Não
vou comentar a escalação do selecionado – era assim
que os antigos falavam – pelo Dunga. Também acho que tem
gente que não precisava, também acho que ele podia ter
chamado um ou dois jogadores mais interessantes. Mas de jeito nenhum
engrosso o coro dos descontentes que passaram a tarde toda de ontem
dizendo que tava tudo errado. Enquanto estavam todos no limbo,
discutindo a convocação, o mundo continuava girando.
Vocês viram que a lei da Ficha Limpa passou integralmente, sem
destaques, na Câmara de Deputados? Pois é, foi ontem,
não viu? Enquanto você xingava o técnico da
seleção, aconteceu muita coisa e você nem
percebeu... de minha parte, pra encerrar o assunto, digo que foi a
tarde mais chata dos últimos dias. Era pro país ter
parado por apenas 10 minutos, parece que parou por 10 horas! O que
importa, e ninguém lembrou disso, é que o técnico
convocou os jogadores conforme sua cabeça. Se certo ou errado,
não sei, não vou julgar. Deixa vir a tal da Copa pra
ver.
E
quanto à política? Regional, nacional, mundial... como
anda? E as eleições? Serão mesmo plebiscitárias?
Ao que tudo indica, sim, serão. Infelizmente. Não só
no âmbito nacional, ao que tudo indica. Em quase todos os
estados brasileiros está se procurando se impor esse modelo. É
o paraíso para o atual governo e para os formadores de opinião
gaudérios, que se sentem muito à vontade quando podem
comentar a política nacional sob a ótica mesquinha e
retrógrada dos maragatos contra ximangos. Para os eleitores é
que isso não é nada bom. A grande maioria parece não
se importar ainda com isso, o que é uma pena. Ainda bem que há
alguns poucos que percebem o quanto isso é prejudicial.
Me
causou, na verdade, muito mais efeito que a convocação
de Dunga, essa aliança de Serafim Corrêa e Alfredo
(Buchada de Bode) Nascimento para concorrer ao governo do Amazonas.
Na internet somos uma maioria que não engoliu muito bem esse
prato indigesto. Buchada de bode com bacalhau não agrada a
todos paladares. Li dois textos de dois blogueiros, um incomodado com
essa aliança, o outro compreensivo demais, ou muito
decepcionado pra dizer qualquer coisa diferente, sei lá. Um é
filiado ao partido de Serafim, é vereador do município
de Manaus, então poderia ser compreensivo, no entanto, foi
apenas solidário a seu correligionário, que aceitou ser
candidato a vice numa chapa que só agrada ao atual presidente
da república, da mesma forma que sua candidata a sucessão.
O outro... bom, já teve atitudes e opiniões um tanto
duvidosas nos últimos dias, então não me
surpreendo que “entenda” tão bem a “vontade soberana”
do nobre ex-prefeito Serafim.
Eu
um dia já fui de pensar que os partidos políticos
brasileiros realmente defendiam alguma ideologia. Eu cresci, deixei
de seguir as ideologias políticas pelas quais meu pai
simpatizava, procurei minha própria ideologia, escolhi um
partido que parecia falar na mesma sintonia minha. Não demorou
muito pra eu descobrir que não, os partidos não
defendem uma ideologia política clara, os de direita – PP,
ex-ARENA, PDS, PPR, PPB; PR, ex-PL – se aliam a partidos de
esquerda – PCdoB; PPS; PSB – conforme a ocasião e os
interesses. Políticos que se preocupam mais em se perpetuar no
poder do que em defender uma idéia de governo, de política,
etc. Então, não, não sou simpático ao
PSB, nunca fui, pra falar a verdade. Já fui simpático
ao Partidão, mas nunca ao PSB. Já fui, por outro lado,
simpático ao PMDB, ao PSDB e ao PSOL, em fazes bem diversas da
vida. Hoje penso que sou mais crítico, não sou
contrário a partido nenhum, e muito menos favorável.
Não é por ser do PT que deixarei de votar em fulano ou
sicrano. Tampouco votarei em fulano ou sicrano se vierem a se filiar
no DEM, por exemplo. Por que será que a maioria das pessoas
dizem votar em pessoas e não em partidos? Talvez porque
ignorem que, independentemente de ser quem se é, a pessoa terá
que seguir, de um certo modo, o conteúdo programático
do partido? Não, não é por isso. Eu mesmo sei
perfeitamente disso, e mesmo assim defino afinidades com determinados
candidatos pelas pessoas que são, e não pelo partido ao
qual estão afiliadas. As pessoas sabem que os partidos
políticos, no Brasil, são mais agremiações
usadas de trampolim para se chegar ao poder, do que partidos mesmo,
no mais puro sentido da palavra. Acredite, a maioria das pessoas têm
consciência disso!
Eu
tinha Serafim por um dos poucos, raríssimos, sob risco de
extinção, políticos sérios no Brasil.
Talvez ainda o seja. Talvez não tenha havido escolha. Sim, que
ninguém me convencerá de que ele terá preferido
uma “vitória amarga” a uma “derrota honrosa”. Sério,
ninguém me convence. Ainda mais se é simpático
ou mesmo afiliado ao partido do ex-prefeito! E se é daqueles
paranóicos de plantão que – curiosamente, não
acham – resolvem falar, em um texto, dos ataques de paranóia
a que empresários e empregados de veículos de
comunicação são acometidos “especialmente em
períodos de eleição”! Não, claro que
reconheço, o cara escreve muito bem, escreve melhor que eu.
Mas acredite, essa idéia não lhe chegou por inspiração
divina. O que muito me lisonjeia, é verdade... mas bem que
podia divulgar a fonte! Pode fazer as piadinhas infames sobre os
“inimigos e espiões”, não me importo não! De
qualquer forma, não acredito numa “escolha” feita por
Serafim, ou pelo partido. Não havia opção. Ou
até havia: Serafim poderia ter deixado de se candidatar e
manter-se neutro. Não apoiar nem um candidato, nem o outro!
Nem a oposição situacionista, nem a situação
TAMBÉM situacionista! Deixasse a batata quente nas mãos
do partido: escolha de que lado vai ficar. Ponto. Mas, A PESSOA
Serafim Corrêa, podia, sim senhor, ter se colocado à
margem do debate eleitoral. Pelo menos manteria no ideário de
seus eleitores e simpatizantes a imagem do homem de princípios,
do político sério, que não se vende, que se
mantém fiel a palavra dada. Teria se credenciado para o
próximo pleito, daqui há dois anos, talvez se
fortalecesse para daqui há quatro anos, para ser cabeça
de uma chapa que fosse opção para quem quer que esteja
na cadeira de governador, a partir de 1º de janeiro do próximo
ano. O partido do senhor prefeito foi o maior culpado, não
ele. Ao implodir a candidatura de Ciro Gomes, ao acatar a vontade do
supremo mandatário da nossa humilde capitania hereditária,
de fazer do pleito deste ano um plebiscito de aprovação,
ou desaprovação, de seu governo, o PSB acabou
implodindo as possibilidades de candidatura própria em todos
os estados, inclusive onde tinha alguma chance, mesmo que
aparentemente remota, como no Amazonas e no Rio Grande do Sul, por
exemplo. Não é só Serafim que pagará
caro, é muito mais o partido, que aceitou se sacrificar por um
“bem maior”, que é o projeto Lula 2014 – ou alguém
ainda tem dúvida disso?
Sendo
dessa forma, com o próprio PSB se submetendo tão
passivamente a vontade de um único homem, como nos tempos do
Império, como ocorre na Rússia de Vladmir Putin, dizer
que Serafim Corrêa, e outros membros do partido, tinham alguma
escolha soa até como uma brincadeira de mau gosto. Mais que
isso, há um malfazejo canto de maus agouros no ar. Lula é
o único grande vencedor, não importa qual dos dois
“únicos candidatos” ganhe. Não importa quantos
estados irão referendar seus oito anos de reinado. Os partidos
são irrelevantes. Os homens e mulheres de idéias e de
princípios são os grandes perdedores. O povo é o
maior perdedor. O país sucumbe lentamente, sob o marasmo da
mesmice e da desesperança. Não há novos ventos,
nada de novo ocorrerá nos próximos quatro anos. Seja
compreensivo, o problema é seu. Se já esperava por essa
aliança, não espere que estejamos otimistas.
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