PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Dissipando as Nuvens


Minha querida está tristinha. E está, portanto, mais pensativa, mais ensimesmada. Diz não ter vontade, nem paciência, de sair à noite – imagine se a noite estivesse sendo fria. Escreve frases poéticas de amor.
Me causa alguma curiosidade, pois não tive ninguém disposta a ficar melancólica, me esperando o tempo que fosse, onde quer que seja. Deixar de sair, admitir ficar sozinha, pensar em mim com o carinho que todo homem e toda mulher deseja, sentir-se ligada a mim não importando a distância, esperar por mim!? Quem fez isso?? Quem quer?? Nem quem diz tê-lo feito acredito que realmente o tenha! Essa, até onde sei, nunca agiu assim por ninguém. Agora ela continua sendo meu amorzinho, minha menina, mas sério, quando a conheci, ela também não tinha a menor intenção de fazer isso por ninguém. Me parece muito mais uma idéia de que já se está em idade mais “madura”, e que agindo assim estará sendo uma mulher “sensata e responsável”. Não acredito, ou não gostaria, que seja o caso de “amor verdadeiro”, ou “pra toda vida”. Realmente não quero que tenha se reaproximado de mim apenas pra retomar uma “bonita amizade” que pouca importância tenha dado aos sentimentos meus, que pretendiam uma ligação mais forte, talvez. De qualquer forma, me entristece que mulher alguma se disponha a me esperar, quando o céu se tingir de vermelho, ou qualquer coisa assim. Me magoa que em meus olhos uma mulher possa ver de tudo, menos o amor desejado e sonhado. Honestamente me magoa tudo isso.
Não vejo outra saída pra mim, a não ser reproduzir, ou tentar, o que gostaria de ter, lá, no “mundo externo”, dentro de mim, dentro de meu coração. Tentar ser forte e não esmorecer. Tentar amar a todos que nem Jesus Cristo, que amar e me dedicar a uma pessoa só tem me trazido dor. Da outra vez, me apaixonei e fiquei obsecado, adoeci por ela, não consegui me conformar que o que queria reproduzir no mundo “real” só estava dentro de mim... e se estava dentro dela também, ela camuflou muito bem, preferindo esconder até de si, pra “acalmar o olhar” na visão de um outro “amigo”. Com certeza deveria ter se concretizado, mas nunca concretizou, e não foi por falta de vontade. Não me conformo com isso, apenas estou consciente de que não adianta brigar com ela e com o mundo, que não é assim que vou ganhar, que vou convencer. Se é que há o que ganhar...
Hoje tá mais difícil que o normal, mas procuro desencanar, deixar de pensar e remoer velhas derrotas e frustrações, procuro apenas sentir. É o que tem me feito bem. Estou me alienando? Pode ser, pode ser também que esteja tentando sofrer menos. EU SEI o quanto doeu me dedicar inteiramente a alguém que não quis corresponder meus sentimentos, simplesmente porque sempre tinha alguém “melhor” que eu. Agora o mundo ironizou e ela reconheceu que eu poderia fazer alguma falta em sua vida. Achei engraçado. Achei melhor não esperar mais nada dela.
Gostei duma garota normalzinha no twitter. Do seu “avatar”, ou seja, a foto do seu perfil no site. O sorriso, o olhar, o brinco de pena. Gostei de brincar com uma frase sua, gostei do seu gosto musical, no que aparentemente se aproxima do meu. Gosto de admirar seu sorriso. Sou virtualmente apaixonado por ela. Penso que gostaria de estar com ela. Quem sabe!?, beijar seus lábios. Mas me contento ao pouquíssimo contato via internet. É minha maldição. Procurar não sofrer. Apenas pensar no que gostaria como se dentro de mim isto já estivesse reproduzido. E amá-la como a um irmão. Com um certo distanciamento. Com uma mínima dedicação possível. Platonicamente ser feliz pra não ser realmente infeliz. É o que me toca. Mas não me agrada nem um pouco.

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