PESCANDO NO BODOSAL

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Lição de Moral


Ontem, ou anteontem, escrevi sobre algumas reflexões de final de semana, sobretudo de dia das mães. Ainda não dei o presente da minha, era porque ainda não havia recebido salários, se já o tivesse, teria evitado uma imensa chateação, já teria lhe dado o presente e não teria saído de sob o cobertor nem por decreto lei, só por alguma ordem realmente superior – se é que vocês me entendem.
Pois é muito desagradável querer fazer um agrado pra alguém e descobrir que esse agrado é totalmente dispensável. Por isso que nem tento agradar muito as garotas por quem tenho algum interesse. Uma delas voltou a falar comigo, mas no começo do ano passado me fazia muito mal saber que qualquer palavra romântica de minha parte era perfeitamente descartável para ela. Só que não é sobre isso que viemos falar hoje...
Após o episódio que me chateou profundamente, que me magoou, podemos dizer, no último fim de semana, houve ontem um novo episódio. Uma chateação com a mesma pessoa, a minha própria mãe. Por conta de uma coisa banal, a qual na hora não dei nenhuma grande importância, me irritou sim, mas foi só na hora, no caminho de casa pro trabalho, não tinha mais a menor importância, nem pensei mais a respeito. Várias horas depois é que vi minha atitude de justa irritação ser dramatizada, deturpada e aumentada desproporcionalmente, em 220%, no grau de importância. Ver minha mãe deturpando até meu tom de voz, não só minhas palavras, invertendo a situação, que era muito mais de uma má vontade de sua parte, por conta de um mau-humor qualquer, ao qual talvez tenha se chateado por eu não dar a devida atenção, que de qualquer outra razão a que tenham atribuído. Ouvir que seu companheiro ficou “injuriado” me soou muito mau aos ouvidos: o cara tá sempre injuriado! Um ou outro dia está no melhor do seu mau-humor, faz suas provocações pra dar risada às nossas custas, em vez de tentar criar um clima chato, mas o seu normal É o clima chato, É forçar uma incomodação, É criar qualquer atrito, e É procurar sarna pra se coçar. Então, se não está fazendo nenhuma piada com o fato, está mesmo chateada porque seu João está “injuriado”, está entrando no jogo dele, ou querendo fazer seu jogo, tanto faz!
Há dois fatos importantes aqui: primeiro, que seu companheiro gosta, ou só sabe provocar controvérsias e situações constrangedoras por onde passa. Não sei onde que ele vai que não crie nenhuma polêmica, que não tire ninguém do sério, onde ninguém acabe por se incomodar com alguma de suas atitudes. Sinceramente não sei. Esse é um dos pontos. O segundo fato importante é que minha mãe frequentemente se indispõe com sua família, com seus próprios filhos, para justificar as más atitudes de seu companheiro. Conscientemente, ou não, acaba se envolvendo nas controvérsias que ele IRRESPONSAVELMENTE cria e, não raro, busca convencer-nos que ele tem alguma parcela de razão, não importando o quanto esteja errado – claramente errado, diga-se de passagem!
Imagino o quanto deva doer numa mãe quando o filho é quem lhe dá lição de moral. Eu converso muito com a minha, é uma das vantagens de se morar sob o mesmo teto da nossa progenitora, aos trinta e poucos anos de idade. Creio, ou melhor, gosto de acreditar, que desta forma temos uma certa abertura para falar com mais franqueza sobre determinados assuntos. Assim pude dizer que minha percepção é a de que, não importa o quão civilizadamente procure conviver com ela e seu companheiro, este vai sempre procurar criar alguma controvérsia, algum atrito, vai forçar alguma situação constrangedora em que nós fatalmente nos desentenderemos, causando – não me restam dúvidas quanto a isto – uma secreta satisfação mórbida nele. Pude falar abertamente também do incômodo frustrante que é estar morando de volta com a mãe aos trinta e tantos anos. Não estou confortável nem conformado com esta situação! Então não preciso de nenhum idiota me cutucando e provocando mau-estar todo santo dia para me lembrar disso! É muito chato ter que dar lição de moral na própria mãe da gente. Mas às vezes é preciso...

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