não! Se quer pagar barato pra comer, não ofereça pra me pagar um almoço. Então, chegando no restaurante, lá da ponta do bufê do self-service, vi uma bela moqueca de peixe próxima dos talheres e da balança. Oh magna felicidade, pensei, hoje vou me esbaldar na moqueca de peixe! Adoro moqueca de peixe... tava contente com essa pequena alegria gastronômica. A medida que cheguei perto, vi um papelzinho colado com durex, escrito a mão com aquelas canetas marca-texto: “moqueca de salmão”. Égua! Um balde de água fria... eu gosto é de peixe, bro., salmão não é peixe, p$£¢#! Tá, o animal salmão pertence à família dos peixes, mas não dá! A primeira coisa que pensei foi que o pessoal daqui não sabe comer peixe! Claro, ué, pois tu sabe que salmão não é só caro, como é muito ruim! Putz, o gosto é horrível! E tem gente que enche a boca pra falar que come salmão, que adora salmão, que é muito bom uma banda de salmão assada. Não, não é nada bom! É terrível o gosto! Não é gostoso! De jeito nenhum! Fora que por aqui a maioria das pessoas refugam peixe de rio, só querem comer peixe de mar. Mas se você só vai comer um peixe se custar mais de vinte reais o Kg – caso do salmão – você não sabe comer peixe, não interessa o que tenham te dito!
Ainda ontem: o companheiro de minha mãe, além de não querer me cumprimentar pela data, ainda quis criar uma polêmica, quis provocar uma discussãozinha sem sentido porque achei graça quando falou em privatizar a Trensurb S/A, pior ainda, dizendo que tudo seria melhorado se uma famiglia que monopoliza o transporte público na pequena e pacata Sapucaia do Sul. Sério, eu ri porque achei que ele estivesse brincando. Mas ele não estava brincando! Cara! Ele acredita realmente que aqueles mafiosos são os sócios majoritários da melhor e mais bem estruturada empresa de ônibus do RS. Do RS, não, do Brasil! Do Brasil, não, da América Latina! Da América Latina, não, do Mundo! Do Mundo, não, do Universo! Do Universo, não, de Parintins! Um pequeno parêntese: homenagem a meus antigos colegas de faculdade de turismo na Universidade Estadual do Amazonas, a quem ironicamente chamávamos a “confraria de Parintins”.
Pois bem, e eu achando que eu é que era alienado, ou que não tinha tanto conhecimento do mundo que me cerca quando deveria e gostaria. Só lembrando que estou tão ciente da situação atual no Rio Grande do Sul, tanto quanto em Manaus. Pois veja que o companheiro de mamãe, seu João, por vezes nos surpreende, não positivamente, mas enfim, nos surpreende: na maioria das vezes ele procura, efetivamente, arranjar uma discussão, criar algum atrito qualquer, pelo motivo mais banal que se possa imaginar. “Coisa da idade”, tenta contemporizar minha mãe, pra não entornar o caldo. Fosse eu no lugar dela, deixava entornar, só pro velhaco ficar esperto! Mas sei lá por que ela insiste em botar panos quentes, como se precisasse. Não somos o Irã, ainda... enfim! Desta vez ele, além de querer criar um conflito, ao qual eu demonstrei não dar a mínima, respondendo com uma única e singela frase, nada mais dizendo: “Só acho que temos que ser realistas, e não fingir que estamos na cidade mais perfeita do mundo, onde todas as coisas funcionam às mil maravilhas”. Sei que evitar a polêmica frívola, chamando-lhe, ao mesmo tempo, a atenção para a sua alienação lhe desagradaram, mas sei também que ele se aliena porque quer. Não importa o quão amigo ACHE que é dos mafiosos do ônibus, não poderia em seu lugar fingir que estou vendo o transporte público, seja onde for que eu esteja, e ainda mais em Sapucaia do Sul, através de um arco-íris. É claro que o sistema de trens urbanos que interliga as cidades da região metropolitana à capital não é perfeito! Mas prefiro ainda o trem ao ônibus. Aqui na região da Grande Porto Alegre, bem entendido. Não sei se este mesmo sistema, nesses mesmos moldes, funcionaria bem em Manaus. O ideal simplista me diz que sim, sobretudo se, como no caso daqui da Grande Porto Alegre, o sistema fosse administrado por um órgão federal. Sim, que se estivesse nas mãos do Estado, ou mesmo do município, aí já não sei! E não estou me referindo apenas a um hipotético sistema de trens urbanos cruzando a capital baré, estou me referindo também ao daqui, com que tenho contato diariamente! Se estivesse nas mãos do Estado, não sei não!
Veja: o tempo de espera para se pegar um trem é de, no máximo, 15 minutos. Sabe por que os atrasos viram notícia? Porque não são frequentes! Bem ou mal, o trem ainda consegue manter uma certa pontualidade, você dificilmente vai ter que descer de uma composição para esperar por outra, eles raramente ficam no prego. Quando há atrasos, os motivos são extraordinários, tipo queda de energia elétrica, interrupção da linha, por conta de algum obstáculo nos trilhos, enfim... mas, em condições normais, você não espera mais que 15 minutos. Claro, há alguns inconvenientes, o trem só tem uma linha, um itinerário, do Centro de Porto Alegre ao Centro de São Leopoldo, e vice-versa. As estações estão, realmente, negligenciadas, na sua maioria, também necessitariam receber algumas reformas e melhorias. As estações mais bacaninhas, mais bem estruturadas, por exemplo, são a Mercado, no Centro de Porto Alegre; a Unisinos e a São Leopoldo, ambas na cidade de mesmo nome. As outras já estão um tanto obsoletas. Mas enfim, ainda assim, prefiro o trem ao ônibus.
E por quê? Bom, falando no caso específico do município de Sapucaia do Sul: quanto às lotações, pode-se dizer que não se tem tanto assim a reclamar. Mas o fato de uma única empresa monopolizar o sistema de transporte público de uma cidade pequena, mas não tanto assim, com uma população de quase 200 mil habitantes, na minha humilde opinião, não é lá muito alentador. A mesma empresa que controla as lotações, controla também os ônibus, e mais algumas linhas de ônibus chamados conurbados, quer dizer: linhas de coletivos que interligam duas ou mais cidades.
Há que se levar em conta que Sapucaia é uma cidade-dormitório, que quer dizer que boa parte de sua população mora nessa localidade, mas trabalha e/ou estuda em outras localidades próximas. Usando meu próprio exemplo, estou morando em Sapucaia, na casa de minha mãe, e trabalho em outra municipalidade próxima, no caso, Canoas, a segunda, ou terceira cidade mais povoada do Estado do Rio Grande do Sul. Aqui é umas duas ou três vezes maior que a cidade de Sapucaia, em extensão territorial, a população é umas duas vezes e meia maior, mas também sofre com esse problema, de uma única empresa, ou conglomerado, que monopoliza o sistema local de transporte público.
Mas voltando a Sapucaia, o problema de haver uma única empresa de transporte público prestando esse serviço se traduz em veículos obsoletos, que volta e meia ficam no prego, longos períodos de espera, motoristas e cobradores despreparados e desmotivados, etc. Há, claro, alguns veículos novos em circulação, mas não uma renovação substancial da frota, em si. São poucos os ônibus e microônibus realmente novos, menos ainda os adaptados, por exemplo, para transportar portadores de necessidades especiais, como os cadeirantes, os cegos... sim, sim, eu sei, não é só lá que vemos esse tipo de problema! Sei disso... mas não vou ser estúpido ao ponto de dizer “pra essa cidadezinha tá é muito bom!” Eu mesmo, no que puder, uso o mínimo possível desse meio de transporte. Da casa de mamãe até a estação Sapucaia do trem, no centro da cidade, levo em média 20 minutos de caminhada. Não vale a pena pagar R$ 2,20 pra fazer esse percurso. Somente uso a lotação, cujo itinerário passa pelo bairro onde estou morando em dias de chuva – ou seja, tenho usado com mais frequência, ultimamente – e à noite, quando vou da estação do trem para casa. Observei que, apenas no início da manhã as lotações passam mais frequentemente pelo bairro onde moro. Entre 6h e 8:30h, os microônibus costumam passar de 15 em 15 minutos, pela projeção mais otimista. A partir de 8:30h, até o último itinerário, por volta de 23 horas, o tempo de espera é de – em média, e sob circunstâncias consideradas normais, é bom lembrar – 35 minutos. Obviamente, durante os chamados dias úteis, ou seja, de segunda a sexta-feira. Aos sábados, desde a primeira lotação até a última que faz esse itinerário passam dentro dessa média de 35 minutos, e já os domingos são mais emocionantes, depois que você perde uma lotação, nunca sabe quando virá a próxima! Mesmo assim, podemos estabelecer uma média de tempo de espera, de uns 50 minutos... com muita da boa vontade! No domingo de dia das mães acabei pegando um microônibus conurbado que fazia a linha Esteio/São Leopoldo-Cohab, depois de uma hora de espera, em que passaram duas lotações das que passam pelo bairro onde moro, mas ambas indo para o outro extremo de seu itinerário. Quanto aos ônibus conurbados, esses são ainda mais problemáticos, volta e meia você pode ter que descer de um e esperar o próximo, pois aquele que você estava pregou no meio do caminho, e acredite, esse é o menor dos seus problemas! Teoricamente, os ônibus passam com um intervalo de 50 minutos, em média, de segunda a sexta, diminuindo o intervalo para 30 minutos nos horários de pico, ou seja, no início da manhã e no fim da tarde. Na prática, o intervalo é de em média 55 minutos, não importa qual seja o horário em que você se dirija até a parada. Nos sábados e domingos, algumas linhas passam em intervalos de uma hora, outras, de duas horas... se você não tiver sorte, precisará das primeiras, se tiver sorte, não precisará pegar ônibus no fim de semana, e se estiver ferrado, vai precisar das últimas linhas!
Em Manaus, eu sei, não há a opção do trem urbano, metrô de superfície, nem o bonde não tem mais. Há apenas o ônibus. Eu sei, a situação com certeza não é melhor que a de Porto Alegre – da qual não vou falar muito, porque não tenho conhecimento de causa – mas também não é pior, nem mesmo que em Sapucaia. Já foi melhorzinha, no tempo feliz em que vivi ali. Puro ranço com Amazonino, simpatia pelo então prefeito Serafim, pra alguns pode parecer isso, e podem estar certos. Eu não estou assim tão por dentro da situação atual, mas as informações que recebo, por meio dos jornais e portais de notícias locais, bem como por meio de amigos e “parentes” dão conta que a coisa tá mais feia do que nunca! E eu preocupado, será que ainda tem aquele ônibus que faz a linha do aeroporto até o Terminal 1, na Constantino Nery? Não, táxi dali do aeroporto até o Shangrilá é uma fábula, quase a passagem Porto Alegre/Manaus de avião, ida e volta! Mas exageros à parte, tenho algum conhecimento de causa do transporte público em Manaus: das latas velhas e dos ônibus azuis novinhos, aqueles adesivados com o brasão do município nas laterais... tive a graça de não ter morado na Zona Leste, ou em bairros mais retirados, como Conjunto Canaranas, ou Santa Etelvina. Eu só imagino o quanto é braba a situação. Já no Jardim Shangrilá, lá no fim do Parque Dez, é um pouco complicada. Sei porque tenho parentes morando ali, também passei um tempo ali, mas morei mais tempo no Centro da cidade, no São Jorge – próximo ao CIGS – e na Cachoeirinha – bem próximo ao Terminal 2, inclusive! Nessas localidades, dava pra se dizer que a situação era bem mais tranquila, afinal, todos os ônibus, ou quase todos, têm como destino o Centro; próximo ao CIGS haviam umas cinco linhas saídas do T1, mais duas saídas do T2 passando por ali; e na Cachoeirinha, próximo ao T2, bem... era o T2, onde podia pegar coletivos pra praticamente qualquer parte da cidade! Terminal muito pequeno, obsoleto, mau-estruturado pra receber tanta gente, mas enfim... imagino que não só pra mim, como pra todo morador do bairro era bem cômodo ter um terminal quase na porta de casa!
Hoje até estou mais bem humorado. Não só pela data, que já passou, graças a Deus, os dias só tem 24 horas! Também pelo fato de não estar chovendo. Agora a tarde até abriu um solzinho. Cara, fazia tempo que eu não via um inverno tão chuvoso, aqui no sul! E sério, não tava sentindo a menor falta! Oh, ok, tudo bem, oficialmente não estamos no inverno ainda. Algum professor de geografia meio abestado mentiu, há muito tempo atrás, que no Rio Grande do Sul se têm as quatro estações bem definidas e todo mundo acreditou! Ou eu que sou muito simplista: a temperatura caiu pra menos de 18 graus, já começou o inverno! Tá, hoje está mais frio que ontem, um grau, e já é muito! Sem falar que com o vento gelado que tá soprando lá fora, parece que baixou uns cinco graus! Imagine: 14°C de temperatura! Menos cinco!! De manhã, por volta de 9 horas, a sensação que a gente tinha era de uns 9°C, sem mentira nenhuma! Olhaí, amigo amazonense: tá achando ruim o calor de 35°C? Se feche dentro de seu refrigerador, amigo, fique lá dentro por uma horinha... e depois me diga se é gostoso o frio lá dentro! De verdade, quero que me diga que sente inveja por eu estar pegando friagem por aqui e você não! Lembre-se de não estar na cidade, quando eu for por aí, que é pra não tomar uma bicuda na garganta! Tá, o frio é muito horrível, mas já não ter que carregar uma sombrinha, e não molhar os pés e as pernas das calças ao caminhar na rua já é alguma coisa... Deus permita que essa umidade dê um tempo! Mas eu gostaria muito que o frio também desse um tempo, de verdade... saudade do clima agradabilíssimo de Manaus! Tá, forcei, desculpem, mas pra mim, não fazendo frio, já é uma puta vantagem! Pra mim, Manaus é quase igual a Porto Alegre, sob muitos aspectos... leva vantagem em vários outros, a ausência de clima frio, e principalmente, de pessoas frias e fechadas, é, com certeza, na minha óptica, uma imensa vantagem!

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