PESCANDO NO BODOSAL

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sem Escolha!


Não vou comentar a escalação do selecionado – era assim que os antigos falavam – pelo Dunga. Também acho que tem gente que não precisava, também acho que ele podia ter chamado um ou dois jogadores mais interessantes. Mas de jeito nenhum engrosso o coro dos descontentes que passaram a tarde toda de ontem dizendo que tava tudo errado. Enquanto estavam todos no limbo, discutindo a convocação, o mundo continuava girando. Vocês viram que a lei da Ficha Limpa passou integralmente, sem destaques, na Câmara de Deputados? Pois é, foi ontem, não viu? Enquanto você xingava o técnico da seleção, aconteceu muita coisa e você nem percebeu... de minha parte, pra encerrar o assunto, digo que foi a tarde mais chata dos últimos dias. Era pro país ter parado por apenas 10 minutos, parece que parou por 10 horas! O que importa, e ninguém lembrou disso, é que o técnico convocou os jogadores conforme sua cabeça. Se certo ou errado, não sei, não vou julgar. Deixa vir a tal da Copa pra ver.
E quanto à política? Regional, nacional, mundial... como anda? E as eleições? Serão mesmo plebiscitárias? Ao que tudo indica, sim, serão. Infelizmente. Não só no âmbito nacional, ao que tudo indica. Em quase todos os estados brasileiros está se procurando se impor esse modelo. É o paraíso para o atual governo e para os formadores de opinião gaudérios, que se sentem muito à vontade quando podem comentar a política nacional sob a ótica mesquinha e retrógrada dos maragatos contra ximangos. Para os eleitores é que isso não é nada bom. A grande maioria parece não se importar ainda com isso, o que é uma pena. Ainda bem que há alguns poucos que percebem o quanto isso é prejudicial.
Me causou, na verdade, muito mais efeito que a convocação de Dunga, essa aliança de Serafim Corrêa e Alfredo (Buchada de Bode) Nascimento para concorrer ao governo do Amazonas. Na internet somos uma maioria que não engoliu muito bem esse prato indigesto. Buchada de bode com bacalhau não agrada a todos paladares. Li dois textos de dois blogueiros, um incomodado com essa aliança, o outro compreensivo demais, ou muito decepcionado pra dizer qualquer coisa diferente, sei lá. Um é filiado ao partido de Serafim, é vereador do município de Manaus, então poderia ser compreensivo, no entanto, foi apenas solidário a seu correligionário, que aceitou ser candidato a vice numa chapa que só agrada ao atual presidente da república, da mesma forma que sua candidata a sucessão. O outro... bom, já teve atitudes e opiniões um tanto duvidosas nos últimos dias, então não me surpreendo que “entenda” tão bem a “vontade soberana” do nobre ex-prefeito Serafim.
Eu um dia já fui de pensar que os partidos políticos brasileiros realmente defendiam alguma ideologia. Eu cresci, deixei de seguir as ideologias políticas pelas quais meu pai simpatizava, procurei minha própria ideologia, escolhi um partido que parecia falar na mesma sintonia minha. Não demorou muito pra eu descobrir que não, os partidos não defendem uma ideologia política clara, os de direita – PP, ex-ARENA, PDS, PPR, PPB; PR, ex-PL – se aliam a partidos de esquerda – PCdoB; PPS; PSB – conforme a ocasião e os interesses. Políticos que se preocupam mais em se perpetuar no poder do que em defender uma idéia de governo, de política, etc. Então, não, não sou simpático ao PSB, nunca fui, pra falar a verdade. Já fui simpático ao Partidão, mas nunca ao PSB. Já fui, por outro lado, simpático ao PMDB, ao PSDB e ao PSOL, em fazes bem diversas da vida. Hoje penso que sou mais crítico, não sou contrário a partido nenhum, e muito menos favorável. Não é por ser do PT que deixarei de votar em fulano ou sicrano. Tampouco votarei em fulano ou sicrano se vierem a se filiar no DEM, por exemplo. Por que será que a maioria das pessoas dizem votar em pessoas e não em partidos? Talvez porque ignorem que, independentemente de ser quem se é, a pessoa terá que seguir, de um certo modo, o conteúdo programático do partido? Não, não é por isso. Eu mesmo sei perfeitamente disso, e mesmo assim defino afinidades com determinados candidatos pelas pessoas que são, e não pelo partido ao qual estão afiliadas. As pessoas sabem que os partidos políticos, no Brasil, são mais agremiações usadas de trampolim para se chegar ao poder, do que partidos mesmo, no mais puro sentido da palavra. Acredite, a maioria das pessoas têm consciência disso!
Eu tinha Serafim por um dos poucos, raríssimos, sob risco de extinção, políticos sérios no Brasil. Talvez ainda o seja. Talvez não tenha havido escolha. Sim, que ninguém me convencerá de que ele terá preferido uma “vitória amarga” a uma “derrota honrosa”. Sério, ninguém me convence. Ainda mais se é simpático ou mesmo afiliado ao partido do ex-prefeito! E se é daqueles paranóicos de plantão que – curiosamente, não acham – resolvem falar, em um texto, dos ataques de paranóia a que empresários e empregados de veículos de comunicação são acometidos “especialmente em períodos de eleição”! Não, claro que reconheço, o cara escreve muito bem, escreve melhor que eu. Mas acredite, essa idéia não lhe chegou por inspiração divina. O que muito me lisonjeia, é verdade... mas bem que podia divulgar a fonte! Pode fazer as piadinhas infames sobre os “inimigos e espiões”, não me importo não! De qualquer forma, não acredito numa “escolha” feita por Serafim, ou pelo partido. Não havia opção. Ou até havia: Serafim poderia ter deixado de se candidatar e manter-se neutro. Não apoiar nem um candidato, nem o outro! Nem a oposição situacionista, nem a situação TAMBÉM situacionista! Deixasse a batata quente nas mãos do partido: escolha de que lado vai ficar. Ponto. Mas, A PESSOA Serafim Corrêa, podia, sim senhor, ter se colocado à margem do debate eleitoral. Pelo menos manteria no ideário de seus eleitores e simpatizantes a imagem do homem de princípios, do político sério, que não se vende, que se mantém fiel a palavra dada. Teria se credenciado para o próximo pleito, daqui há dois anos, talvez se fortalecesse para daqui há quatro anos, para ser cabeça de uma chapa que fosse opção para quem quer que esteja na cadeira de governador, a partir de 1º de janeiro do próximo ano. O partido do senhor prefeito foi o maior culpado, não ele. Ao implodir a candidatura de Ciro Gomes, ao acatar a vontade do supremo mandatário da nossa humilde capitania hereditária, de fazer do pleito deste ano um plebiscito de aprovação, ou desaprovação, de seu governo, o PSB acabou implodindo as possibilidades de candidatura própria em todos os estados, inclusive onde tinha alguma chance, mesmo que aparentemente remota, como no Amazonas e no Rio Grande do Sul, por exemplo. Não é só Serafim que pagará caro, é muito mais o partido, que aceitou se sacrificar por um “bem maior”, que é o projeto Lula 2014 – ou alguém ainda tem dúvida disso?
Sendo dessa forma, com o próprio PSB se submetendo tão passivamente a vontade de um único homem, como nos tempos do Império, como ocorre na Rússia de Vladmir Putin, dizer que Serafim Corrêa, e outros membros do partido, tinham alguma escolha soa até como uma brincadeira de mau gosto. Mais que isso, há um malfazejo canto de maus agouros no ar. Lula é o único grande vencedor, não importa qual dos dois “únicos candidatos” ganhe. Não importa quantos estados irão referendar seus oito anos de reinado. Os partidos são irrelevantes. Os homens e mulheres de idéias e de princípios são os grandes perdedores. O povo é o maior perdedor. O país sucumbe lentamente, sob o marasmo da mesmice e da desesperança. Não há novos ventos, nada de novo ocorrerá nos próximos quatro anos. Seja compreensivo, o problema é seu. Se já esperava por essa aliança, não espere que estejamos otimistas.

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