PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Desconstruindo a Obsessão


Tenho estado mal. Última sexta-feira, à noite, sentia uma tristeza profunda, que há muito tempo não sentia. Que só crescia à medida que remoía velhos pensamentos, cada vez que lia a frase estúpida escrita por minha querida rondoniense, que me lembrava de como ela veio toda humilde, há uns dois meses, dizendo que sentia minha falta, pensando como agora não há mais tempo para dar-me atenção, nem faço mais nenhuma falta em sua vidinha “perfeita”... tudo de novo! Penso seriamente se não estava melhor sem ela. Todos os dias penso nisso. Não digo feliz, não estou onde eu queria, nem como gostaria de estar, portanto não estou feliz. Mas sim, estava melhor... estava me sentindo bem, sem pensar nela, sem remoer a velha paixão não-correspondida, sem me ressentir por não ser seu queridinho, verdadeiramente. Não quero mais essa obsessão por essa garota, nem por nenhuma outra. Não consigo pensar, não consigo planejar, nem manter uma atitude mais positiva e mais disciplinada, como gostaria. Até dois meses atrás, me sentia mais otimista, mais positivo nas minhas intenções e decisões, tinha algo bem planejado para os próximos meses e anos, tinha alguma coisa, mesmo que pouca, na ponta do lápis. Enfim, tinha planos bem feitos para fazer cursos, concursos, guardar algum dinheiro, para poder retomar meu rumo, voltar a Manaus, ficar por lá. Esse é meu intento. Ou era... Desde que essa garota voltou a fazer contato, não consigo me concentrar nesse intento, voltar a Manaus passou a ser um sonho remoto, o clima frio e tudo o mais que simplesmente não suporto, no Rio Grande do Sul, têm se acentuado, o fato de estar inconformado com a situação em que me encontro, no lugar onde não me sinto fica a cada dia mais visível e o meu sonho de voltar ao lugar que chamo de casa está se tornando apenas isso, uma maldita e dolorosa obsessão. Em suma, estou tomado por duas obsessões, assim como meu presente e futuro próximo me incomodam e desanimam, essa garota, suas mentiras, suas pequenas discordâncias de atitudes e palavras, as pequenas provocações e discrepâncias, sua pequena maldade em escrever para eu ler mensagens “endereçadas” a outra pessoa e fingir sentir-se ofendida, quando escrevo recados bem claros, endereçados de forma bem direta a ela... sinto-me indignado com tudo isso, sinto a velha tristeza de exatamente um ano atrás, sinto a velha obsessão lentamente voltando a tomar conta de mim. Muito me ofende, verdadeiramente, não por fingimento de minha parte, ver fotos suas com o pobre otário a quem chama de “amor sonhado”, “amor verdadeiro” – e pior ainda – “vida”, ou ler seus recadinhos, exaltando o sujeito, porém, obviamente, endereçados a meu imenso desprazer. Toda vez é isso, lembro o maldito dia em que decidi lhe declarar o amor que lhe devotava. Acreditei ingenuamente em sua boa vontade, acreditei em cada palavra sua, desde quando mentiu que não poderia corresponder meus sentimentos, porque “já tinha alguém”, porque “seu coração pertencia a outro”, até depois, quando me deu falsas esperanças de ficarmos juntos, quando disse que teria pensado em mudar de vida, inclusive vindo ao sul, para ficar comigo “mesmo que fosse só pra fazer companhia”, como se EU não quisesse fazer-lhe mais que isso, mais tarde inventando uma “doença gravíssima” que lhe impedia de manter contato comigo... aceitei todas suas desculpas e mentiras pra não corresponder a meus sentimentos. E quanto mais via que mentia, mais obsecado ia ficando. Não quero aquilo tudo de novo. Não quero Manaus como um sonho inatingível, assim como nunca a quis assim. Se lhe declarei meus sentimentos, não foi para continuar vivendo um amor platônico simplesmente inatingível. Ela já havia dado a entender antes, que não o seria. E agora, nada me tira da cabeça que o “amor da sua vida” não lhe satisfaz inteiramente. Não havia por que voltar a entrar em contato comigo. Não deveria haver, pelo menos... eu não estava sentindo sua falta, estava bem melhor sem ela me obsecando da maneira que está agora. Não temos assunto nenhum em comum, para falar. Não me faz falta, como amiga, estou bem servido de amigos e colegas. Igualmente, também não precisa de minha amizade, ela também está bem servida de amigões doidos pra “furar a loca”. Não é nisso que lhe faço falta. É justamente nessa minha obsessão por ela, na minha paixão e carinho extremados por ela, na minha espera inútil por qualquer palavra de sua parte. O queridão não lhe corresponde com o amor cego que acha que merece. Não é culpa minha se ele é mais frio e auto-suficiente do que ela provavelmente gostaria. Ela sabe que fui eu quem chegou mais perto do amor extremo que almeja para si. Elas sempre sabem. Não há nada de novo nisso. Ela não é a primeira. Talvez venha a ser a última. Com certeza, muito melhor se fosse mesmo a última. Melhor se aprendesse com meus erros e estivesse mais protegido contra suas provocações, contra suas declarações de amor a outrem, endereçadas às velhas feridas, que sabe muito bem não estarem completamente fechadas. Não sentiria a velha obsessão voltar, não estaria apenas obsecado com Manaus, com um “improvável” retorno ao meu velho lar, ao convívio de minha filhota, que deveria ser mais importante no meu coração, que uma idiota que só vê graça no “amor perfeito” quando percebe alguém enciumado digladiando-se consigo mesmo e inconformado por não ser ele o seu “verdadeiro amor”. Nem ironias consigo mais fazer. Uma delas, se bem me lembro, a fez recuar quanto a seus recadinhos cretinos supostamente endereçados a seu “vida”. Maldita obsessão! Podia já estar com os planos mais ou menos azeitados, por agora, e prontos, num futuro próximo. Estava melhor sem ela. Estava melhor sem a velha dor intermitente no peito, sem a garganta arranhada, sem a sensação de olhos embaçados por lágrimas. Manaus não era pra ser uma obsessão, era pra ser uma realidade palpável, já pros próximos anos. Estar perto da minha filha é que deveria ser importante pra mim. Os planos deveriam estar embasados, com cálculos e estudos, inclusive. E essa rondoniensezinha, não tinha que ser nada além de uma péssima lembrança deixada pra trás, completamente fora da minha vida. Não mais meu amor, com minha vida correndo em paralelo, como ironizei outro dia... simplesmente significando o nada que sempre representou e que nunca admiti a mim mesmo!

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