Ontem,
ou anteontem, escrevi sobre algumas reflexões de final de
semana, sobretudo de dia das mães. Ainda não dei o
presente da minha, era porque ainda não havia recebido
salários, se já o tivesse, teria evitado uma imensa
chateação, já teria lhe dado o presente e não
teria saído de sob o cobertor nem por decreto lei, só
por alguma ordem realmente superior – se é que vocês
me entendem.
Pois
é muito desagradável querer fazer um agrado pra alguém
e descobrir que esse agrado é totalmente dispensável.
Por isso que nem tento agradar muito as garotas por quem tenho algum
interesse. Uma delas voltou a falar comigo, mas no começo do
ano passado me fazia muito mal saber que qualquer palavra romântica
de minha parte era perfeitamente descartável para ela. Só
que não é sobre isso que viemos falar hoje...
Após
o episódio que me chateou profundamente, que me magoou,
podemos dizer, no último fim de semana, houve ontem um novo
episódio. Uma chateação com a mesma pessoa, a
minha própria mãe. Por conta de uma coisa banal, a qual
na hora não dei nenhuma grande importância, me irritou
sim, mas foi só na hora, no caminho de casa pro trabalho, não
tinha mais a menor importância, nem pensei mais a respeito.
Várias horas depois é que vi minha atitude de justa
irritação ser dramatizada, deturpada e aumentada
desproporcionalmente, em 220%, no grau de importância. Ver
minha mãe deturpando até meu tom de voz, não só
minhas palavras, invertendo a situação, que era muito
mais de uma má vontade de sua parte, por conta de um mau-humor
qualquer, ao qual talvez tenha se chateado por eu não dar a
devida atenção, que de qualquer outra razão a
que tenham atribuído. Ouvir que seu companheiro ficou
“injuriado” me soou muito mau aos ouvidos: o cara tá
sempre injuriado! Um ou outro dia está no melhor do seu
mau-humor, faz suas provocações pra dar risada às
nossas custas, em vez de tentar criar um clima chato, mas o seu
normal É o clima chato, É forçar uma
incomodação, É criar qualquer atrito, e É
procurar sarna pra se coçar. Então, se não está
fazendo nenhuma piada com o fato, está mesmo chateada porque
seu João está “injuriado”, está entrando no
jogo dele, ou querendo fazer seu jogo, tanto faz!
Há
dois fatos importantes aqui: primeiro, que seu companheiro gosta, ou
só sabe provocar controvérsias e situações
constrangedoras por onde passa. Não sei onde que ele vai que
não crie nenhuma polêmica, que não tire ninguém
do sério, onde ninguém acabe por se incomodar com
alguma de suas atitudes. Sinceramente não sei. Esse é
um dos pontos. O segundo fato importante é que minha mãe
frequentemente se indispõe com sua família, com seus
próprios filhos, para justificar as más atitudes de seu
companheiro. Conscientemente, ou não, acaba se envolvendo nas
controvérsias que ele IRRESPONSAVELMENTE cria e, não
raro, busca convencer-nos que ele tem alguma parcela de razão,
não importando o quanto esteja errado – claramente errado,
diga-se de passagem!
Imagino
o quanto deva doer numa mãe quando o filho é quem lhe
dá lição de moral. Eu converso muito com a
minha, é uma das vantagens de se morar sob o mesmo teto da
nossa progenitora, aos trinta e poucos anos de idade. Creio, ou
melhor, gosto de acreditar, que desta forma temos uma certa abertura
para falar com mais franqueza sobre determinados assuntos. Assim
pude dizer que minha percepção é a de que, não
importa o quão civilizadamente procure conviver com ela e seu
companheiro, este vai sempre procurar criar alguma controvérsia,
algum atrito, vai forçar alguma situação
constrangedora em que nós fatalmente nos desentenderemos,
causando – não me restam dúvidas quanto a isto –
uma secreta satisfação mórbida nele. Pude falar
abertamente também do incômodo frustrante que é
estar morando de volta com a mãe aos trinta e tantos anos. Não
estou confortável nem conformado com esta situação!
Então não preciso de nenhum idiota me cutucando e
provocando mau-estar todo santo dia para me lembrar disso! É
muito chato ter que dar lição de moral na própria
mãe da gente. Mas às vezes é preciso...
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